Colégio Oliveira é mantido pela Coopeva, criada em 2003 (Foto: Cristiano Wildner/Folha do Mate)

O modelo educacional defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, com a implementação de escolas cívico-militares, também é cogitado em Venâncio Aires. A ideia, no município, já foi ventilada há mais tempo pela própria Prefeitura e é um objetivo antigo do Colégio Oliveira Castilhos.

Nos últimos dias, o assunto voltou à tona depois que o Ministério da Educação (MEC) apresentou um programa que propõe a gestão escolar compartilhada entre educadores e militares. A meta é construir 216 escolas neste modelo em todos os estados até 2023.

Em Venâncio, o prefeito Giovane Wickert conta que a questão foi, há alguns meses, discutida no gabinete do deputado estadual Coronel Zucco (PSL). “Na época a situação estava pouco palpável, vamos ver a partir de agora. Pelo que sabemos, o governo vai priorizar estados que não têm, o que não seria prioridade no Rio Grande do Sul. Aqui, achamos adequado fazer uma parceria com o Oliveira, que está mais no centro, e que pessoas de qualquer bairro poderiam procurar. É sem obrigatoriedade, mas acho que teria bastante procura.”

Naquela reunião, Wickert foi acompanhado de Engelberto Henn, presidente da Cooperativa de Profissionais em Educação de Venâncio Aires (Coopeva), atual mantenedora do colégio Professor José de Oliveira Castilhos. Segundo Henn, mesmo que ainda não haja clareza sobre a proposta apresentada pelo MEC, ele afirma que há interesse do Oliveira em, quem sabe um dia, ser uma escola cívico-militar.

“Somos simpatizantes dessa ideia, por causa da qualidade que se busca e da disciplina. Pesquisamos várias escolas militares e, em Goiás, por exemplo, milhares de pessoas esperam vaga. Se não fosse bom, não teria fila de espera. Outro é o resultado do ensino, que é muito bom.”

No entanto, o presidente da Coopeva diz que, para sair do papel, o projeto teria de ser viável financeiramente. “Precisamos ter clareza de quem vai manter, se é possível uma parceria com a cooperativa, se é o Município que vai ajudar. Mas nada evoluiu e ainda não sabemos como vai funcionar na prática. Então continuaremos buscando informações.”

INTERESSE

Engelberto Henn destacou que muito do interesse do Oliveira está relacionado à qualidade do ensino. “Dentro das pesquisas e contatos que fizemos, os resultados são tudo que uma família pode sonhar para seus filhos, com uma educação de qualidade, com princípios e valores. E é que o propusemos também, buscar isso permanentemente.”

O presidente da Coopeva também revelou que gostaria de atuar em uma escola nesse modelo. “Eu estudei em um internato durante 13 anos, que tem formato similar e agradeço pela educação que tive. Das pessoas com as quais conversei, acham que isso seria ‘uma dentro’ se nós aderíssemos. Ninguém é obrigado, mas tenho certeza que muitas famílias gostariam de ter essa possibilidade.”

ESTRUTURA ATUAL 

O colégio Oliveira tem 250 alunos divididos entre educação infantil e ensino fundamental. Segundo Engelberto Henn, há cerca de quatro anos a escola decidiu extinguir o ensino médio para se dedicar à base. O Oliveira é mantido pela Coopeva, que conta com cerca de 40 cooperados entre funcionários e professores.

ENTENDA

  • Na última quinta-feira, 5, quando o MEC apresentou o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a imposição do modelo para as pessoas não dependerem de programas sociais “até morrer.”
  • Conforme o MEC, as secretarias estaduais de educação continuariam responsáveis pelos currículos escolares (parte pedagógica) e caberia aos militares a atuação como monitores na gestão educacional (administração).
  • Estados e municípios terão de fazer uma consulta pública à comunidade sobre a adesão ao programa, que é voluntária. A comunidade escolar precisa aceitar a mudança no perfil das escolas.
  • Com a medida, o governo pretende reduzir índices de violência, repetência e abandono escolar. O MEC alega que as escolas do modelo já em funcionamento têm taxa de evasão 71% menor e de reprovação 37,4% inferior.
  • O MEC prevê repassar recursos para os governos, que terão de investir em infraestrutura e material escolar. O investimento previsto é de R$ 54 milhões por ano.

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