Paula é professora de Educação Infantil há 12 anos (Foto: Juliana Bencke/Folha do Mate)

Paciência, afeto e dedicação são algumas das palavras que ajudam a descrever a professora Paula Cristina Fernandes, 39 anos. Cada pequeno avanço no desenvolvimento de alunos com autismo da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Venâncio Aires é motivo de satisfação para a profissional. “Cada um tem uma característica que precisamos conhecer. Vamos sempre buscando trabalhar a independência deles”, ressalta Paula.

O estímulo à autonomia está nos detalhes: ensinar as crianças a amarrar o cadarço, a comerem o lanche sozinhas e irem até o veículo de transporte escolar, no fim da aula. Os avanços, desde que a escola começou o trabalho com turmas específicas para autistas, no início do ano letivo, são perceptíveis. “Eles já têm tolerância maior para ficar na escola e a chegada é mais tranquila”, afirma a professora.

De acordo com Paula, a ideia de criar turmas específicas para crianças com autismo grave tem o propósito de possibilitar a convivência com outros alunos e a vivência da rotina escolar. Até então, as crianças apenas iam até a Apae para atendimentos pedagógicos individualizados e de estimulação precoce. “O objetivo é estimular o desenvolvimento dos alunos para que, um dia, possam ir para outra turma da escola”, explica a profissional.


“Procuro fazer a diferença na educação com o meu trabalho. Quando percebo pouca evolução volto a questionar minha prática diária e procuro auxilio da equipe. Acredito que posso aprender com todos e juntos conseguimos alcançar o melhor para todos.”

PAULA CRISTINA FERNANDES – Professora


Junto da também professora Rockjajana Griesang, Paula atende duas turmas de autistas. Cada uma, com quatro alunos, em aulas diárias de duas horas, quando as crianças brincam, realizam atividades de pintura, vão até o laboratório de informática e participam de aulas de educação física e música.

Um dos aspectos destacados pela professora é a importância de brincar junto com os alunos, para que eles aprendam a brincar em grupo. “Para que eles aprendam a montar peças, precisamos estar junto, alcançando e montando as peças com eles”, explica.

INSPIRAÇÃO

Ao longo dos 12 anos na Educação Especial, Paula segue norteada por princípios estudados na graduação, como a Pedagogia da Esperança, de Paulo Freire, que coloca que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Na turma de autistas, atividades buscam estimular a convivência, a interação social e a autonomia das crianças (Foto: Juliana Bencke/Folha do Mate)

Além disso, a busca pelo aperfeiçoamento, por meio de cursos, marca a trajetória da educadora. “Amo apreender para poder auxiliar meus pequenos. Desejo a inclusão de forma justa e digna com respeito às individualidades e potencialidades de cada um”, afirma ela, que também faz questão de evidenciar o aprendizado construído junto aos colegas da Apae.

Quando a pergunta é o que a motiva a atuar na Educação Especial, a resposta da professora vem carregada de altruísmo. “Todos têm direito de estar na escola e aprender. O grande objetivo é que eles consigam se socializar. Nosso trabalho é esse, é incluí-los na sociedade.

LEIA MAIS: Conheça os finalistas do Prêmio ‘Adiante, professor’

PERFIL

Paula Cristina Fernandes tem licenciatura em Pedagogia e é pós-graduada em Educação Especial com ênfase em Deficiência Intelectual, em Estimulação Precoce e em Autismo. Seis meses antes de terminar a graduação, em 2004, Paula começou a estagiar, voluntariamente, na Apae de Estrela, onde residia.

Em 2006, iniciou pós-graduação em Deficiência Intelectual com ênfase em Deficiência Mental e, no mesmo ano, foi contratada como professora na Apae de Estrela. Em 2014, começou a trabalhar com estimulação precoce e atendimentos pedagógicos na Apae de Venâncio Aires com a Estimulação Precoce e os atendimentos Pedagógicos.

Neste ano, começou a trabalhar, também, com turmas específicas para autistas na instituição. A diretora da Apae de Venâncio Aires, Grazieli Cristina Winkelmann, ressalta que Paula foi uma das profissionais mobilizadoras para a abertura de turmas específicas para autistas. “É uma professora tranquila, esforçada e com muita paciência. Também está sempre preocupada em trazer as crianças o quanto antes para a Apae para que sejam estimuladas.”

SÉRIE DE MATÉRIAS

A Folha do Mate encerra, hoje, a divulgação das matérias sobre as 12 finalistas do prêmio ‘Adiante, professor’. Amanhã, às 15h, ocorre a cerimônia de premiação, com entrega medalhas e certificados, e revelação da professora destaque, que receberá troféu e R$ 1 mil. A solenidade ocorre no Ginásio de Exposições do Parque Municipal do Chimarrão, durante a Feira do Livro.

O ‘Adiante, professor’ é promovido pela Folha do Mate e tem o apoio das Universidades do Vale do Taquari (Univates) e de Santa Cruz do Sul (Unisc), EmagreSee e Colégio Gaspar Silveira Martins.

LEIA MAIS:

Isabel Poletti: atuação embalada pela música e a paixão por ensinar

Laureci Rodrigues: criatividade e afeto para fazer a diferença na educação

Bianca Campos da Silva: projetos para despertar a curiosidade dos estudantes e envolver a família

Luiza Lazzaretti: desafios que multiplicam o amor pela educação

Gabriela Flores: mais do que aprendizado, construção do conhecimento

Karine Wessling: trabalho interdisciplinar e inspiração pelo exemplo

Fernanda Saldanha: brilho nos olhos e envolvimento para despertar o protagonismo dos estudantes

Pamella da Silva: diálogo, aulas atrativas e a consciência do papel de educar

Larissa Bittencourt: sala de aula invertida e o estímulo à autonomia dos estudantes

Rafaela Wenzel: teatro para despertar o olhar crítico e o autoconhecimento

Bruna Etges: aulas atrativas e empatia na Educação de Jovens e Adultos

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome