Ansiosa pelo início das aulas, Kauani já guardou na mochila o estojo, os lápis de cor e o caderno para usar no 3º ano (Foto: Eduarda Wenzel)

Todas as manhãs depois de fazer o tema, Kauani Gabrieli Wazlawovsky Hermes, 8 anos, organiza a mochila para ir para a aula. A estudante do 3º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Narciso Mariante de Campos, de Linha Tangerinas, é exemplo de organização: mantém os materiais escolares sempre arrumados, assim como os cadernos e trabalhos.

A menina comenta que, durante a aula, costuma emprestar os materiais aos colegas, porque eles sempre devolvem. “Eu ajudo a mãe a colocar nome nos materiais. Quase todos colegas colocam também”, conta. Além de ajudar os colegas, depois que já está pronta nas atividades, Kauani se coloca à disposição da professora. “No 1º ano tinha o ajudante do dia, que usava uma blusa para ser identificado e eu gostava disso.”

Em casa, os cadernos estão guardados, desde o pré, e ela mostra feliz as atividades que já fez. Kauani também tem pastas separadas com os trabalhinhos e boletins, que são só elogios. “Ainda tenho guardado um sapo de pano de duas cabeças, que ganhei em uma atividade na escola. Ele passou pela casa de todos os alunos e no fim eu fui sorteada e pude trazer de lembrança”, conta a menina.

INCENTIVO

O estímulo para essa dedicação vem dos pais Paulo Roberto Hermes, 43 anos, e Mariza Wazlawovsky, 45 anos, que fazem questão de participar da vida escolar da filha. A mãe tem como rotina olhar o caderno e a mochila de Kauani, todos os dias. “Eu ajudo ela nos temas e debatemos os assuntos. Também costumo perguntar o que ela fez na aula e até qual foi a merenda”, afirma Mariza.

Mariza e Paulo com as filhas Gabriela e Kauani: família faz questão de participar da vida escolar (Foto: Eduarda Wenzel)

Ela lembra que, desde o primeiro dia na escola, a menina foi tranquila e sempre gostou de estudar. “Ela não falta aula, no último ano ficou apenas um dia em casa quando estava ruim. Ela gosta muito de ir para a escola”, observa. Orgulhosa dos resultados escolares da filha mais velha, ela acredita que essa organização e dedicação vão fazer parte da vida de Kauani. “É um aprendizado para a vida, até porque já percebo que ela é organizada com o quarto e os brinquedos também.”

Auxílio na formação de caráter

Segundo a professora Jerusa Fagundes, tutora do curso de Pedagogia da Uninter, a organização dos materiais escolares deve ser um hábito e não uma obrigação, já que é na infância que as crianças constroem seus conceitos. “É recomendável explicar para a criança sobre os cuidados que deve ter com o material, pois é nesta fase que ela começa aprender a ter um pouco de responsabilidade”, explica.

De acordo com ela, a organização desde cedo ajuda o aluno a saber distinguir quais são seus materiais e ter responsabilidade com eles. “Na escola, eles podem emprestar os materiais, mas com a organização vão saber o que é seu e o que é do colega, tendo noção que precisam voltar para casa com todos materiais.”

A docente ainda argumenta que isso ajuda na formação de caráter. “Pode não parecer, mas essa pequena ação de conferir a mochila e ensinar a criança mesmo a organizar, forma um adulto autônomo, que será responsável por suas escolhas”, ressalta.


“É importante que, desde cedo, as crianças organizem seus materiais escolares. Isso tudo contribui para que tenham responsabilidade e cuidado com o que é seu e do outro. Para que, na vida adulta, tornem-se autônomos, sejam responsáveis por suas escolhas, tenham espírito cooperativo, aprendam a olhar as incumbências da vida com leveza.”

JERUSA FAGUNDES
Tutora do curso de
Pedagogia da Uninter


Dicas para os pais

– Antes de começar as aulas, identifique os materiais com o nome do aluno. Inclusive, a criança pode participar e auxiliar na tarefa.
– Mostre tudo para a criança e explique sobre os cuidados que precisa ter.
– Arrume a mochila diariamente e coloque apenas o que for necessário para evitar perdas e peso em excesso.
– Torne o momento de arrumar a mochila lúdico, com histórias e músicas, para despertar o interesse da criança.

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