Para a professora de Biologia Adriane de Camargo, 44 anos, mais do que passar conteúdo, sua responsabilidade como educadora inclui desempenhar as atividades com os alunos com amor, aceitar e trabalhar com a realidade de cada um. 

Foto: Juliana Bencke / Folha do Mate Aulas atrativas, que relacionem o conteúdo com o dia a dia dos estudantes, são aposta da professora Adriane
Aulas atrativas, que relacionem o conteúdo com o dia a dia dos estudantes, são aposta da professora Adriane

Em meio a aulas dinâmicas, divertidas e interdisciplinares, Adriane busca aproximar os temas ao contexto dos estudantes. “Gosto de trabalhar de forma prática, levá-los para o laboratório, fazer analogias, para que os alunos se identifiquem e relacionem o conteúdo ao seu cotidiano.”

Professora da Escola Estadual de Ensino Médio Crescer, do bairro Coronel Brito, Adriane aposta em uma relação de amizade com os adolescentes, com o objetivo de incentivar a permanência na escola e a dedicação aos estudos. “Às vezes, um gesto rude por parte do estudante é, sim, um pedido de ajuda. Por isso, observo cada um com um olhar diferente”, comenta.

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“Procuro tirar um tempinho em minhas aulas para conversar com eles, saber de seu dia, dar conselhos, ouvir suas queixas e, através de exemplos, estimulá-los a refletirem sobre suas ações”, explica. “Eles retribuem com mudança de comportamento, carinho e confiança.”

Tenho orgulho da minha história e me esforço para melhorar e fazer cada vez mais, para tocar os alunos assim como também fui tocada pelos meus professores. Tenho muita esperança na educação.”

Vice-diretora da escola Crescer, Claudete Angela Arenhardt também observa o caráter positivo da relação de Adriane com os estudantes. “É uma professora muito envolvida com os alunos, que busca resolver os problemas, e que usa o próprio exemplo para incentivar que eles estudem.”

De fato, Adriane quer ser inspiração, assim como foi inspirada por seus mestres, apesar dos desafios enfrentados para estudar. “Aos 14 anos, parei de estudar na 7º série, e sempre ouvia meus professores ressaltando a importância dos estudos”, relata.

Longe da sala de aula, enquanto trabalhava em uma fábrica de calçados, ela lembrava dos professores. “Depois de um tempo, percebi que queria mais, queria mudar minha realidade, pois,sempre que voltava do trabalho, observava o ônibus Albatroz levando estudantes para a universidade, para realizar seus sonhos. Na época, pensava: ‘Um dia ainda vou estar dentro de um desses ônibus’”, conta.

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Foto: Juliana Bencke / Folha do MateAdriane:
Adriane: “Tenho uma grande responsabilidade como educadora, não apenas de passar conteúdos, mas de dar amor, aceitar e trabalhar com a realidade de cada aluno. Sou mediadora de aprendizagens”

Para isso, entretanto, precisava retomar os estudos e concluir o ensino médio. Quando estava no 2º do ensino médio, porém, a dificuldade de conciliar o trabalho com as aulas levou a uma nova interrupção. Apesar disso, novamente, uma professora voltou a incentivá-la a buscar a formação.

A conclusão da educação básica ocorreu por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, “entre idas e vindas na escola” e por meio das conversas com docentes, Adriane realizou, em 2000, o vestibular para Biologia. “Optei por ser professora e ajudar os alunos a não desistirem, me identifico muito com eles, pois também vivi muitas dificuldades e não tive incentivo em casa nem no trabalho para estudar”, enfatiza.

Para ela, é motivo de orgulho ver ex-alunos que seguem estudando e se inserem no mercado de trabalho. “Fico muito satisfeita quando vejo eles trabalhando, com a vida encaminhada, e posso ver que ocorreu uma transformação.”

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Perfil

Formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Adriane de Camargo leciona Biologia para turmas de 9º ano do ensino fundamental e 1º ano do ensino médio da escola Crescer. Também é professora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Zilda de Brito Pereira, na qual atua com 6º,7º e 8º ano. 

Série

Na série de matérias sobre os finalistas do prêmio ‘Adiante, professor’ de, amanhã, confira a história do docente de Língua Portuguesa Flávio Cezar dos Santos, finalista na categoria Educação de Jovens e Adultos (EJA). A premiação ocorre no dia 31, às 14h, durante a Feira do Livro de Venâncio Aires.

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