Durante a adolescência, Flávio Cezar dos Santos, 33 anos, pensou em ser administrador, contabilista e até mesmo meteorologista, menos professor. Três anos de trabalho na área administrativa, entretanto, fizeram-no pensar que queria contribuir de forma mais efetiva com a sociedade.

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateCom questionamentos e atividades diferenciadas, professor Flávio busca aproximar as aulas de Língua Portuguesa à realidade dos alunos
Com questionamentos e atividades diferenciadas, professor Flávio busca aproximar as aulas de Língua Portuguesa à realidade dos alunos

“Esse incômodo pessoal gerou numa busca por diferentes profissões”, conta. Uma delas, foi a docência. Aliado ao interesse pela Língua Portuguesa, o magistério desenhou um novo caminho para o santa-mariense Flávio, que, neste ano, mudou-se ‘de mala e cuia’ para Venâncio Aires, para atuar como professor de Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Duarte de Macedo. “É uma pessoa fantástica, um professor que tem uma boa relação com os alunos e se integrou muito bem à escola”, diz a vice-diretora da instituição, Rosmeri Willms Mattie.

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Para Flávio, os cinco anos da graduação no curso de Letras – Língua Portuguesa e Literaturas, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) possibilitaram, mais do que o aprendizado sobre ser professor, um crescimento enquanto sujeito social.

“Percebo que, enquanto profissionais de educação, precisamos estar em contínuo estudo, discutir a aprendizagem e o ensino nas escolas, qual nosso papel na escola e na sociedade, como nossa profissão é vista hoje pela sociedade e como isso nos afeta”, comenta.

Percebo que, muitas vezes, os alunos não têm perspectivas. É um trabalho diário de motivação. Gosto de mostrar a eles que podem ser protagonistas de sua aprendizagem. Todos têm uma sabedoria, trazida de fora da escola e que pode ser compartilhado aos demais.”

Apaixonado pelo trabalho com EJA, o professor Flávio busca, por meio de aulas diferenciadas e da proximidade com os alunos, transformar a ideia de que a escola não é a atrativa e combater a evasão – um dos principais desafios na Educação de Jovens e Adultos. “Aproveito essa proximidade com eles, por também ser jovem, e sempre tento mostrar que a escola é importante.”

Na opinião do docente, para além da gramática, é preciso trabalhar uma Língua Portuguesa que faça sentido na vida dos estudantes e contribua com o seu dia a dia. “Quero que eles sejam leitores mais críticos, que saibam dialogar, buscar outras informações.”

Um das metodologias utilizadas por Flávio é o ‘debate regrado’. No semestre passado, alunos foram divididos em grupos contra e a favor, e discutiram a pena de morte no Brasil. Além da pesquisa sobre o assunto, respeito a regras do debate, argumentação e expressão oral estão entre habilidades estimuladas, com a atividade.

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Foto: Juliana Bencke / Folha do MateSOBRE ENVOLVIMENTO COM A EDUCAÇÃO “Sempre penso na educação sustentada por três pilares: escola, família e sociedade. Se um dos pilares não está firme, bem apoiado, a educação desaba. É necessário que os três estejam bem articulados e em comunicação contínua.”
Flávio: “Sempre penso na educação sustentada por três pilares: escola, família e sociedade. Se um dos pilares não está firme, bem apoiado, a educação desaba” 

“O debate tem a capacidade de trabalhar dentro e fora da sala de aula a pesquisa pelo assunto a ser discutido, a leitura e a escrita de textos, e a argumentação de falar. Para saber argumentar, é preciso muita leitura e envolvimento dos jovens”, explica, ao acrescentar, ainda, a importância de saber escutar, trabalhada durante a atividade. “Tem-se o momento de falar e o momento de escutar o outro. Acredito que esse seja o ponto principal da atividade: saber escutar a opinião do outro e aceitar. E, ainda, contra-argumentar.”

No entendimento do professor Flávio, trabalhos como o debate e a produção de curta-metragens, com imagens feitas pelos próprios alunos, estimulam o protagonismo dos estudantes – fundamental para desenvolver a autoestima e o interesse pelo estudo. “Gosto de mostrar ao estudante que ele pode ser o protagonista de sua aprendizagem e mostrar que a escola é um local onde se aprende com os outros – colegas, professores, funcionários –, mas também que pode ensinar o outro. Todos têm uma sabedoria, trazida de fora da escola e que pode ser compartilhado aos demais.”

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Perfil

Formado em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Flávio Cezar dos Santos é estudante do mestrado profissional em Políticas Públicas e Gestão Educacional, pela mesma instituição. Também participa de projetos de pesquisa e de extensão da universidade relacionados à educação e ao trabalho docente.

Série

A Folha do Mate encerra, na terça-feira, 28, a série de matérias sobre os finalistas do prêmio ‘Adiante, professor’, com o perfil da docente de Educação especial, Keula Maqueli Closs. A premiação ocorre na próxima sexta-feira, 31, às 14h, durante a Feira do Livro, no Parque Municipal do Chimarrão.

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