Um projeto iniciado em setembro do ano passado no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) busca aproximar alunos e professores de escolas municipais e estaduais de Venâncio Aires da tecnologia. A iniciativa contempla oficinas de robótica com estudantes e formação com professores da rede municipal.

Segundo o coordenador, Gelson Luís Peter Corrêa, o objetivo é apresentar ferramentas inovadoras para trabalhar Matemática e Física no ensino fundamental. “Tecnologias são muito utilizadas na educação em países de primeiro mundo. A ideia é trazer isso para cá e poder agregar na educação”, destaca.

Foto: Divulgação / IFSulDurante o curso, docentes de Física e Matemática das Emefs conhecem ferramentas inovadoras para trabalhar em sala de aula
Durante o curso, docentes de Física e Matemática das Emefs conhecem ferramentas inovadoras para trabalhar em sala de aula

Nos encontros com os educadores, realizados por meio de uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação, professores e estudantes do IFSul explicam sobre as possibilidades de uso de kits de robótica Lego e o software Scratch, no qual o aluno aprende a programar por meio de jogos e exercícios de matemática. “É um software gratuito, fácil e instrutivo, que pode ser utilizado em sala de aula”, explica Corrêa.

Na prática

Professora de Matemática há mais de 20 anos, Cláudia Luz é uma das participantes do curso. Para ela, é possível utilizar as ferramentas de tecnologia para trabalhar conteúdos como raciocínio lógico, coordenadas, ângulos e variáveis.

“Temos que ter maneiras de atrair os alunos e a melhor forma é incentivar que eles sejam protagonistas do processo. Ao montarem um robô, eles utilizam o conhecimento na prática, não fica só na teoria”, considera a docente da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Alfredo Scherer e da Escola Estadual de Ensino Médio Wolfram Metzler. “Os alunos ficaram fascinados nas oficinas realizadas pelo IFSul nas escolas.”

Orientadora educacional na Emef Dom Pedro II, de Linha Hansel, Priscila Wagner Pereira também participa da formação. “Tive o privilégio de acompanhar a professora de Matemática nessa formação e, apesar de eu ser formada em Letras, adorei tanto a parte de robótica quanto a que trabalhamos com o software online. Novos conhecimentos são sempre necessários e bem-vindos.”

Foto: Divulgação / IFSulProjeto também contemplou oficinas de robótica para turmas de escolas municipais e estaduais
Projeto também contemplou oficinas de robótica para turmas de escolas municipais e estaduais

Assim como Cláudia, Priscila considera que é viável trabalhar com tecnologia nas escolas municipais, mas depende da disponibilidade dos equipamentos. “A formação com o software é online, então seriam necessários computadores com uma boa rede de internet. Já na parte da robótica, o investimento com o kit é alto, mas se houver investimento para consegui-los, o trabalho será incrível”, destaca.

O curso de formação com professores da rede municipal será encerrado em fevereiro. Além disso, na volta às aulas, alunos do IFSul bolsistas do projeto vão acompanhar os educadores em sala de aula para aplicar as atividades com kits de robótica e software Scratch com as turmas.

Tudo o que fizemos no instituto buscamos construir com as escolas do município. Pretendemos continuar o projeto e criar grupos de robótica para que alunos de outras escolas participem da competição de robótica do campus.”

GELSON LUÍS PETER CORRÊA, coordenador do projeto

Conhecimento compartilhado

Além da formação com professores da rede municipal, o projeto ‘Tecnologias para inovar nas práticas pedagógicas da rede pública de ensino de Venâncio Aires’ contempla oficinas de robótica com kits Lego em escolas municipais e estaduais. Ao todo, foram cerca de 150 alunos de 7º, 8º e 9º ano contemplados, no ano passado. 

Estudante do curso técnico em Informática do IFSul, Thaís Luisa Metz, 17 anos, está entre os seis bolsistas do projeto. “Desde o início, em setembro, tivemos momentos para a preparação das aulas, realizamos oficinas para as escolas visitantes na Movaci, levamos a oficina para sete escolas, demos início à formação dos professores e participamos da Mostra de Produção do IFSul, que aconteceu em Passo Fundo”, conta.

Para o coordenador Gelson Peter Corrêa, que atua no projeto junto aos também professores do campus Paula Deporte de Andrade e Fábio Lorenzi da Silva, os alunos do IFSul também ganham com a participação no projeto. “Os projetos de extensão levam conhecimento construído no campus para contribuir com o desenvolvimento regional. Também é uma forma de formarmos estudantes que conheçam a região que eles vivem.”

Thaís também destaca os aspectos positivos da ação. “Além de reforçar o conteúdo que trabalhamos em aula, que é o software da Lego e o Scratch, desenvolvemos o planejamento, a organização, o trabalho em equipe e a desinibição”, considera.

>>19 é o número de projetos de extensão do IFSul, por meio dos quais alunos e professores da escola federal atuam junto a escolas, entidades e projetos da comunidade. Além disso, práticas de extensão integram o currículo dos cursos integrados ao ensino médio, no 3º ano.