Nesta semana, Encosan iniciou obras no sentido norte-sul da rua Coronel Agra (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

Venâncio Aires terá seu esgoto tratado. Já existe a estação de tratamento no bairro Morsch, inaugurada em 2017, e que fará todo o serviço. Mas, para o material chegar até ela, é necessário mexer na ligação de milhares de residências e em tubulações espalhadas por toda a cidade.

É por esse motivo que, nos últimos meses, dezenas de ruas viraram canteiros de obras. Um trabalho inevitável, mas que tem incomodado muita gente. Reclamações sobre poeira, barro, buracos, desníveis, trechos bloqueados, sinalização e ‘remendos’ em ruas asfaltadas têm pautado rodas de conversa e as redes sociais. ‘Transtornos necessários’ que devem seguir, já que, até o momento, foram concluídas pouco mais de 15% das obras que estão em execução dos contratos em vigência.

Hoje, duas empresas contratadas pela Companhia Riograndense de Abastecimento e Saneamento (Corsan) atuam na cidade. A Arcol, de Lajeado, é responsável por oito quilômetros de rede e concluiu 3,3 quilômetros. Já a Encosan, de Porto Alegre, tem um mapa muito maior para percorrer: 43 quilômetros no total e dos quais fez 4,5 quilômetros.

Pelos números, há muito pela frente e isso exigirá paciência dos venâncio-airenses. Mas, como o convívio não tem sido dos mais ‘amistosos’, as obras viraram dor de cabeça não só para os usuários, mas para os prestadores do serviço e da Prefeitura.

Tanto, que o assunto virou motivo para uma audiência pública, realizada nesta semana no Legislativo de Venâncio Aires. O pedido de encontro partiu de alguns vereadores, depois de constantes reclamações de usuários sobre o estado das vias.

Audiência pública foi realizada na última quinta-feira, 13, na Câmara de Vereadores (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

PACIÊNCIA

Durante o encontro, a Corsan fez uma apresentação do trabalho técnico social, onde faz visitas, reuniões comunitárias e atendimento móvel. “Estamos informando, mas muita gente ainda tem dúvida. Temos que pedir paciência”, disse o gerente local da Corsan, Ilmor Dörr.

Segundo ele, pelo andamento dessa etapa da obra, as equipes continuarão na cidade pelos próximos três anos. “Não é só a rede de esgoto. Tem muita rede de água precária, que precisa ser refeita e que é um risco passar o rolo compactador por cima.”

Dörr destacou ainda que, quando os 51 quilômetros de rede estiverem prontos, a cidade terá 41% de cobertura de tratamento de esgoto. “No Rio Grande do Sul apenas 14% é tratado. Então Venâncio vai sair do zero para quase metade da população na área da Corsan.”

Fernando Bergmann, que é motorista, sugeriu melhor sinalização e organização de rotas (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

Desvios e mudanças de ‘mão’ devem ocorrer

No plenário Vicente Schuck, menos de 30 pessoas participaram da audiência pública, a maioria representantes das empresas envolvidas e da Prefeitura. Entre os pouquíssimos ‘cidadãos comuns’ o motorista Fernando Bergmann, morador do bairro Cruzeiro.

Ele disse que entende que os transtornos são inevitáveis e que a obra será importante para a qualidade de vida das pessoas. Mas, como usuário que conduz moto, carro e caminhão, fez uma sugestão. “A sinalização está ruim. Damos em pontos bloqueados, contornamos e paramos de novo. Quem sabe organizar rotas, principalmente perto de escolas e creches.”

Essa reorganização de rotas também foi um pedido de representantes do Colégio Gaspar. “Não só o Gaspar, mas a escola Monte das Tabocas também. Quando as obras chegarem na Tiradentes, ficará complicado”, disse o presidente da mantenedora do Gaspar, Gilberto Bender.

Para evitar transtornos imediatos no entorno dessas quadras, a Secretária de Planejamento e Urbanismo informou que a obras na Tiradentes, no trecho ao lado do Gaspar e do Monte, serão executadas durante as férias escolares, entre fim de julho e início de agosto. “Também já estamos conversando com o Trânsito, para quem sabe fazer desvios e inverter as mãos das travessas”, revelou Jalila Böhm Heinemann, se referindo aos trechos da Pastor Menzel e da Rufino Pereira.

Ainda sobre a rua Tiradentes, o gerente local da Corsan, Ilmor Dörr, disse que ela receberá, além das obras de esgotamento, nova canalização da rede de água. “Quando começarem a mexer na Tiradentes, entre a Pasto Menzel até a 15 de Novembro, vamos fazer a rede de água junto. Fazer de uma vez e evitar outros transtornos depois.”

Engenheiro da Encosan, João Arthus Basso, afirmou que serviço tem cinco anos de garantia (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

AGILIDADE

A demora para cobrir buracos e os desníveis estão entre as principais reclamações. “O problema é a qualidade do serviço pós-obra”, apontou o motorista Fernando Bergmann. A crítica dele também é a mesma de muitos usuários e até da Administração Municipal, que mantém uma equipe com fiscalizações rotineiras. “É preciso agilizar essa parte, porque está pegando mal para todo mundo”, destacou o prefeito Giovane Wickert.

Para ele, mesmo que haja necessidade de esperar o material ‘sentar’, valeria, principalmente em trechos asfaltados, espalhar ‘uma brita’. “Sabemos que não é negligência, mas em dias de chuva os buracos aumentam e é perigoso.”

Sobre a agilidade na reposição de paralelepípedos ou recapagem asfáltica, o gerente de engenharia da Encosan, João Arthur Basso, disse que os reparos estão sendo feitos. “Tudo é feito a partir de estudos e planejamento. Começamos as escavações em janeiro, são três bacias, alguns lugares que exigem buracos mais fundos. Tem diferenças, mas já estamos encurtando etapas.”

Basso disse ainda que os ‘quebra-molas’ formados sobre as valas cobertas são normais. “É natural ficar mais alto, por causa dos ramais. Com o tempo ele irá assentar. Já estamos com um rolo compactador na cidade, mas tem pontos com redes de água frágeis e é arriscado passar por cima.”

O engenheiro garantiu que, se houver problemas, o trabalho será refeito. “A empresa tem cinco anos de garantia do serviço. Qualquer problema, vamos resolver.”

ROTEIRO

A Encosan é responsável pelo maior roteiro de obras atualmente. Conforme mapa divulgado pela Corsan (veja imagem), os trabalhos se concentram em três ‘bacias’. Recentemente, as obras iniciaram na ‘bacia 2’, que abrange a rua Coronel Agra no sentido norte-sul a partir da Jacob Becker.

Na bacia 1, considerada o ponto crítico, está o Centro. Já a 3 compreende os bairros Gressler, Cidade Nova e Xangrilá, percorrendo ruas como 15 de Novembro, Senador Pinheiro Machado e Cláudio Reckziegel. Pelo mapa da Corsan, o que está pronto são os bairros Morsch e União.

Segundo Taís Barcellos, engenheira fiscal da Corsan, são seis equipes trabalhando em diferentes pontos da cidade – cerca de 40 pessoas, além das equipes de repavimentação. “Estamos incrementando as equipes, mas com certeza haverá adiamento no contrato”, explica Taís. Pelo prazo estimado, as obras devem estar concluídas em maio de 2020.

Mapa de obras da rede de esgotamento (Divulgação/Corsan)

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