A cada dia é perceptível o acréscimo de entulhos amontoados em passeios públicos ou até em partes das ruas de Venâncio Aires. Restos de podas de árvores, de materiais usados em construções de casas ou prédios; e ainda, móveis velhos, inteiros ou quebrados, são facilmente encontrados por quem anda pelo município. A obrigação de dar um destino adequado para o material é do próprio dono, mas, até então, o serviço é feito pela prefeitura de Venâncio. De acordo com o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Fernando Ribeiro Heissler, inicialmente, o trabalho era possível, mas, com o crescimento da cidade, se tornou cada vez mais difícil dar conta de coletar tudo o que é exposto nas ruas. “Estamos perdendo o controle”, afirmou Heissler.

Em alguns bairros, os entulhos fazem parte da paisagem do local. Como no caso do bairro Morsch, onde em uma mesma rua é possível ver pelo menos três amontoados de lixo. Um morador, que preferiu não se identificar, disse que o morro de detritos, localizado próximo a sua casa, foi formado, há pelo menos seis meses, pelo proprietário da residência, que não mora nela. “Ele mora na casa ao lado dessa que tem o lixo na frente. Quando ele comprou, limpou todo o pátio da casa nova e colocou tudo na calçada. O vizinho disse que ligou para a prefeitura,pedindo para juntar tudo, mas ninguém apareceu.” O morador ainda acrescentou: “A gente se preocupa com isso perto de casa, porque é até perigoso que alguém coloque fogo.”

A doméstica Glaci Fagundes, também moradora do bairro Morsch, falou do seu descontentamento. “Faz 30 anos que moro aqui, o bairro é bom, mas a rua fica feia assim, suja.”

Devido ao crescimento da cidade e, por consequência, à falta de maquinários suficientes para o serviço, e também para antecipar a adesão à lei federal 2.534/98; que trata da política de designação dos resíduos sólidos, a qual entrará em vigor a partir de dezembro deste ano; a prefeitura não fará mais o recolhimento de entulhos particulares a partir do primeiro dia de agosto. Dessa forma, as pessoas terão que dar um destino correto para o que sobrar das obras e de podas de galhos, bem como os móveis velhos, entre outros, alugando contêineres de ‘papa entulhosÂ’. O custo para esse serviço fica em torno de R$ 100 para um período de 24 horas, e de R$ 125 para dois ou sete dias (ambos correspondem a capacidade de quatro metros cúbicos de lixo). Quem insistir em amontoar entulhos em locais impróprios será multado. No entanto, o secretário Heissler afirmou que esse não é o objetivo da alteração. “O mais importante não são as multas, mas sim a educação da população.”

O secretário ainda informou que aqueles com baixa renda e que precisarem do serviço de coleta não serão excluídos pela administração municipal.  “A prefeitura não será insensível. Essas pessoas que não tiverem condições de pagar por um ‘papa entulhoÂ’ podem contatar ou a Secretaria da Fazenda ou a Secretaria de Obras, que essas irão verificar as reais condições e avaliar como irão proceder”, concluiu Heissler.

Outra preocupação da Adminsitração, segundo o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Ronald Artus, é atender a demanda de recolhimento até o fim de junho.