Foto: Letícia Wacholz / Folha do MatePresidente Liel Miranda e diretor de Tabaco, Dimar Frozza, receberam a imprensa na Souza Cruz, em Santa Cruz do Sul, nesta semana
Presidente Liel Miranda e diretor de Tabaco, Dimar Frozza, receberam a imprensa na Souza Cruz, em Santa Cruz do Sul, nesta semana

O ano é de comemorações, mas também de desafios para o setor do tabaco, garantiu o presidente da Souza Cruz, Liel Miranda, durante coletiva de imprensa concedida nesta semana, em Santa Cruz do Sul. Em visita à região para acompanhar a programação da Expoagro Afubra, o executivo da maior exportadora de tabaco do Brasil lembrou os 115 anos da empresa e os 100 anos do Sistema Integrado de Produção de Tabaco comemorados neste ano, bem como, os 40 anos da maior fábrica de cigarros da América Latina, sediada em Uberlândia.Mesmo com tantas datas importantes para celebrar, ao longo de toda a entrevista, Miranda não deixou de destacar que é tempo de “celebrar o passado e se preparar para o futuro.”De volta ao Brasil há um ano, depois de atuar na China, Inglaterra e Canadá e ter conhecido a produção de tabaco em muitos países, Miranda – que tem 25 anos de empresa – mostrou que é conhecedor de todo o processo produtivo e por diversas vezes ressaltou o papel e a importância do produtor de tabaco.

CIGARRO ELETRÔNICONeste processo de preparação para o futuro, a criação de novos produtos de tabaco está na pauta principal das empresas do setor e é encarada como um caminho sem volta para as cigarreiras. Enquanto no mercado internacional o cigarro eletrônico, ou vaporizadores – como a Souza Cruz prefere chamar – já está sendo a grande novidade, inclusive colocando a British American Tobacco (BAT), que é a controladora da Souza Cruz, como líder deste produto na Europa e nos Estados Unidos, no Brasil o assunto começa a ganhar um debate específico neste ano.Durante a coletiva, o presidente anunciou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) irá realizar no mês que vem (11 de abril), pela primeira vez, um debate sobre a regulamentação de cigarros eletrônicos no Brasil, onde não é permitida a comercialização: “É preciso regulamentação no mercado dos vaporizadores para não entrar aventureiros. Mas não é um assunto simples e rápido.”Embora o presidente acredite ser muito cedo para falar dos impactos que esses novos produtos possam causar na cadeia produtiva, Miranda é enfático ao assegurar que o plantio e processamento continuarão, mas o futuro exigirá ainda mais qualidade das folhas.

CONTRABANDOOutro tema que sempre é ‘pedra no sapato’ das empresas do setor de tabaco é o contrabando de cigarros. Assunto que impacta diretamente na economia, o mercado ilegal é o tema que interessa não apenas às tabacaleiras, mas também ao Governo Federal, Anvisa e ONGs antitabagistas. Inclusive, o assunto deve ser umas das principais pautas da oitava Conferência das Partes para o Controle do Tabaco, que ocorre em outubro, na Suíça. O líder da empresa confirmou que já está acompanhando os temas que estarão em debate neste que é considerado o principal evento de discussão de políticas de combate ao consumo de tabaco no mundo.Com uma carga tributária brasileira que chega a 80% sobre os cigarros, Miranda exemplificou que o mercado legal precisa enfrentar um produto paraguaio que tem 16% de impostos e é considerado de baixíssima qualidade. Destacou, ainda, que o governo perde em torno de R$ 10 bilhões ao ano em arrecadação. “Conseguimos parar de piorar”, avaliou.

Fala, presidente!

“A Souza Cruz é a alma da BAT (British American Tobacco).”

“A China é uma oportunidade e não uma ameaça.”

“É por estarmos vivendo um novo momento no setor que nosso slogan é Transformando Tabaco.”

“Decidimos perder um pouco a timidez. Para celebrar os 100 anos do sistema integrado iremos participar de feiras pelo Brasil, como a Expoagro.”

“100 anos de sistema integrado é um bom momento para ampliar a nossa voz.”

“Estamos transformado a indústria do tabaco e queremos ser os protagonistas.””Não sabemos fazer negócio sem o sistema integrado.”

Qualidade e sustentabilidade

Diretor de Tabaco da Souza Cruz, Dimar Frozza acompanhou a coletiva de imprensa ao lado do presidente Liel Miranda e garantiu que a perspectiva para os próximos anos é de crescimento no setor. Ele destacou a importância da qualidade na produção de tabaco e o apoio técnico da empresa aos seus fumicultores integrados: “Quem produz com qualidade terá longevidade no setor. Zelamos por qualidade e sustentabilidade.”Sobre a possibilidade de o futuro exigir redução da área plantada com a expansão do mercado de cigarros eletrônicos, Frozza compartilhou da posição de que é muito cedo para falar disso. “Estamos falando de um produto que está em sua primeira geração”, disse.Outro tema que foi abordado é o custo da produção. Única empresa que fechou acordo durante a negociação do preço do tabaco da atual safra, a Souza Cruz reiterou seu compromisso com o custo real da produção e com o incetivo à diversificação. Também citou programas da empresa que garantem a compra de toda a produção dos seus produtores integrados e a parceira para a compra de insumos agrícolas.