Foto Bitsch: tradição da fotografia passada por gerações

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Para muitos, a fotografia é a arte de contar histórias sem uma única palavra. A família Bitsch, de Mato Leitão, se tornou referência no meio e comprovou que o ato de fotografar também é um ato de amor e, além de tudo, uma tradição familiar. Essa história começa no final da década de 70, por volta de 1976, quando Inácio Bitsch, atualmente com 66 anos, arrisca seus primeiros cliques para aprender sobre o assunto.

A primeira reviravolta ocorre quando seu irmão pede sua ajuda em Bom Retiro do Sul para ‘tocar’ um negócio de fotos. A data específica, nem o próprio Inácio recorda. “Barbaridade, nem lembro o ano que comecei, foi na década de 70 e 80. Meu irmão me incentivou, mas as fotos sempre ficaram para o fim de semana”, destaca.

A parceria em Bom Retiro durou pouco, mas voltou marcada pelo nascimento de Joseline Bitsch, hoje com 38 anos. O retorno a Mato Leitão veio quando ela tinha apenas três anos, e é quando se inicia oficialmente a tradição da família com a fotografia. Por diversos anos, Bitsch foi referência em eventos familiares, porém, na época, tudo era apenas analógico. “Ele trabalhava durante a semana e no fim de semana focava nas fotos, não tinha estúdio. Posteriormente, tínhamos um estúdio pequeno, fotos 3×4 e eu ia crescendo ao redor disso”, lembra Joseline.

Inicialmente, Joseline não queria ser fotógrafa. “Fiz magistério e fui trabalhar no comércio, foi quando ele falou que iria fechar o estúdio, e eu não deixei. Comecei a ajudar ele nos intervalos do comércio, larguei em 2010 e me dediquei completamente à fotografia. Atualmente, ele que me ajuda algumas vezes.”

Inácio foi quem começou a tradição. (Foto: Leonardo Pereira)

O pai observa que a decisão da filha para se aproximar das fotos veio ao lado da digitalização do meio. “Ela não queria saber de foto na época da analógica. Quando passou para a digital não servia mais para mim porque não estava preparado. Ela se interessou daí, e eu fiquei com a parte antiga”, conta. Joseline concorda e reitera: “Quando começou a digitalizar, comecei a arrumar elas no computador após ele fotografar. Entraram as câmeras digitais, comecei a aprender e agora já estou passando para a minha filha Manoela, de 17 anos. Trabalhamos nos duas aqui.”

Atualmente o estúdio trabalha em festas infantis, acompanhamento mensal, 15 anos, eucaristia, comunhão e afins, principalmente, produções voltadas para eventos familiares.

Atualmente, Joseline comanda o estúdio. (Foto: Leonardo Pereira)

“A foto é uma arte, se trabalha e se diverte ao mesmo tempo. É bastante gratificante.”
INÁCIO BITSCH
Fotógrafo aposentado

Registros da história dos moradores de Mato Leitão

Joseline, que é colunista do caderno Folha de Mato Leitão, no qual divulga fotos de aniversário, comunhão e casamento, conta que é apaixonante ver as pessoas crescendo. “Às vezes a gente se surpreende quando alguém chama para fotos de primeira eucaristia. ‘Mas já?’, sobe aquela sensação de surpresa. É interessante ver como o tempo passa rápido.”

Segundo Joseline, o estúdio está no arquivo 1417, apenas na era digital, sem contar os eventos anteriores revelados em filme, incluindo fatos marcantes da história de Mato Leitão. “O plebiscito [pela emancipação, em 1991] o pai registrou. Fotografava de graça e mandava para os jornais. Tudo estava registrado, a minha mãe sabe tudo de cor se perguntar para ela.”

Ela conta que faz diversos cursos, nenhum de graduação, mas sempre está se aperfeiçoando e buscando melhorar. “Não dá para ficar parado”. Durante a pandemia, a realidade mudou completamente. “A maioria começou a registrar eventos em casa, com poucas pessoas. Agora está voltando. Em 2019 aumentei o estúdio, o que foi bom porque o pessoal vinha aqui e criávamos uma pequena festa aqui para registrar.”

Envolvimento e experiências familiares

A fotógrafa conta que são diversos membros da família ligados à foto. “Minha mãe também ajudava meu pai. Meu padrinho, minha filha…É uma tradição”, resume. Ela ainda relembra que gostava de ver o pai revelando os filmes, apesar de nunca ter feito isso sozinha. “Ele me ensinou bastante. Até para além das fotos, como falar ‘que nem tudo é lucro’, que ‘quando começa é complicado, ainda mais em município pequeno’ e também a ‘não dar o passo maior que a perna’. Esse sonho de construir e aumentar o estúdio demorou anos. Meu marido também me ajudou bastante, assim como meu pai.”

Curiosidades

  • A filha de Joseline, Manoela Bitsch Becker, de 17 anos, nasceu no mesmo dia da emancipação do município, 20 de março, e a mãe Joseline, no dia 19. Ou seja, a ligação com a cidade vem desde o nascimento.
  • Joseline conta de uma história curiosa que viveu: “Foi um pedido de casamento durante um ensaio. A menina recebeu o ensaio dos amigos e ela pediu para fazer junto com o namorado e pediu ele em casamento durante as fotos.
  • A fotógrafa afirma que gosta de fotografar aniversários, sem idade específica. “Tenho uma amiga que diz ‘fotógrafo de crianças de 0 a 100 anos’ porque todos têm uma criança interior.”
A Foto Bitsch está localizada no centro de Mato Leitão. (Foto: Leonardo Pereira)

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