Pedidos para motoboys aumentaram nos últimos dias (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Muitas pessoas estão se adaptando à rotina de quarentena, por conta da pandemia do coronavírus. Neste momento de prevenção, no qual a orientação é de que as pessoas fiquem em casa para evitar a disseminação do Covid-19, serviços de tele-entrega têm sido opção oferecida por empresas de diferentes segmentos.

O Supermercado Lenz readequou o método de televenda, que funciona por meio de telefone ou e-mail. Segundo a funcionária responsável pelo processo, Katiéle Espindula, há 5 anos ela trabalha com essa forma de venda. “Temos esse recurso há tempo, porém era usado por hotéis, padarias, restaurantes e outros comércios, que costumam encomendar tudo online”, explica

Com a questão do coronavírus, a administração do mercado resolveu oferecer a opção para o público em geral. “Por enquanto, tivemos pouca procura, percebo que as pessoas gostam de fazer as próprias compras. Mas se a situação se agravar, acredito que vai ter muita procura”, afirma Katiéle.

Katiéle atua no Lenz (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

O pedido e a seleção das compras são feitos diretamente com ela. Por isso, ela procura tirar todas dúvidas sobre quantidade e marcas a serem selecionadas. “Eu escolho tudo conforme ele pede, as frutas e verduras pego as melhores, como se fosse uma compra para mim.”

No método de televenda, o consumidor paga as compras no momento da entrega, com dinheiro ou cartão. Quem realiza as entregas é o motorista Anderson Miguel Kuntz, que avalia o comportamento das pessoas, que preferem encomendar as compras, como preventivo. “Ainda não vi nenhum consumidor de máscara, mas quando chego nas casas eles comentam que estão com medo de ir até o mercado ou outros lugares”, conta. Ele também afirma que está sendo mais cuidadoso. “Depois de cada entrega, passo álcool gel, e quando volto para o mercado eu lavo bem as mãos.”

LOJAS

O segmento de roupas, vestuário e utilidades domésticas também tem buscado se adaptar à situação. A loja de artigos infantis Katucha foi uma das que adotou a venda à distância. A proprietária Ana Paula Vedoy Stein observa que apenas que as pessoas têm ido ao estabelecimento comercial apenas por necessidade.

Segundo ela, na tarde de quinta-feira, por exemplo, apenas uma pessoa entrou na loja, que já estava trabalhando com rodízio de funcionários. “Recebemos uma cliente que veio à procura de roupas porque ela estava totalmente despreparada com a chegada do bebê. O chá tinha sido cancelado e ela não tinha nem o básico”, conta.

Levar as roupas na casa dos clientes foi uma das alternativas encontradas pela loja Katucha (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

AUMENTO DE TRABALHO PARA OS MOTOBOYS

O motoboy Alexandre Luiz Ferreira atua na área há mais de 7 anos e percebe que a procura pelo serviço aumentou, significativamente, nos últimos dias. Xandi, como é

Motoboy Xandi usa álcool gel para se prevenir do coronavírus (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

conhecido, observa que, no ramo de alimentação já é comum as pessoas encomendarem o lanche em vez de ir até o local.

Porém, devido à orientação de evitar aglomeração de pessoas, outros estabelecimentos começaram a ter mais demanda de compras à distância. Segundo ele, os produtos de farmácias dominam as tele-entregas, depois vem a procura por viandas, lanches e demais comidas, e em seguida a de cartuchos. Ele afirma, ainda, que quem mais procura o serviço são os idosos. “O que mais estou entregando é álcool gel, nunca tinha visto tanta procura por isso.”

O motoboy pretende continuar trabalhando enquanto o comércio estiver ativo. “Enquanto eles disponibilizam serviços, eu terei demanda. Mas, se pararem, eu também paro.” Para o profissional, o momento de prevenção é importante, e ele mesmo garante estar ainda mais atento aos cuidados de higienização. “Dentro do meu baú estou carregando um tubo de álcool gel e, a cada tele-entrega feita, passo ele nas mãos. Também sempre que consigo passo em um posto de combustível e lavo as mãos com água e sabão”, conta.

SISTEMA DELIVERY E TRABALHO COM HORÁRIO REDUZIDO

O Planeta Hambúrguer é um dos estabelecimentos que alterou a forma de trabalho. Desde a quarta-feira,18, não está recebendo clientes para consumir no local. Os produtos estão sendo entregues em casa ou retirados no balcão.

As medidas foram adotadas pelo proprietário Vinícius Xavier por questão de segurança. “Já havíamos reduzido o número de mesas do salão, contudo, percebemos que esta medida não seria suficiente”, observa.

Sistema delivery foi adotado pela Planeta Hambúrguer para trazer mais segurança aos clientes e funcionários (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

A empresa também dispensou alguns freelancers que trabalhavam no fim de semana e mantém os dois funcionários fixos, que estão tomando todas as precauções necessárias para a garantia da saúde deles e dos clientes.

A hamburgueria aderiu ao sistema delivery e está com horário reduzido de funcionamento, das 11h às 13h e das 18h às 22h30min. “No decorrer dos próximos dias vamos avaliar a situação, se for preciso, vamos fechar ainda mais cedo”, avalia.

TECNOLOGIA É ALIADA PARA FAZER COMPRAS E TRABALHAR

Com gripe, Maria* está se medicando em casa e tomando medidas necessárias para evitar o contato com outras pessoas. Para evitar sair, ela usa aplicativos e utiliza tele-entregas. “Já pedi comida em restaurante, fiz as compras no mercado Lenz e comprei na farmácia, tudo pelo telefone.” Também está seguindo as indicações do médico: usar álcool gel, lavar as mãos e tomar um medicamento recomendado.

A profissional da área ambiental comenta que costuma visitar clientes em outras cidades e, na última semana, esteve em Porto Alegre e outros municípios do estado. “Eu peguei frio no início de semana, então acredito que seja uma gripe comum, mas estou cuidando por precaução”, afirma ela, que ainda não conseguiu realizar o teste para Covid-19 pois não integra o grupo de risco.

Ontem, ela decidiu ficar trabalhando em casa. “Eu espirrei diversas vezes no serviço e percebi que meus colegas ficavam olhando e não gostavam disso. Então para preservar eles eu decidi não ir mais por alguns dias”, expõe. Como a situação está preventiva em todo país, ela começou a atender clientes via videoconferência. “A maioria está pedindo que seja assim, porque está todo mundo apreensivo”, frisa. “Quem pode trabalhar de casa, deve fazer isso e se prevenir.”

Ela reforça que é importante todos se ajudarem. “Assim como vemos muitas pessoas solidárias pelas redes sociais, minha vizinha também veio ver se eu precisava de algo e já passeou com meu cachorro, porque ele precisa sair um pouco de casa. E é fundamental essa ajuda comunitária”, considera.

Também afirma que, mesmo sabendo que os cachorros não pegam o coronavírus, ela procura higienizar o seu depois que ele volta da rua. “Passo álcool em gel nas patinhas, porque ele pode não pegar, mas pode acabar passando e todo cuidado é importante.”

*Nome fictício para preservar a identidade da fonte.

**Colaboração: Juliana Bencke e Taiane Kussler.

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