Exigir nota fiscal dos produtos é uma forma de conhecer o quanto de imposto é pago e combater a sonegação. (Créditos da foto: Taiane Kussler)

A grande maioria dos consumidores mantém o hábito de pesquisar preços ou ‘pechinchar’ quando se depara com preço acima do que pretende pagar por um produto ou serviço. Mas, será que o consumidor sabe o quanto de impostos está inserido neste valor?

Mesmo que as pessoas estejam mais atentas no momento da compra, conferir o percentual gasto com impostos ainda não faz parte da rotina dos brasileiros. Alguns consumidores nem mesmo costumam solicitar a nota fiscal quando vão às compras.

Um levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que 74% dos consumidores brasileiros não têm o hábito de procurar saber o quanto pagam de imposto ao adquirir um bem ou contratar um serviço. Apenas 26% das pessoas ouvidas reconhecem ir atrás desse tipo de informação na nota fiscal ou em outros meios.

Segundo o contador Adriano Becker, da Lucamo Contabilidade, o percentual que incide no produto, na maioria das vezes, passa despercebido aos olhos do consumidor. “Desde 2013, com a criação da Lei Federal, tornou-se obrigatório que os estabelecimentos informem o percentual de tributos incidentes no produto através do cupom fiscal. Porém, as pessoas não costumam conferir o valor e não percebem o impacto que isso gera em um contexto maior”, observa.

Becker ressalta a importância dos consumidores solicitarem a nota fiscal. “Este comportamento pode evitar a sonegação de impostos e colaborar para que os recursos ingressem dentro do sistema, contribuindo, assim, com a mudança no cenário da economia”, salienta o contador.

O profissional salienta que a Reforma Tributária é uma das pautas em discussão no Congresso Nacional. “A tributação do país é um dos grandes entraves para o desenvolvimento econômico. Os regimes tributários foram criados e ampliados e, hoje, representam uma parcela grande no custo das empresas”. Contudo, ele afirma que muitos critérios ainda devem ser observados e o contexto é bastante amplo neste aspecto, porque implica na mudança na estrutura do sistema.

Adriano Becker salienta que o consumidor deve solicitar a nota fiscal. (Créditos da foto: Taiane Kussler)

“O sistema tributário brasileiro possui variados regimes e isso gera uma dificuldade de entendimento tanto aos consumidores quanto os empresários.”

ADRIANO BECKER

Contador

Para Becker, se o texto for aprovado, a Reforma Tributária vai refletir no bolso do consumidor. “A proposta que está em vigor visa a redução ou pelo menos, a estabilização dos preços. Isso vai aumentar o consumo e o giro da economia”, comenta.

EMPRESAS

Enquanto a questão ainda não é concluída, ele considera que é importante que o consumidor esteja atento aos impostos que paga, assim como os empresários, que devem estar informados sobre o sistema e as opções de regime tributário, antes de investir. Ao encontro disso, o contador ressalta a importância da ajuda de um profissional da área, para avaliar qual será o regime tributário indicado para cada empresa, de acordo o porte, base de faturamento e atividade desempenhada.

48%

dos micro e pequenos empresários desconhecem o quanto do seu faturamento vai para pagamento de impostos, conforme pesquisa da CNDL e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Além disso, 90% dos micro e pequenos empresários consideram injusto o sistema tributário do país.

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