Andréia já recebeu alta do tratamento para o tumor no cérebro e segue usando a medicação relativa ao câncer de mama (Foro: Taís Fortes/Folha do Mate)

Ainda em tratamento por causa do câncer de mama, Andréia Inês Griesang Sell, 48 anos, já se sente uma vitoriosa por tudo que superou ao longo dos últimos seis anos. Esse é o intervalo temporal que separa a Andréia de hoje da que, em 2014, descobriu um tumor benigno no cérebro e três anos depois recebeu o diagnóstico de câncer de mama.

Cabeleireira e proprietária de um salão de beleza no Centro de Mato Leitão, a moradora do município viu a vida mudar quando começou a perceber sinais de que havia algo errado com a sua saúde, como passar mal ao andar de carro e ‘puxar’ a perna direita enquanto caminhava. Depois de procurar ajuda médica e investigar os sintomas, em abril de 2014, ela descobriu um tumor no cérebro, que os médicos acreditam que ela tinha desde a infância, pois apresentava crescimento lento.

Como o tumor era benigno, Andréia não precisou de sessões de quimioterapia e radioterapia, mas teve que passar por uma cirurgia, em julho de 2014, para retirar o tumor. O procedimento, que durou sete horas, foi realizado no Hospital de Caridade e Beneficência (HCB), em Cachoeira do Sul. Logo após o diagnóstico, a moradora da Cidade das Orquídeas se afastou das tarefas no salão. “Foi um choque para mim. Foi muito complicado.”

A recuperação envolveu muita paciência e cuidados. Andréia precisou ficar nove dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Quando acordou, não conseguia falar, nem se mexer. “Meu braço e a perna direita estavam totalmente paralisados”, recorda. E é do período em que estava internada no hospital que guarda a lembrança de um dos dias mais difíceis do tratamento.

“O pior momento foi quando a minha filha de 5 anos entrou no quarto. Eu estava muitos dias sem ver ela, imaginei que ela iria querer me abraçar, que estava com saudade. Mas quando ela me viu, levou um choque e deu um passo para trás. Eu não conseguia nem falar com ela”, recorda. Andréia acredita que o estranhamento maior de Sofia Inês Sell, hoje com 11 anos, tenha sido porque ela estava com o cabelo raspado, usava sondas e tubos.

Além de afastar Andréia do trabalho, o tumor no cérebro a causou a perda do labirinto e da audição do lado esquerdo e a paralisação facial neste mesmo lado. No braço e na perna direita, ela também sente dormência. Por um período, ela também não pôde dirigir, algo que hoje já conseguiu recuperar. Apesar de não fazer viagens longas, como costumava, já se sente feliz por ter reconquistado essa independência.

Atualmente, Andréia ainda precisa de ajuda para utilizar escadas e para caminhar, dependendo do local, mas já consegue ter uma rotina mais próxima da que tinha antes. “Temos que ter fé em Deus e acreditar que as coisas vão dar certo. Precisamos lutar e não desistir. Na vida, tudo passa. Tudo é mais lento para mim agora, mas eu tenho uma rotina quase normal. Mesmo que algumas coisas não consigo, tenho que agradecer tudo que eu consegui recuperar”, destaca.

Andréia com as filhas Nadini e Sofia e o marido João Nadir Sell, 52 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Mamografia

A descoberta do câncer de mama aconteceu em março de 2017, após a realização de uma mamografia de rotina, e não tinha nenhuma relação com o tumor anterior. “Eu não tinha feito mamografia dois anos antes, porque estava em função do tratamento do tumor no cérebro”, lembra. O resultado da biópsia apontou um carcinoma mamário invasivo. Por causa do estágio avançado da doença, Andréia precisou fazer oito sessões de quimioterapia antes da realização da cirurgia.

A primeira sessão foi realizada em julho. Em janeiro de 2018, a cirurgia para a remoção do tumor e da mama do lado direito foi feita. Após o procedimento realizado no Hospital Ana Nery, em Santa Cruz do Sul, Andréia ainda realizou 25 sessões de radioterapia. Durante esse tratamento, ela precisou ficar internada no hospital apenas para a realização da cirurgia. Hoje, o tratamento continua sendo feito a partir da ingestão de comprimidos. Além disso, ela faz consultas de seis em seis meses. “Te confesso que fiquei mais assustada com o câncer de mama do que com o tumor na cabeça. Porque o tumor na cabeça logo falaram que era benigno e o câncer eu sabia que era maligno e eu precisaria fazer quimioterapia e radioterapia”, compartilha.

Um dos momentos mais difíceis para Andréia durante o tratamento do câncer de mama foi perder, novamente, o cabelo, uma vez que quando fez a cirurgia no cérebro foi necessário raspá-lo. “Perder o cabelo de novo foi complicado. Ainda mais para mim, que trabalhei tantos anos cuidando do cabelo dos outros e aí ver ele cair assim.” Ela ainda recorda que, quando o cabelo começou a cair, a filha mais velha, Nadini Inês Sell, 25 anos, o raspou.
Durante esse período, Andréia se sentia melhor usando peruca. Mas logo que o cabelo começou a crescer, as deixou de lado. “Quem já perdeu o cabelo sabe da importância que é uma peruca”, observa. Justamente por saber dessa relevância, ela admira pessoas que doam o cabelo para ajudar mulheres que elas nem conhecem.

A moradora do Centro também observa que fazia o autoexame regularmente e que não se preocupou em ter câncer de mama, porque não havia histórico da doença na família. “Minha mãe teve câncer no intestino e faleceu em decorrência da metástase no cérebro”, comenta.

Às mulheres que estão enfrentando uma situação parecida, Andréia deixa a mensagem para que elas acreditem que vão ficar bem e que o câncer de mama tem cura. Ela também reforça que realização de mamografia regularmente é uma importante forma de prevenção. “Tem que ter fé e acreditar que vai dar certo”, ressalta.

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