Acessibilidade dos deficientes é pauta habitual no Compede

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O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Compede) foi reativado no mês passado. Com as atividades suspensas desde 2019, o grupo voltou a se reunir com a presidência de Alexandro Hertz, que é deficiente visual, e o vice-presidente Marcio José Freitas, cadeirante. A gestão será de dois anos e um dos objetivos é melhorar a estrutura do município para as pessoas com deficiências.

Hertz destaca a importância do conselho estar ativo, para que os deficientes tenham um ‘porta-voz’ na comunidade. O Compede busca por melhorias na acessibilidade e socialização dessas pessoas, por isso portadores de qualquer deficiência podem procurar por Hertz ou Freitas quando demandar de alguma melhoria. “Temos muitas coisas para fazer. Sabemos que leva tempo e não depende apenas de nós. Mas tudo que for nos passado será solicitado para o Município”, esclarece o presidente.

Uma das primeiras ações é garantir, na próxima reunião, uma intérprete para os surdos. “Somos um conselho para os deficientes, temos que dar acessibilidade para todos e nunca tinha uma intérprete para falar com os surdos. No próximo mês isso já vai estar resolvido. É uma demanda de curto prazo”, acrescenta o dirigente.

As melhorias que precisam ser feitas no município, principalmente na área central, onde todos circulam, são diversas. Hertz cita as mais frequentes, que ele, como deficiente visual, percebe. Em mercados, nas calçadas e outros comércios, é complicado circular, mesmo com a bengala. “Todos locais precisavam ter piso tátil, para ajudar os deficientes visuais.

Para mim, o mais complicado é quando passo em frente aos postos de gasolina, são grandes e sem esse piso, então me perco e, às vezes, paro dentro do posto”, relata. São essas melhorias que estão na lista do conselho, assim como rampas e outras acessibilidades para demais deficiências.

Alexandro mostra um piso tátil, que deveria guiar os deficientes visuais, que tem um parquímetro em cima (Foto: Eduarda Wenzel)

Fraternidade

Outro grupo que auxilia as pessoas com deficiências é a Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência, presidida em Venâncio Aires por Giovane Silveira Rodrigues. O objetivo da fraternidade nacional é desenvolver autonomia nos deficientes, auxiliando em capacitações com palestras.

Conforme Rodrigues, é uma forma de socializar. “Temos a intenção também de resgatar as pessoas. Muitas ficam abatidas por terem deficiência, mas mostramos que ela pode ter uma vida comum e adquirir habilidades.” Além disso, é trabalhada a inclusão da família.

Todos pessoas com deficiências físicas ou intelectuais podem fazer parte do grupo. “Normalmente vamos atrás das pessoas, através de indicação da família ou amigos. Em grupos realizamos palestras e conversas, tudo para impulsionar a pessoa”, ressalta. Hoje são cerca de 25 deficientes na fraternidade, mas muitos outros já passaram pelo grupo.

O presidente, que é deficiente físico e usa andador ou cadeira de rodas, reforça a dificuldade de se locomover com esses aparelhos pela região central. Mas considera que já teve uma melhora e isso deve continuar. “Eu prefiro sair com o andador, porque as rampas para cadeirantes são ruins, destruídas ou inexistentes em alguns locais.”

“Hoje, a lei só exige piso tátil em reformas. Nós queremos uma alteração para que no comércio tenha essa acessibilidade para os deficientes visuais. Sei que as pessoas que não passam por isso não percebem a necessidade, mas para nós faz toda diferença.”

ALEXANDRO HERTZ
Presidente do Compede

  • Qualquer pessoa, independente se for ou não deficiente, pode contatar o conselho para solicitar melhorias para os deficientes.

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