Os três cães de Aneli são adotados: Chica, Pluts e Tobi (Foto: Rosana Wessling/Folha do Mate)

A Associação Amigo Bicho completa, neste mês de setembro, dez anos de luta pela causa animal em Venâncio Aires. Criada em 2010 por um grupo de voluntárias, a entidade consolidou-se no município e comemora a conquista de duas das suas principais bandeiras: a castração pública de animais e a construção de um Centro de Proteção e Bem-estar Animal (CPBEA).

Na presidência desde 2014, Nais de Andrade, 57 anos, fala com orgulho da história construída pela Organização Não Governamental (ONG) que, atualmente, tem 22 animais em seis lares temporários. A luta da associação pelo início da castração pública foi em 2014, ainda no governo de Airton Artus.

Nais de Andrade é a atual presidente da Amigo Bicho. A casa dela é o lar temporário com o maior número de animais para adoção (Foto: Ana Carolina Becker/Folha do Mate)

Na época, recorda Nais, uma advogada auxiliou na criação de um projeto que foi apresentado à Administração. “Lembro que pensamos, na época, como ter programas de controle populacional de cães e gatos (castração)”, observa.

“A demanda de castração é grande, mas o dinheiro é pouco.”

NAIS DE ANDRADE – Presidente da Amigo Bicho

Desde então, as dez voluntárias da Amigo Bicho mantém erguida a bandeira da castração animal junto à Prefeitura. Desde 2018, o Município passou a realizar a castração de fêmeas de cães e gatos de rua e de pessoas em vulnerabilidade social.

No fim de agosto, um novo edital de castração foi aberto para credenciamento de clínicas veterinárias para esterilização de 84 animais de diferentes tamanhos. Serão cinco parcelas de R$ 5 mil para custear o serviço.

Perfil dos adotados

Assim como a castração dos animais, a adoção de cães e gatos está entre as principais bandeiras da ONG Amigo Bicho. A presidente da associação afirma que a maioria das pessoas busca adotar animais de pequeno porte e que não estejam sofrendo com nenhuma doença de pele, locomoção ou visão.

Nais explica que, sempre que a pessoa busca adotar uma fêmea, a Amigo Bicho preza por fazer a castração, principalmente, se no novo lar houver um macho. A maior dificuldade de adoção são os cães mais velhos, além dos de médio e grande porte.

Com a aposentada Aneli Behm, 49 anos, o sistema de adoção foi diferente. Ela, que sempre gostou de animais, identificou em 2016 que dois cães estavam vivendo em uma casa abandonada nas proximidades do campo do Guarani. “Pedi ajuda para a Amigo Bicho e eles me perguntaram se eu não poderia ajudar a cuidar”, recorda. Na época, ela ia diariamente, mesmo em dias de chuva, levar comida aos animais. Um deles, o maior, ganhou o apelido de ‘grandão’ e outro de ‘Tobi’.

A moradora do bairro Santa Tecla conta que começou a ver que o cachorro maior desaparecia às vezes. Ela lembra que tentou adotá-lo, mas ele acabou fugindo da sua casa. Foi quando no dia 2 de setembro de 2017, o marido Alvares Pittol, 59 anos, sugeriu que a esposa adotasse o Tobi. Hoje, o cão é integrante da família juntamente com Pluts e Chica que também foram adotados. “Incentivo as pessoas a adotar e cuidar do seus animais com responsabilidade porque eles precisam de amor e carinho”, ressalta. Além disso, ela acrescenta que quando alguém ver um animalzinho precisando de socorro, que faça alguma coisa.

“Não importa o tamanho do cachorro, importa o tamanho do amor que se tem para dar.”

ANELI BEHM – Tutora

Fundadoras

  • •Alessandra Ludwing
  • •Loiva Becker
  • •Cândice Becker
  • •Caroline Bijagran Nunes
  • •Elisabete da Rosa Pereira

O maior lar temporário

Nesta semana, quando a reportagem conversou com a presidente da Amigo Bicho, havia 11 animais em sua residência aguardando pela adoção. De momento, é o maior lar temporário ligado à Amigo Bicho.

A professora aposentada lembra que o seu envolvimento com a causa animal começou antes de ingressar na associação, quando auxiliava alguns animais que estavam pela rua. Inclusive, antes de fazer parte da Amigo Bicho, tornou a sua casa um lar temporário. Na época, ficou responsável pelo cachorro ‘Véio’, que ficou com ela até 2017, ano em que acabou falecendo. “Eles levaram o cachorro para eu ficar, deixaram um saco de ração e depois acabei ficando com ele”, recorda. Logo após o fato, acabou tornando-se integrante da associação.

Calendário 2021

  1. Assim como em anos anteriores, a Amigo Bicho confecciona, com auxílio de apoiadores e patrocinadores, mais uma edição do tradicional calendário.
  2. De acordo com a presidente, Nais de Andrade, as imagens dos pets já foram feitas pela fotógrafa Leíne Bertotti e, agora, o material está sendo montado por Marcel Coutinho, da TraçoD.
  3. Serão mil calendários viabilizados com apoio de 48 patrocinadores. Até o momento, já são 32 empresas parceiras.
  4. Nais lembra que os interessados em apoiar o projeto devem procurar pelas voluntárias da ONG ou fazer contato pela página da Amigo Bicho no Facebook ou Instagram.

Arrecadação de recursos

Atualmente, a associação tem três canais para a arrecadação de recursos: vendas do calendário, doações e troco solidário. Grande parte dos tratamentos dos animais que estão em lares temporários é feita com esses recursos, assim como as castrações. Além disso, a associação realiza a arrecadação de tampinhas para serem vendidas na campanha ‘Tampinha Legal’.

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