Família tem em comum os aniversários. Com exceção de Neca, o pai e os três filhos aniversariam em julho. (Foto: Jaqueline Caríssimi/Folha do Mate)
Família tem em comum os aniversários. Com exceção de Neca, o pai e os três filhos aniversariam em julho. (Foto: Jaqueline Caríssimi/Folha do Mate)

A rua Fernando Abott, na esquina da Cônego Albino Juchem, no bairro Cruzeiro, é o lugar onde começa a história e a construção da família de Nelci dos Santos, 45, e de João Osório de Quadra, 48. O lugar é o número um. Nelci explica: “Aqui foi nossa primeira casa, o primeiro carro, a conquista da moto e o nascimento do primeiro filho.”

O terreno de esquina comprado pelo pai de Osório foi adquirido em 1984 com a troca por duas juntas de boi. “Na época, a junta de boi valia muito. Quando começamos a namorar ele deu o terreno para o Osório”, conta Nelci ao recordar que o casal se conheceu na época da safra de tabaco na antiga Universal Leaf. A casa, segundo Osório começou a ser reformada no ano de 2000. “Faz quase 20 anos que estamos construindo (risos). A cada ano foi sendo feito um pouco e estamos fazendo até hoje a casa, pelo menos não pagamos aluguel.”

Os filhos do casal, João Vitor dos Santos de Quadra, 16, Manoela Paulina dos Santos de Quadra, 14, e Antônia Potira dos Santos de Quadra, 12, são estudantes da Escola Estadual Cônego Albino Juchem e ajudam, quando possível na profissão do pai, que tem a empresa de entrega de produtos na própria casa.

Neca, como Nelci é mais conhecida, trabalha no comércio há 17 anos.

Antes de iniciar as atividades da Papa Léguas, Osório já era motoboy nas horas de folga do trabalho de vigilante. No ano de 2009 resolveu abrir o negócio próprio. “De alguns anos para cá o movimento de encomendas aumentou muito por causa da internet”, avalia.

Vizinhança

“Aqui é o nosso porto seguro, ótimo de morar aqui, temos boa convivência. Lugar onde mora e trabalho é a gente que faz”, diz Neca. O marido Osório destaca as vantagens de ter vizinhos especiais. “De vez em quando, a vizinha chega chamando: – Trouxe pão pra vocês”, não tem preço que pague este carinho, comenta o motoboy. A esposa Neca acrescenta que são os vizinhos o primeiro socorro quando acontece alguma coisa. “Precisa se dar bem”, diz Neca, que destaca que tem tudo próximo do lugar como posto de gasolina, lojas, mercado, comércio, academia, farmácia, a UPA e o PAM ficam no bairro.

“Melhor coisa foi a creche Osmar Puthin. O João, meu primeiro filho, eu levava na creche da Santa Tecla, dependia de duas conduções, de ônibus e de bicicleta. Quando abriu creche aqui no bairro foi uma bênção. A Manoela foi creche da Macedo e depois aqui, mas a Antônia desde bebê frequentou a creche do bairro, o que para mim foi excelente, nem me fale!”

Entre as recordações do casal em morar no bairro Cruzeiro foi uma tentativa de assalto. “Tentaram me assaltar em uma noite de Natal, faz anos, gente do bairro que nem existe mais. O ladrão tentou arrombar a porta da frente da casa e eu corri atrás do ladrão. Só voltei, porque lembrei que o João Vitor estava dormindo sozinho (risos)”, recorda Neca.

O raio que destruiu parte da residência dos vizinhos Janaína e Daniel há cerca de três anos, também integram o rol de recordações. “Foi um dia de muito medo e triste. Lembro do estouro e as telhas voando para casa da vizinha”, comenta Neca, dizendo que o trauma ficou, tanto que as filhas não gostam de ficar sozinhas quando tem temporal e raio.

Das lembranças, Neca fala dos circos que se instalavam no bairro, perto da casa da família, e que trazem boas recordações. Entre os sonhos do casal está o de continuar no bairro, terminar a casa (que continua sendo construída a quase vinte anos) e possibilitar a faculdade dos filhos.

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