Entre pais e filhos: um incentivo à nova geração de ciclistas

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Quem disse que precisa saber se equilibrar sobre as próprias pernas para viver experiências sobre uma ‘magrela’? Ainda que a pedalada não aconteça sozinha, nem com a própria bicicleta, a aventura já acontece e ela é vista do alto de uma cadeirinha presa ao guidão.

Cada vez mais, fãs de bikes em Venâncio Aires têm feito do lazer e da prática esportiva – que já eram seus momentos – uma oportunidade também para estarem com os filhos, ainda que estes sejam apenas bebês.

É o caso do Roberto, do Lucas e da Lavínia, pequenos entre 1 e 2 anos de idade e que já têm participado dos passeios com os pais. “Levo ele desde os oito meses. Primeiro no canguru, depois na cadeirinha. Ciclismo é um esporte que nos beneficia e proporciona ao Roberto conhecer e identificar paisagens, animais e pessoas neste novo mundo para ele”, destacou o comerciante Joel Flores, 35 anos.

Roberto está com 1 ano e 5 meses e já participou de passeios de mais de 30 quilômetros pelo interior do município. “Quando a gente fala que vai andar de bike, fica sapateando e com um sorriso de orelha a orelha. É ótimo, porque também fortalece o relacionamento entre pai e filho. Sem contar nas lembranças do momento de aventura. É muito prazeroso”, definiu Flores.

Diversão

O instrutor de trânsito Josemar Luís Ribeiro, que pratica o ciclismo desde 2017, conta que a ideia era passear e se divertir com a filha Lavínia, de 1 ano e 3 meses. “Dá pra ver a felicidade nos olhos dela e, no caminho, vai conversando e apreciando o passeio, apontando para tudo o que vê, como animais, pessoas e veículos.”

Para ele, é importante incentivar as crianças desde pequenas. “Vai se formando uma nova geração, porque bicicleta é importante para o lazer e a descontração, como para a prática de exercícios. Acaba unindo o útil ao agradável, pois além de prazeroso, traz benefícios à saúde.”

Joel e o pequeno Roberto numa das ‘trilhas’ pelo interior de Venâncio (Foto: Arquivo pessoal)

Mobilidade

O mecânico Anderson Campos, 30 anos, leva na bicicleta o Lucas, que está com dois aninhos, desde os cinco meses, quando a bike virou o principal meio de transporte para facilitar a mobilidade pela cidade.

“Moro a três quilômetros do Centro e, com a bicicleta, não temos a dificuldade que temos com um carro. Estacionar de bike é muito mais fácil, muitas vezes ficamos na porta do estabelecimento mesmo. De carro, às vezes temos que rodar bastante e, muitas vezes, parar longe.”

Lucas, de 2 anos, num passeio em Linha 17 de Junho (Foto: Arquivo pessoal)

Campos revela que Lucas quer sempre participar. “Quando saio para pedalar sem ele, tenho que sair escondido. Se ele vê que estou saindo, é briga na certa para ir junto. E quando vai é só festa. Nunca reclamou, nem chorou, e às vezes ainda tira uma soneca.”

Um fator importante que os pais consideram é a segurança. Por isso, os pequenos já andam com os próprios capacetes. “Acho que é indispensável o uso. Ainda mais para crianças, pois elas não sabem se defender e é um equipamento muito barato se levar em consideração o risco de uma queda.”

Anderson Campos também falou da infraestrutura da cidade. Para ele, Venâncio oferece locais, como o próprio Parque do Chimarrão, que tem uma ampla área. O problema, segundo ele, é a locomoção do dia a dia.

“Procuro sempre pedalar em ruas mais calmas, sem muito fluxo de veículos. Mas, às vezes, não consigo evitar as principais, onde os motoristas abrem as portas sem olhar, viram sem ligar o pisca. É quase impossível atravessar o Centro sem algum contratempo. Problema é que tem uma criança junto, então a atenção deve ser redobrada no movimento”, comentou.

“Aqui tem tanto lugar, paisagens lindíssimas. Você já viu algum ciclista pedalando com raiva? Se ganha em saúde, faz amizade, conhece lugares lindos que, às vezes, de carro, passava do lado e nunca prestou atenção. E fazer isso com o filho não tem preço.”

JOEL FLORES – Comerciante e ciclista

“Acho que a bicicleta é importante para vários ciclos de desafio da criança. Ali ela precisa afinar o senso de direção, equilíbrio e coordenação motora. Não cheguei nessa fase ainda, mas depois que se remove as rodinhas, é uma fase interessante. Acho que uma das maiores alegrias é conseguir e mostrar aos pais que já sabe andar de bicicleta.”

ANDERSON CAMPOS – Mecânico e ciclista

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