Finados: a tradição de homenagear os falecidos e os costumes pelo mundo

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A cultura de arrumar túmulos e enfeitá-los com flores, em homenagem a familiares e amigos falecidos, vem do século XV, mas só em meados de 1700, a data de 2 de novembro foi consagrada como Dia de Finados, segundo esclarece a pastora Clarise Ilaine Wagner Holzschuh, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Venâncio Aires.

Ela cita que esta é uma data importante, pois relembra quem já faleceu e faz com que continuem sendo parte da vida de quem está vivo, algo que a cultura evangélica incentiva. “Alguns cemitérios mais antigos são ao lado da igreja, porque assim é uma forma religiosa de deixar esse falecido fazendo parte da comunidade. E manter o espaço que ele está limpo e florido também é um forma de repeito e de fazer ele ser lembrado”, explica.

“O Dia de Finados uma data em que a família se reúne para lembrar de quem partiu. Se não conseguir ir até o cemitério, pode se reunir em casa para lembrar de bons momentos com a pessoa e fazer uma oração para ela e para a família, pedindo força para superar a saudade e benção para quem partiu.”

CLARISE ILAINE WAGNER HOLZSCHUH – Pastora

Os cemitérios, segundo a pastora, são locais sagrados feitos para aliviar um pouco a saudade. Mesmo em épocas que não havia locais tão definidos e organizados para o enterro de pessoas, o povo já celebrava a memória dos falecidos e relembrava eles. “É uma cultura de séculos. Cada geração cultivou a cultura com as ferramentas que tinha.”

O Dia de Finados em outros países

Um dos ritos mais conhecidos mundialmente é do México. No país, os dias 1º e 2 de novembro são marcados por uma grande celebração, na qual os familiares dos falecidos fazem reuniões com músicas, comidas e bebidas. Além disso, eles também pintam os rotos com desenhos de caveiras, numa alusão aos mortos.

Na Espanha, a população usa roupas de cores vibrantes e, à noite, durante as homenagens, costuma oferecer um doce como sobremesa, chamado “huesos de santos” -ossos dos santos-, à base de marzipã e ovos, com recheios variados, sendo o mais comum de creme.

Na Bolívia, o “día de los ñatitas” costuma ter desfiles folclóricos com restos mortais de pessoas, incrementados com muitas flores e até mesmo “oferendas” (ofertas de insumos materiais aos mortos). O povo acredita que os falecidos podem trazer todo tipo de sorte à família, por isso costumam manter os restos mortais dos entes falecidos dentro das casas.

Na Guatemala, a celebração em homenagem aos mortos também possui contornos festivos, de cunho alegre, com expressões de doce lembrança aos falecidos, refletidas especialmente no coloridos de pipas que adornam os céus no dia 2 de novembro.

As pessoas se reúnem nos cemitérios para conversar e os túmulos são decorados com enfeites e flores, tal como muitos fazem com as árvores no natal, e à noite, tocam canções e acendem velas.

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