Mais de 250 obras foram autorizadas no primeiro semestre em Venâncio

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Terraplenagem, pedras de alicerce, tijolos empilhados, montes de areia, cimento e trabalhadores literalmente com a ‘mão na massa’. Em muitos bairros de Venâncio Aires, esse cenário tem sido comum nos últimos meses e se percebe uma maior movimentação da construção civil.

Longe de ser apenas uma impressão, esse momento reflete uma realidade que pode ser medida, por exemplo, em alvarás emitidos pelo Prefeitura. De acordo com dados do setor de Fiscalização de Obras, atrelado à Secretaria de Planejamento e Urbanismo, houve um aumento de quase 10% na emissão de licenças para construir entre o primeiro semestre de 2020 e o mesmo período de 2021 – passou de 234 para 257 autorizações.

Consequentemente, houve um aumento na emissão dos autos de conclusão da obra, o chamado Habite-se. Enquanto nos primeiros seis meses do ano passado foram 187, em 2021 foram 225 – aumento de 20%.

Entre os ‘responsáveis’ por esse aumento de obras no município está o barbeiro Cássios da Silva Soares, 46 anos. Natural de Pantano Grande, ele está há seis anos em Venâncio Aires e sempre morou de aluguel. Como decidiu ‘criar raízes’, a construção da casa própria foi o primeiro passo. “A cidade está crescendo, tem empresas e um povo trabalhador e amigo. Adotei Venâncio para mim e a prova é que vou ficar.”

Soares começou a construir a casa própria em março, no bairro São Francisco Xavier, e agora vive a expectativa dos acabamentos, como reboco, pisos e pinturas. Serão quase 200 metros quadrados para dar mais conforto à esposa Daniela e os filhos que ainda moram com eles, Cássios Júnior e Isadora. Futuramente, a ideia dele também é levar o trabalho para casa. Como a barbearia é alugada, Soares revelou que vai construir um espaço ao lado da residência para atender os clientes.

O barbeiro Cássios Soares mora em Venâncio há seis e anos e decidiu construir a casa própria em 2021 (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

Licenças para construir

  • 1º semestre 2021: 257
  • 1º semestre 2020: 234
  • 1º semestre 2019: 264
  • 1º semestre 2018: 215
  • 1º semestre 2017: 249

Habite-se

  • 1º semestre 2021: 225
  • 1º semestre 2020: 187
  • 1º semestre 2019: 226
  • 1º semestre 2018: 151
  • 1º semestre 2017: 220

Procura

Em muitas construtoras, a procura por novas obras também aumentou. Segundo o sócio da Aliança Imóveis, Juliano Ferreira, essa busca teve um crescimento de 30%, principalmente para a casa própria. “No nosso ramo de atuação, a demanda é principalmente por casa própria. Em torno de 50% faz financiamento habitacional na Caixa Federal e o restante por meio de recurso próprio.”

O pedreiro Ismael da Silva revela que já começou em outra obra (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

Conforme Ferreira, entre 2020 e 2021 houve grande aumento nos custos das obras, mas, ainda assim, se observou um crescimento na procura por construções. Por isso, ele projeta um 2022 positivo no ramo da construção.

“Para o próximo ano, acreditamos que haverá estabilização nos custos, o que provavelmente motivará o cliente a continuar buscando a construção. Somado a isso, imagina-se que a construção seguirá sendo estimulada por parte do poder público, com oferta de crédito a juros baixos, como forma de acelerar a retomada da economia.”

10 – foi o número de casas já construídas neste ano pelo pedreiro Dionata Campos, 28 anos. A média é superior a uma por mês e o profissional afirma: “Tem bastante serviço e outras obras já encomendadas.”

“Esse ano a procura está maior, tem muito trabalho por fazer. Ano passado a pandemia assustou todo mundo, mas graças a Deus as coisas estão melhorando e já estamos começando outra obra.”

ISMAEL DA SILVA – Pedreiro, 29 anos

Prego foi um dos itens que mais encareceu durante a pandemia (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

Custos

Segundo Márcia Claus, vendedora da Construvale, depois de sofrer uma disparada em setembro de 2020, os preços dos materiais de construção começaram a diminuir há cerca de um mês. “Ferro, tubos e fios, por exemplo, tiveram um aumento gigantesco ano passado. Mas a agora parece que vai normalizar. As coisas estão baixando.” Para se ter uma ideia do aumento durante a pandemia, o quilo do prego que antes custava cerca de R$ 8 chegou a R$ 22.

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