Materiais biológicos devem ter descarte correto para evitar contaminações

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Se você costuma jogar seringas no lixo comum de casa precisa repensar essa ação. Já pensou em todo ciclo que o lixo tem depois que ele é recolhido? Ele passa por muitas mãos, para que alguns materiais possam ser reciclados. No meio do ‘caminho’, essas pessoas podem se machucar e, em casos mais graves, se contaminar com uma seringa descartada no lixo inadequadamente.

Desde que a Cooperativa Regional de Catadores dos Vales do Taquari e Rio Pardo (Cootralto) assumiu a Usina de Triagem de Lixo, em Venâncio Aires, há quase dois anos, não houve nenhum acidente com materiais biológicos – seringas ou qualquer material que contenha sangue ou fluidos corpóreos, curativos, resíduos de cirurgias, moldagens e kits para exames.

No entanto, ao longo do período, foram recolhidas algumas sacolas com o material. “Não podemos deixar ir para o aterro, isso pode estar contaminado. Então separamos tudo que achamos e a Secretaria do Meio Ambiente recolhe e dá o destino certo”, explica o gerente da usina, Marcondes Daniel Alves. Esses resíduos devem ser incinerados – queimados – assim como o lixo hospitalar em geral.

Segundo o presidente da cooperativa, Francisco Leopoldo dos Santos, todos os funcionários usam equipamentos de proteção, luvas, máscaras, botinas e jalecos. Todos tomam muito cuidado ao pegar os materiais. Conforme ele, no início da pandemia, em março de 2020, o número desses materiais dobrou no local.

Santos observa que muitas pessoas realizam injeções em casa, como insulina, para diabéticos, ou mesmo nos animais de estimação. “Muita gente faz injeção no cachorro, em casa mesmo, e coloca no primeiro lixo que vê. Depois, quem recolhe o lixo pode se perfurar pela sacola, ou aqui na esteira da usina, um trabalhador pode se machucar. É um resíduo que pode estar contaminado e trazer maiores danos”, salienta.

A vice-prefeita Izaura Landim se reuniu com representantes da cooperativa, em junho, para debater sobre o descarte incorreto dos materiais biológicos. Ela reforça que isso oferece risco para a saúde da população. “Os materiais contaminados ou perfurocortante precisam de atenção no seu descarte para evitar acidentes e ou futuras contaminações”, salienta. Ela orienta que as pessoas descartem em uma caixa fechada e levem até alguma unidade de saúde.

Descarte de máscara e remédios

Outros materiais que as pessoas não devem descartar de ‘qualquer jeito’ são os medicamentos vencidos e as máscaras. Conforme o presidente da cooperativa, as máscaras não oferecem tanto risco, pois o vírus da Covid-19 não fica por muito tempo na superfície. No entanto, devem ser colocadas no lixo do banheiro, para não se misturarem com os resíduos recicláveis nem com os orgânicos. Já os medicamentos vencidos devem ser levados até um posto de saúde ou farmácia, assim como os que ainda podem ser reutilizados.

No ano passado, mais de 40 acidentes com materiais biológicos na região

Segundo a médica do trabalho do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest/Vales), Adriana Skamvetsakis, resíduos como as agulhas oferecem riscos para os trabalhadores que atuam na coleta e na separação do lixo. Eles podem se infectar com algumas doenças, como o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e das hepatites B e C – que são os agentes infecciosos mais comumente envolvidos.

Adriana especifica que com a decomposição desse lixo, ocorre a liberação de gases, além de poluir o solo e o subsolo, polui também o ar. “Os impactos ambientais causados pelo gerenciamento inadequado dos resíduos hospitalares podem atingir grandes proporções, levando a contaminações e elevados índices de infecção hospitalar, ou até mesmo à geração de epidemias devido a contaminações do lençol freático pelos diversos tipos de resíduos dos serviços de saúde.”

Gerente da usina, Marcondes Alves, e o presidente da cooperativa, Francisco Santos, reforçam aos funcionários a importância de usar proteção, como luvas, para evitar acidentes com materiais perfurocortantes
Gerente da usina, Marcondes Alves, e o presidente da cooperativa, Francisco Santos, reforçam aos funcionários a importância de usar proteção, como luvas, para evitar acidentes com materiais perfurocortantes (Foto: Roni Müller)

Acidentes

Dados do Cerest/Vales mostram que, em 2020, foram registrados 42 casos de acidentes com trabalhadores de usinas de lixo, por conta do descarte inadequado de material, na macrorregião dos vales do Taquari e Rio Pardo. Desses, 15 casos foram perfurocortante com indicação de profilaxia (prevenção). Somente em sacos de lixo, com descarte incorreto, foram 18 casos, e em um foi constatada infecção.

A médica orienta que trabalhadores vítimas de acidente com material biológico (com sangue e outros fluídos potencialmente contaminados) devem ser tratados como casos de emergência. “Podemos obter maior eficácia, as intervenções para profilaxia da infecção pelo HIV e hepatite B necessitam ser iniciadas logo após a ocorrência do acidente”, alerta. Todos os casos devem ser notificados no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan).


“Quando os resíduos de saúde são lançados de forma inadequada em lixões e aterros sanitários, podem contaminar o solo, águas subterrâneas e superficiais. Isso pode oferecer risco à saúde das pessoas que consumirem água contaminada também.”

ADRIANA SKAMVETSAKIS
Médica do trabalho do Cerest/Vales


 

Seringas de vacinas aplicadas contra Covid-19 são guardadas em caixas para evitar acidentes

Com a ampla campanha de vacinação contra a Covid-19, neste ano, a quantidade de materiais utilizados para a aplicação das doses aumentou significativamente. “Considerando o curto espaço de tempo, é um aumento de mais de 1.000%, sem dúvidas”, afirma a vice-prefeita de Venâncio Aires e também enfermeira, Izaura Landim.

O Município tem contrato com uma empresa terceirizada que, semanalmente, recolhe e faz o descarte adequado de todo material perfurocortante. “Alguns materiais são recicláveis nas quais vêm seringas de vacinas e agulhas, como as caixas de papelão, embalagens plásticas das seringas. Este material está sendo descartado de forma correta e sacos apropriados no contêiner localizado em frente ao posto de saúde Central. Os materiais classificados como perfurocortantes ou contaminados são armazenados em recipientes específicos, como as caixas de armazenamento de perfurocortantes. Elas são estocadas em uma sala, até o recolhimento, para evitar acidentes.”

Saiba mais:

  1. As máscaras podem ser colocadas no lixo, desde que embaladas em saco plástico (pode ser o saco plástico da lixeira, não há necessidade de colocar em outro). Porém, não devem ser misturadas com materiais recicláveis. O ideal é descartar as máscaras no lixo do banheiro, junto com o papel higiênico.
  2. Medicamentos vencidos ou em desuso, seringas de injeção ou insulina, gases de curativos ou todo tipo de lixo proveniente do atendimento a pacientes ou de estabelecimento de saúde devem ser colocados em sacos plásticos de cor branca, identificados e encaminhados a uma Unidade de Saúde ou ao Centro de Atendimento a Doenças Infectocontagiosas (Cadi), no posto de saúde Central.
  3. Em caso de perfuração, a vítima deve fazer exames de HIV, hepatite B e outros. Se a pessoa que havia usado a seringa primeiro é identificada, ela faz os exames também. Assim, se negativar para as doenças, quem foi perfurado não precisa tomar coquetel contra HIV nem receber imunoglobulina para não ter hepatite B.
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