“Não adianta colocar peixe e tirar as palometas, se a barragem continua estragada”, diz pescador

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Em General Câmara, no distrito Santo Amaro, Mário Augusto dos Reis Costa, 57 anos, já sente o reflexo das palometas. Pescador há mais de 40 anos, ele já teve peixes destruídos pela ‘piranha vermelha‘ e percebe uma queda brusca da renda familiar, que depende exclusivamente da pesca. Mas, além das palometas, ele ressalta que a barragem também é um grande problema no rio.

“Essa diminuição no número de alevinos não é de agora. É um problema que já temos há anos. As palometas só vieram para piorar ainda mais nossa situação, mas tudo começou com a quebra da barragem”, comenta Costa sobre a situação, que se agravou nos últimos meses.

Ele acredita que se colocarem mais peixes no rio, eles não vão ficar e se reproduzir no Jacuí, porque com a barragem aberta, o nível está cerca de quatro metros abaixo do normal. “Os peixes somem daqui, tem pouca água e isso tudo é por causa de um conjunto de problemas. É a barragem que está estragada, a estiagem e, agora, essas palometas, que ainda comem o pouco que restava. Por isso, não adianta colocar peixe e tirar as palometas, se a barragem continua estragada”, salienta.

O pescador explica que se a barragem estivesse funcionando, o rio estaria mais cheio e as palometas não ficariam no mesmo local, portanto não comeriam tantos peixes da região. “Tudo isso reflete no nosso bolso, porque ela é carnívora e deixa só o resto de peixe na rede”, destaca.

Obra na barragem é demanda antiga

A Barragem Eclusa Amarópolis está estragada desde 2018, quando as comportas começaram a cair. Atualmente, 22 das 44 comportas estão caídas ou emperradas, o que consequentemente, diminuiu o nível do rio, pois não segura a água. A obra de conserto é estimada em milhões e, além de General Câmara, que é o município onde fica a barragem, outros prefeitos de cidades vizinhas também buscam recursos para melhorias no local.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Vale Verde, que também busca por essa reforma, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que é responsável pela barragem, informou que as obras em Santo Amaro devem começar no próximo ano.

IMPACTOS

Conforme representante do Sindicato da Indústria da Mineração de Brita, Areia e Saibro (Sindibritas) e da Associação Gaúcha dos Produtores de Brita, (Agabritas), Fernando Machado Borges, as condições da barragem não permitem mais a navegação de navios e a pesca na região. “Esse problema nas comportas dificulta a vida de toda comunidade. Os pescadores não conseguem mais pescar em quantidade, os agricultores não têm água para irrigação e até quem usa para consumo próprio é afetado”, observa.

O problema, conforme ele, é pela falta de manutenção. Por conta disso, a água que passa pela barragem não fica armazenada no Rio Jacuí. “Já tivemos muitas reuniões e a ideia dos municípios da região é fazer a obra junto com o Dnit. O quanto antes ela voltar a operar melhor, até porque desde janeiro não tem mais embarcação na barragem”, expõe Borges.

Prefeitura de Vale Verde recorre ao Dnit para impedir mineração na barragem

As palometas e a falta de obras na barragem já preocupam os pescadores, mas outro assunto também está sendo discutido na região: a mineração na barragem Amarópolis. Nesta semana, o prefeito de Vale Verde, Carlos Gustavo Schuch, acompanhado do coordenador municipal de Meio Ambiente, Rodrigo Klamt, do vice-presidente da Associação dos Protetores do Balneário Monte Alegre, Jozé Luis Getke, e do representante do Sindicato da Indústria da Mineração de Brita, Areia e Saibro (Sindibritas) e da Associação Gaúcha dos Produtores de Brita, (Agabritas), Fernando Machado Borges, esteve na sede do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), em Porto Alegre.

Eles discutiram sobre a possibilidade iminente de haver mineração às margens da barragem de Amarópolis, em Santo Amaro. Fato que foi denunciado pelos sindicatos Agabritas e Sindibritas, que estão apreensivos com a possibilidade da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) vir a conceder uma licença de operação para uma empresa de Lajeado, que tem um processo em andamento e solicita autorização para minerar a partir de 115 metros a montante da barragem. “A mineração correta pode ser feita a 700 metros da barragem, para preservar ela, próximo como querem não é correto”, frisa Borges.

PRECAUÇÃO

“Por precaução e prevenção, solicitamos que não seja concedida nenhuma autorização a qualquer empresa para minerar nas proximidades da eclusa, pois ela é a única garantia que temos para manter um nível mínimo de calado para navegação, para os pescadores, agricultores e aos veranistas que utilizam o Balneário Monte Alegre, entre outros”, destaca o representante.

O prefeito Carlos Gustavo Schuch, que está coordenando uma busca de verbas em Brasília, para recuperar parte das alças danificadas da estrutura, diz que a mineração neste local preocupa muito, pois por enquanto, não há garantia de órgãos competentes, que atestem segurança na extração de areia em tamanha proximidade. “Não adianta buscarmos recursos para recuperar a barragem, se por outro lado, houver riscos futuros à estrutura da eclusa, visando apenas ganhos financeiros”, alerta o chefe do Executivo.

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