Guilherme Ubatuba Teixeira, sétimo atleta da esquerda para direita, na fila da frente, realizou um sonho ao jogar contra o Grêmio (foto: divulgação)

História de Guilherme Ubatuba Teixeira – jornalista

O ano era 2012. Era dia 22 de outubro. Eu tinha 13 anos, era zagueiro, número 4, na escolinha do Guarani, em Vale Verde, e jogaríamos contra o Grêmio naquele dia no campo de futebol 11 do Walda Kappel, ao lado do ainda em construção, ginásio Olívia Kappel.

Dois meses antes, Alex Klafke, nosso treinador, chamado de ‘Sor Alex’, havia nos dito que iríamos disputar um amistoso contra o Grêmio. Todos ficaram animados porque naquele dia poderíamos ser “chamados por algum olheiro” e o sonho de virar jogador estaria mais perto.

Muitos treinos, horários, conversas e noites sem dormir regaram aqueles dois meses antes do fatídico dia. Em um deles, machuquei-me. Aconteceu na noite da sexta-feira anterior ao domingo de jogo, dia 20 de outubro. Estava jogando um horário com os meus amigos no ginásio da Comunidade Evangélica 25 de Julho e, quando fui chutar a bola, um dos guris do time contrário me solou e eu caí por cima do braço.

Com o cotovelo deslocado e sem conseguir chutar a bola, não tinha equilíbrio. Coloquei gelo, tentei pôr no lugar e nada adiantou. Fui posar na casa do meu amigo Roger Toillier, que também iria jogar no domingo. Minha mãe não soube naquela sexta-feira do acontecido. No final das contas, coloquei munhequeira no pulso e enfaixei o braço até o cotovelo para ver se melhorava. Não adiantou.

No dia seguinte tinha treino e fui com o braço enfaixado tentar jogar. A dor e a sensação de não ter firmeza no chute eram iguais, mas eu não poderia desistir. Coloquei mais gelo e enfaixei o braço de novo, na esperança de acordar melhor. Minha mãe ainda não sabia do acontecido.

 

O dia do jogo

Domingo, dia 22 de outubro. A vontade de vencer para mim era ainda maior, pois sou colorado. O céu estava nublado, tinha um vento gelado, às vezes chovia um pouco, campo molhado e escorregadio. Pais, irmãos, avós, curiosos, vale-verdenses e pessoas de fora do município vieram acompanhar a partida. Alguns refugiaram-se da chuva no vão livre embaixo do espaço das arquibancadas do concluído ginásio Olívia Kappel.

O meu jogo seria às 10h e eu não aguentava a ansiedade. Recebemos camisas e calções novos e combinamos a escalação. Também tiramos a foto que pode ser vista nesta página.

Iniciamos bem a partida. Tocando a bola, cruzando, tudo ia bem. Estava frio, mas sem chuva. No entanto, os gremistas vêm pra cima, tocam a bola mais rápido e com mais entrosamento. Mesmo assim, com diversas defesas do nosso goleiro – Guto, sobrinho do Sor Alex – estávamos conseguindo segurar o 0x0.

Eu aguentei o primeiro tempo sem muitas dores. Quando experimentei um cruzamento para o nosso atacante vi que não conseguia fazer outro, pois o braço doeu. Mas estava 0x0, parecia que ia acabar bem o primeiro tempo, até que eles marcam um gol bem no fim. 1×0 Grêmio.

 

Segundo tempo

O segundo tempo começava com uma chuva fraca, ainda mais frio e com um vento que incomodava. A grama escorregadia e meu time, o Guarani, já estava cansado. O nosso goleiro agora era outro, Roger Toillier. Algumas outras trocas foram feitas. O nosso time não conseguia chegar à área adversária e o Grêmio dominava a partida.

Os gremistas atacaram e conseguiram marcar mais dois gols. 3×0. Eu pedi para sair, não aguentava a dor. O Sor Alex fez a substituição. Ali entendi que não voltaria mais à partida. O braço não deixaria. Falei ao técnico e ele comentou que achou que eu não ia aguentar tanto. Saí feliz, diante das probabilidades.

No entanto, continuei vendo o jogo, agora com a minha mãe (enfim, contei da situação do braço para ela) e os guris foram dominados. O Grêmio fechou o placar em 6×0. O domingo terminou assim: realização de um sonho, de jogar contra um grande time e representar o município, mas com o lamento de estar machucado.

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