“O trabalho na Brigada Militar me mudou como pessoa”, diz primeira policial militar de Mato Leitão

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Desde 2013, a jovem Jéssica Stöhr, 29 anos, não mora mais em Mato Leitão, município onde ela passou a infância e a adolescência. Há oito anos, ela mudou com o marido para Marabá, no Pará, por causa do trabalho dele. Na região Norte do país, viveu durante dois anos. Depois, residiu durante um ano em Santa Cruz do Sul, dois anos em Uruguaiana e em 2018 fixou moradia no município vizinho de Venâncio Aires. Hoje, eles vivem no bairro União.

Neste mesmo ano, ingressou no Curso de Formação de Soldados da Brigada Militar (BM), em Rio Pardo, que teve duração de nove meses. Sem integrantes da família que seguiram carreira na BM, Jéssica escolheu esse trabalho, em um primeiro momento, por causa da estabilidade financeira, em razão de ser concursada. Contudo, no decorrer do caminho, descobriu um amor muito grande pela profissão. “Gosto do que faço. Não tenho ninguém da família que é militar, que é da Brigada. Fui a primeira a seguir essa carreira e hoje eu amo a minha profissão”, relata.

Após passagem pelo 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), com atuação nos municípios de Forquetinha e de Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari, ela foi transferida para o 23º BPM, com sede em Santa Cruz do Sul, e, nesta semana, iniciou as atividades junto ao Grupamento Policial Militar (GPM) de Mato Leitão, como soldado Stöhr.

Ela é a primeira mulher a integrar o efetivo do município. “Sempre quis trabalhar em Mato Leitão, por ter me criado e morado aqui muito tempo, conhecer muitas pessoas e minha família ser daqui”, comenta. Com a transferência, o efetivo da Cidade das Orquídeas passa a contar com seis policiais militares.

Comunidade

Durante a infância e a adolescência, vividas em Vila Santo Antônio, no interior, onde os pais, Rony Stöhr e Vera Lúcia Burghartdt Stöhr, ainda residem, a policial tinha como característica o envolvimento com as atividades comunitárias. Ela estudou na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Santo Antônio de Pádua e no Colégio Estadual Poncho Verde. Licenciada em Educação Física, ela conta que esse vínculo com a comunidade continua muito presente na rotina de trabalho.

“Gosto do policiamento comunitário. De estar perto de pessoas, de conversar, de ter essa comunicação. A Brigada tem como lema ser a força da comunidade. Então, acho que é muito importante essa interação”, ressalta. Nesse sentido, a jovem destaca que pretende estabelecer um diálogo com os moradores do município e, a partir do seu trabalho, incentivar mulheres e jovens a saber como funciona para ingressar na BM.

“A Brigada Militar é um órgão fundamental. As pessoas se sentem mais protegidas. Acho que sempre tem que ter uma boa interação e convivência entre a Brigada e a comunidade, porque um precisa do outro”, menciona. Ela também observa que pretende mostrar o empoderamento da mulher, demonstrando que ela pode ser o que quiser. “Quero servir de exemplo para outras mulheres”, salienta. Os moradores do município também podem esperar uma policial simples, humildade e empática.

Comandante do Grupamento Policial Militar de Mato Leitão, soldado Cristiano Figueiró Santos, e a soldado Stöhr (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

“Como me falaram, o bom filho à casa retorna, e acho que isso é um privilégio muito grande. É uma realização poder trabalhar aqui. Criei um vínculo muito grande em Mato Leitão e nunca perdi isso. Estou sendo bem acolhida e isso é uma satisfação. Quero continuar o trabalho que comecei em Santa Clara e Forquetinha aqui, com meus colegas e a comunidade, e conhecer mais, porque hoje em dia Mato Leitão está bem diferente.”

JÉSSICA STÖHR – Policial militar

Realização

Para Jéssica Stöhr, trabalhar na BM é uma realização pessoal e que lhe transformou de diversas maneiras, em especial no que diz respeito à organização e à timidez. “O trabalho na Brigada Militar me mudou como pessoa. Eu cresci, amadurei mais. A gente se torna mais forte. É tão bom ser visita como um exemplo para algumas pessoas. Acho gratificante isso. Não quero ser mais do que ninguém, mas acho importante as pessoas poderem se espelhar”, compartilha.

Neste ano, Jéssica fez o curso para atender ocorrências de Maria da Penha. Com a transferência para Mato Leitão, ela contribuirá com a realização desse trabalho no município, em parceria com a Patrulha Maria da Penha de Venâncio Aires. “Acho que cada município deveria ter uma mulher na Brigada Militar”, comenta.

Para o futuro, a soldado Stöhr pensa conciliar a carreira de policial militar com a de professora de Educação Física. Além disso, ela reforça que trabalhar no município onde cresceu e tem vínculos fortes de família e amigos é motivo de muita felicidade. “Sentir a reciprocidade da comunidade é muito gratificante. Mato Leitão é uma cidade maravilhosa e que cresceu muito”, avalia.

Apresentações

Na segunda-feira, 13, Jéssica Stöhr se apresentou no Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Rio Pardo (CRPO/VRP), no 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Santa Cruz do Sul, na 3ª Companhia da Brigada Militar de Venâncio Aires, onde conversou com a capitão Michele da Silva Vargas. Além disso, ela se apresentou ao prefeito Carlos Bohn, na prefeitura.

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