Pra contar histórias: “A coragem e a fé não deixaram eu perder minha filha”

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Quem vê àquela cozinheira alegre do bairro Aviação, e que já passou por muitos restaurantes e lancherias de Venâncio Aires, com este ofício, não sabe o quanto batalhou e se firmou na fé para salvar o seu bem mais precioso: sua filha.

Há 26 anos, no dia do aniversário do município, em 11 de maio, nascia Cristin Deise Heinen, filha de Miriam Rodrigues Borges Baumgarten e de Jader Alex Heinen. Prematura de sete meses e pesando 900 gramas, teve as esperanças de vida tiradas pelo médico pediatra: “ Lembro como se fosse hoje, ele dizendo pra mim: ‘tua filha não vai mais viver até amanhã’”, relata Miriam. Ela conta que, na mesma hora, pegou a bebê no colo, assinou ‘uns papeis’ e ‘fugiu’ do hospital de Venâncio. “Eu pedia pra Deus pra eu chegar. Eu sacudia ela pra ela não morrer. Eu entrei no primeiro taxi com a minha bebê no colo e fui para Santa Cruz, no hospital. Igual uma louca, cheguei gritando Salva Minha filha! Ela era minha primeira e última, pois eu não tinha mais chance de engravidar”, conta Miriam. Depois de quatro meses, pela primeira vez, Miriam pode pegar a filha no colo. “Foi o dia mais feliz da minha vida quando eu tinha meu bebê no colo e saber que estava salva. Eu tinha tanta promessa, tanta fé.”

Por ter nascido no aniversário do município a Cristin ganhou ganhei todo enxoval da Folha do Mate e da primeira dama. “ Sim, o Asuir e a Milita foram lá no hospital e me levaram tudo porque era só esse bebê que nasceu naquele dia”, recorda. Outra recordação do período de Cristin no hospital São Sebastião Mártir, é que o padre batizou o bebê dentro da casa de saúde. “Naquele dia, o o padre disse que agora ela pode morrer, eu eu disse que eu não iria deixar ela morrer. De noite o médico não me deu nenhuma esperança e eu fugi do hospital”. Hoje, Miriam comemora já ser avó do Ruan Brasil, de 2 anos. “Eu amo esse guri é meu xodó”, diz.

Viúva de João Marcos Baumgarten, Miriam conta que nasceu em Linha Santa Cruz. Vinda de uma família de 18 irmãos, lamenta que somente oito estão vivos. Filha de dona Tereza Rodrigues Borges e de Gonçalves Rodrigues Borges, já felicos, morou em Quarta Linha Nova, Boqueirão do Leão, Vila Arlindo, Pinheiral, e chegou em Venâncio Aires quando o pai foi trabalhar no antigo Sulzbacher.

Escola e profissão

Miriam conta que o contato que teve com a escola foi aos 15 anos de idade. Cursou a EJA na escola Macedo. “Eu sei ler, mas falta vontade eu não gosto porque tenho dificuldade de juntar as letras”, diz. Mesmo assim, nunca desistiu. Foi proprietária de um minimercado, cancha de bocha e bar no Loteamento Primavera durante 21 anos. “Minha vizinha me dava aula, a Nica, a Natalina Vaz, da Tabalar me dava aula toda noite e eu aprendi com ela”.

Coração gigante

Com a vontade de ajudar o próximo, Miriam diz que sempre ajuda a quem precisa. Um exemplo é que criou três crianças cujas mães não tinham condições de ficar com elas. “Uma delas ficou comigo até os seis anos de idade. Era filha de uma mulher que trabalhava em boate e o bebê ficou comigo. Quando, aos seis anos de idade, a mãe veio buscar ela, fiquei sem chão. Chorei muito, pois foi momento muito difícil pra mim e pra Cristin. A menina já estava na escola, estava bem cuidada, mas a mãe veio buscar. Assim, ajudei muita gente, criei muitas crianças que moravam comigo, pois não tinham para onde ir.”

Miriam tinha nove anos de idade quando começou a trabalhar na residência da família de Lori Leuckert. “De lá saí só quando eu casei”, recorda ela que está com 59 anos. Depois dedicou-se à cozinha. Trabalhou em vários restaurantes e lancherias da cidade. Recorda com carinho de Rejane Genz que foi sua patroa e amiga. “ Em Lajeado, até fiz curso de cozinheira, mesmo sem ter estudo, as minhas amigas me ajudaram. Não esqueço da Rejane que me deu uma mão daquelas.”

Nas horas de lazer, Miriam conta que gosta de festa, de dançar e se divertir. “Quando tem baile não perdia nenhum. Durante a semana trabalho a semana inteira. Fim de semana eu me divirto”, diz.

Ao se autodefinir iriam diz que não leva nenhuma tristeza para a rua. Está sempre feliz, ajuda todo mundo. Gosta de joga bocha e bilhar. “Não faço parte de time porque não tenho tempo, mas na bocha no torneio quero ver alguém ganhar de mim (risos). Quero ver alguém me ganhar”, desafia a cozinheira e jogadora de bocha.

“Nunca leve a tristeza junto. Deixa a tristeza no quarto, chaveia a porta e vai embora. Não leve ela junto, deixa em casa.”

Miriam Rodrigues Borges Baumgarten – Cozinheira

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