Queda na temperatura resgata hábitos do inverno

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Por Rosana Wessling e Taiane Kussler

O frio chegou com tudo na última semana e foi momento de tirar os casacos mais quentinhos do roupeiro. Além da baixa nas temperaturas, o vento forte e os dias nublados ‘assustaram’ a população da Capital Nacional do Chimarrão. Em Linha Marechal Floriano Baixo, o agricultor Mario Seidel, 66 anos, alega estar prevenido. “Tem bastante lenha para passar o inverno, frio a gente não passa”, garante.

Na casa da família, ele e a esposa Lia optam sempre pelo aconchego no fogão a lenha. “Aqui é muito frio, sempre tem muita cerração, então nesses dias a gente acorda cedinho, faz um fogo e vai curtindo o dia. E isso se repete no fim do dia, quando já é hora de acender o fogo de novo, quando não fica aceso o dia todo”, comenta. O morador do 5º distrito utiliza dois fogões a lenha, um na casa e outro no quiosque, e opta por esse método para se esquentar, já que não gosta muito de usar touca e outros acessórios para o frio.

As temperaturas mais baixas nessa época já são tradicionais e, para muitos, não assustam. Mas, na última semana, passou a circular nos grupos de WhatsApp a informação de uma segunda frente fria para a semana do dia 5 de julho. A mensagem declarava alerta máximo e que uma potente massa de ar polar iria avançar no Sul do Brasil e seria algo inusitado, com temperaturas baixíssimas que não eram vistas há mais de 50 anos.

A reportagem da Folha do Mate entrou em contato com o Núcleo de Informações Hidrometeorológicas (NIH) da Univates, que afirma: “Essa mensagem que está circulando pelos grupos de WhatsApp é totalmente fake news, ou seja, notícia falsa.” Na próxima semana, o município poderá ter dias de veranico. “O tempo deve ficar predominantemente firme, com a presença do sol e algumas nuvens na região. O frio perde força no amanhecer e as tardes serão a cada dia mais agradáveis”, informa o NIH.

A formação de geada ainda pode ocorrer neste fim de semana nos pontos mais altos, mas a notícia boa é que o vento se mantém calmo, sem rajadas moderadas ou fortes. No estado, para a primeira quinzena de julho, não há previsão de neve.

O NIH também informa que no inverno as temperaturas são mais baixas. “Mas, para a época do ano, podemos dizer que vão estar acima do padrão climático na próxima semana, que segundo a Estação Meteorológica da Univates é de 14,9 graus para a temperatura média, 10,8 graus para a temperatura média mínima e de 20 graus para a temperatura média máxima.”

Fake news

• A informação que circula no WhatsApp diz que “a partir do dia 4 e, principalmente, de 5 a 7 de julho, uma potente massa de ar polar avança pelo Sul do Brasil, como não se via há mais de 50 anos. As simulações computadorizadas indicam temperaturas extremas no estado gaúcho abaixo de zero grau.”

• Na mensagem ainda era ressaltado que haveria neve em todo o Rio Grande do Sul. O NIH da Univates reforça que a informação não é verídica. “Não tem previsão de neve. Para a primeira quinzena de julho, não há previsão de neve para o estado.”

Baixas temperaturas impactam nas vendas do comércio

A mudança de estação e as quedas de temperaturas motivam as pessoas a procurar meios para garantir o conforto e bem-estar. Nesta época do ano, aumenta a procura por aquecedores, fogões a lenha, lareiras e peças de vestuário mais pesadas. Este comportamento impacta diretamente na economia local.

De acordo com a gerente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Venâncio Aires (Caciva), Lisete Stertz, a mudança de temperatura influencia na rotatividade do comércio. “As empresas locais seguem um cronograma a cada estação. Quando o frio chega, logo no início do inverno, o comércio já está preparado para atender a demanda. Mas, se o frio não chega com esta intensidade, logo nos primeiros dias do inverno, os lojistas ficam com os produtos em estoque, o que não é positivo”, destaca.

Apesar da pandemia, Lisete reforça que as expectativas de vendas são positivas em relação ao ano anterior. “Nós aprendemos muito no decorrer deste tempo, porque estávamos lidando com coisas desconhecidas e a população estava receosa, o que afeta a circulação do dinheiro e retenção dos valores”, observa.

Já este ano, com a chegada da vacina, a gerente da Caciva diz que já é possível perceber um aquecimento nas vendas. “O avanço da imunização traz mais segurança, tanto para os empresários, que se sentem confortáveis para investir, quanto para os clientes, que estão mais confiantes para fazer as suas compras”, analisa. Ela reforça que, mesmo assim, é preciso manter os cuidados com os protocolos de segurança.

Venda de lenha

O comerciante aposentado Délcio Mohr, 63 anos, percebeu o aumento nas vendas de lenha desde maio. Segundo ele, as vendas deste ano foram além das expectativas. “Com a pandemia, as pessoas estão com menor poder aquisitivo de compra. Mesmo assim, as vendas foram bem significativas”, observa o comerciante, que trabalha há mais de 40 anos no ramo, ao lado do filho, Roberto Mohr, 36 anos.

Segundo ele, a madeira de eucalipto é a mais procurada, seguida da acácia e da laranjeira. “A laranjeira está mais escassa porque foi substituída por outras culturas mais vantajosas”, avalia o comerciante do bairro União.

Délcio trabalha há mais de 40 anos no ramo, o negócio da família já ultrapassa três gerações (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

Atividades diárias podem evitar dores e contraturas

• Com o frio, as pessoas tendem a ficar mais ‘retraídas’, o que impacta na má postura e consequentes dores musculares. De acordo com a fisioterapeuta Cláudia Henn, as contraturas musculares ocorrem quando a musculatura fica encurtada e mais inflamada em alguns pontos, principalmente nos ombros.

• “Neste caso, é preciso adotar algumas posturas para melhorar o encurtamento”, explica. Segundo ela, os alongamentos da cervical, as pausas no trabalho, movimentos constantes e uso de bolsas quentes (de grãos e sementes que podem ser aquecidas no micro-ondas) podem auxiliar no aquecimento da musculatura.

• Já na fisioterapia são utilizados aparelhos para analgesia (evitar as dores), massagens relaxantes, terapias com pedras quentes e pindas chinesas, liberação neofacial (massagem para liberação de contraturas) e o pilates, que segundo ela, é uma das terapias mais procuradas no inverno.

Alimentos indicados para a estação

Com as temperaturas mais baixas, é comum que as pessoas optem por alimentos mais calóricos e menos nutritivos. Contudo, é preciso ter cautela com a alimentação, principalmente durante a pandemia, em que as pessoas precisam adotar métodos saudáveis para a garantia da imunidade.

De acordo com a nutricionista Fabiana Assmann Poll, as hortaliças, as frutas da estação, água, alimentos termogênicos, os alimentos integrais, as especiarias e temperos não podem ser deixados de lado no inverno. “As hortaliças podem ser preparadas em alimentos aquecidos, sopas, cremes, refogados, cozidos, assados no forno com ervas e azeite de oliva”, indica a nutricionista, salientando que as refeições com mais caldo e molho aquecem o corpo e ajudam a hidratar.

As frutas da estação também são opções ricas em vitamina C, para aumentar a imunidade nesta época do ano. Segundo a profissional, quatro porções ao dia, durante o lanche, já são suficientes.

Os alimentos termogênicos também são importantes, assim como canela, gengibre, pimentas (se não tiver nenhuma contraindicação ou desconforto). “Eles aumentam o calor interno do corpo, acelerando o metabolismo. Os termogênicos podem ser usados como condimento das refeições ou mesmo das frutas. Banana ou leite quente com canela são uma boa pedida”, exemplifica.

Integrais

Fabiana explica que, os alimentos integrais como aveia, arroz integral, sementes e grãos, são ricos em vitaminas do complexo B, melhoram a digestão e auxiliam no funcionamento do intestino.

Conforme a nutricionista, a água deve ser consumida pura ou em chás e no chimarrão.

Já as especiarias (incluindo alho e cebola), são ricos em compostos bioativos importantes na prevenção de doenças, que ficam mais frequentes no inverno, como as respiratórias. “O alho e cebola, para que efetivamente tenham estes compostos, não devem ser aquecidos por muito tempo, o ideal é adicionar eles no final do cozimento”, orienta.

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