Atualmente, usina de triagem conta com 19 cooperados (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Uma montanha de lixo. A definição é simplista, mas talvez ajude a imaginar quanto espaço ocupam as cerca de 900 toneladas de resíduos descarregadas por mês na Usina de Triagem, de Linha Estrela, em Venâncio Aires. Se trata de um monte e tanto e praticamente a metade é material orgânico ou rejeito, que vai para o aterro sanitário de Minas do Leão.

Mas é na outra parte, que corresponde a materiais passíveis de reciclagem, que está um volume importante: até 80 toneladas mensais do que é possível recuperar, são recicladas. Conforme informações da Secretaria de Meio Ambiente de Venâncio Aires, essa quantia comprova uma melhora no aproveitamento da reciclagem nos últimos meses, passando de 8% para quase 12%.

À primeira vista pode ser pouco, mas o número é bem animador quando comparado à média nacional. De acordo com dados da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), apenas 3% do material com potencial de reciclagem no Brasil é reaproveitado. Claro que é preciso considerar que muitos municípios não têm coleta seletiva, mas isso não minimiza a melhora registrada por aqui.

Essa média corresponde ao trabalho de atuais 19 trabalhadores da Cooperativa Regional de Catadores dos Vales do Taquari e Rio Pardo (Cootralto), que assumiu a responsabilidade da usina em setembro de 2019. Ou seja, na conta não está incluída a reciclagem feita por catadores individuais. Nessa caso, a Secretaria de Meio Ambiente não tem um cadastro específico.

Usina

Segundo Francisco Leopoldo dos Santos, presidente da Cootralto, só em agosto foram 78 toneladas recuperadas na usina de Linha Estrela. “Poderíamos reciclar ainda mais, mas isso depende de mais pessoas e mais esteiras. Ainda assim, já é um número muito bom”, destacou. Santos revelou ainda que, quanto maior for a ‘retirada’, maior será o salário do cooperado. Além disso, a cooperativa pode vender o que reciclar.

O presidente ressaltou também que todo o maquinário disponível na usina de triagem é da Cootralto. Entre os equipamentos há uma retroescavadeira, duas prensas, duas esteiras, painel de controle e até a instalação elétrica. A expectativa, agora, é por melhorias que devem ser feitas através de investimento da Prefeitura, como reforma no telhado e um piso.

Entre os 40 tipos de materiais recicláveis recuperados na usina, os mais comuns são papelão, garrafas pet, PAD color (frascos coloridos), latinhas de alumínio, papeis e até azeite e banha.

Contrato

  • A Cootralto assumiu a usina em setembro de 2019, de forma emergencial. Depois de algumas renovações, houve um processo de dispensa de licitação e foi firmado um novo acordo em junho.
  • De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, o contrato, no valor de R$ 30.250 mensais, tem validade de um ano, podendo ser renovado por igual período pelos próximos cinco anos.

“É um número considerável, já que o Brasil, na média, está abaixo. Isso mostra que a população de Venâncio está cuidando mais na separação, contribuindo também para o trabalho na usina.”

NORMA BARDEN – Integrante do Conselho Municipal do Meio Ambiente

Coleta seletiva

O novo projeto de gestão de resíduos em Venâncio Aires, contemplado com recursos federais anunciados no início do ano, prevê a reestruturação da coleta conteinerizada. A tendência é que sejam comprados novos equipamentos para ampliar o recolhimento seletivo. Mas, como o projeto ainda pode ser alterado, não há nada confirmado. Na cidade, hoje, são cerca de 300 contêineres.

O gasto médio anual de todo o processo que envolve lixo em Venâncio chega a R$ 6 milhões. Já a arrecadação com taxas gira em torno de R$ 3,5 milhões.

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