Funcionário da fazenda, Edmar Gerhardt, o Bodega, é morador da única residência que restou de um total de 26 casas (foto: Claudio Froemming)

História de Edmar Gerhardt (Bodega) – morador da Fazenda

Uma casa construída por volta de 1967 e ainda conservada e habitada é a única lembrança da Fazenda Julio Velho, que foi uma referência para o município no setor agropecuário. O funcionário da Fazenda, Edmar Gerhardt (Bodega), reside e cuida da residência, que foi a moradia do candelariense Arnaldo João Lindemann, o mentor e administrador da Fazenda por quase 30 anos. Ele arrendou as terras da família Brito Velho, em torno de três mil hectares, na época, em Vila Melos, hoje Vale Verde.

No local, iniciou a construção de uma verdadeira colônia, pois chegou a empregar 36 trabalhadores fixos, com suas famílias, chamados de mensalistas, e mais 20 diaristas, que foram trabalhar com ele na criação de gado, ovelhas e também na lavoura, com o cultivo de arroz, soja, trigo e milho.

Lindemann foi um dos maiores empreendedores do setor agropecuário da época no município, pois mantinha um rebanho de aproximadamente 1,2 mil cabeças de gado e tinha em torno de 40 cavalos para o serviço do campo. Também plantava em larga escala, tinha 17 tratores, quatro colheitadeiras e diversos implementos agrícolas. Construiu vários açudes para ter água suficiente para sua plantação de arroz, sendo que um deles está entre os maiores do município.

Fez também um secador de grãos com depósito próprio com grande capacidade de armazenagem e montou um parque de rodeios completo, com tudo que era necessário para a realização de eventos tradicionalistas, que tiveram início em 1973. Em um mesmo local, foram construídos uma pista de tiro de laço e gineteadas, uma cancha reta para as carreiras de cavalos, um salão para os fandangos, arena para touradas e uma infraestrutura para acampamentos.

Devido à quantidade de crianças que residiam no local, Lindemann ergueu uma escola, para os filhos dos seus empregados poderem estudar. A única casa que restou de um total de aproximadamente 26 residências é a lembrança de um tempo de ouro para todos que viveram e lembram desta época.

“Eu que trabalhei para o Lindemann, tenho saudades daquele tempo, quando a casa era também o escritório de pagamento dos funcionários. Lembro até hoje de seu Arnaldo Lindemann entrando e saindo da casa, recebendo visitas, fornecedores e também amigos. Me sinto extremamente feliz e orgulhoso em poder residir nesta casa, que pertenceu a uma pessoa tão admirável e importante. Agradeço também ao Vitor Carrion de Brito Velho, que hoje é proprietário da residência, e que me cedeu este local abençoado para morar, já que trabalho para sua família”, disse Edmar Gerhardt.

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome