Venâncio-airense retorna da Europa em voo de repatriados

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Há aproximadamente dois meses e meio, a jornalista Ana Flávia Hantt estava em solo europeu, na cidade de Ronse, interior da Bélgica. Devido à pandemia do coronavírus, a venâncio-airense teve que mudar os planos da viagem e antecipar o retorno à Capital Nacional do Chimarrão. Ana Flávia chegou domingo a Venâncio, depois de retornar da Europa em um voo de brasileiros repatriados.

Desde que as fronteiras da Bélgica foram fechadas, no dia 18 de março, ela ainda permanecia otimista com a situação, para então, seguir viagem para o Reino Unido, o destino da próxima viagem.“Tive a esperança que seria uma coisa rápida e que, em breve, eu seguiria a minha viagem. Eu estava muito bem instalada na Bélgica, mas quando a quarentena se estendeu para o dia 3 de maio, percebi que a situação estava insustentável e que teria que tomar uma providência para retornar para o Brasil”, conta a jornalista, que tinha 90 dias para permanecer como turista na Zona de Schengen.

Ana Flávia pretendia voltar para o Brasil no dia 29 de abril, mas em função da pandemia teve a passagem cancelada. “Entrei em contato com o Consulado Brasileiro da Bélgica para explicar a minha situação. No primeiro momento, eles me indicaram as companhias aéreas que ainda estavam voando para eu entrar em contato. Mas, dentro de cinco dias, eu recebi o retorno com a possibilidade de voltar para o Brasil em voo de repatriados ”, recorda.

A viagem de três dias foi muito apreensiva para a venâncio-airense, desde que partiu de Ronse em direção à terra natal. “O consulado disponibilizou o voo de Paris a Guarulhos, em São Paulo, e o deslocamento para os demais lugares, até a chegada ao destino, ficaria por nossa conta”, explica.

Logo na saída de Ronse, Ana Flávia já teve uma surpresa: ela conseguiu comprar o último ticket de trem de Bruxelas a Paris, na França. Antes de embarcar, teve que apresentar o atestado do governo francês, que justificava os motivos da viagem.

Apesar dos contratempos, tudo deu certo e o que mais surpreendeu Ana Flávia foi passar pela França. “O controle na França foi bastante rígido. O exército francês estava posicionado na estação, com suas armas, abordando as pessoas que desembarcavam no local. Apresentei os meus documentos e fui orientada a aguardar em uma segunda fila para análise dos passaportes de viagem”, explica. No aeroporto de Paris, ela também foi submetida ao mesmo procedimento, antes de embarcar no voo que seguia até Guarulhos, em São Paulo.

CHEGADA AO BRASIL

A venâncio-airense conta que, ao todo, 320 pessoas de seis capitais da Europa estavam a bordo. O voo de Londres a São Paulo foi organizado pelas embaixadas, que realizaram um força-tarefa para que as pessoas pudessem retornar ao país de origem. “Metade dos passageiros eram turistas e tiveram que mudar os planos em função da pandemia. A grande maioria ficou mais de um mês que o necessário à espera do voo de repatriação”, explica. “Algumas estavam morando na Europa, mas como estavam em situação de risco, também foram repatriadas”, acrescenta.

Depois de uma longa viagem, a venâncio-airense ficou admirada com a recepção que teve em solo brasileiro. “O voo estava cheio e não eram seguidas as medidas de isolamento social, os passageiros estavam sentados bem próximos um dos outros”, detalha a jornalista.

De acordo com ela, no aeroporto de Guarulhos, a temperatura dos passageiros foi verificada e todos foram orientados a permanecer em casa, em caso de sintomas leves da Covid-19 ou procurar apoio médico, em situações mais graves. “Mas eles não ficaram com nenhum contato para monitorar as pessoas que desembarcaram no voo de repatriados”, reforça.

Após, Ana Flávia seguiu viagem no dia seguinte rumo a Porto Alegre, onde foi recebida com muito carinho pelo pai, que aguardava pela filha no Aeroporto Salgado Filho. Desde domingo, 19, está em Venâncio Aires na companhia da família. “Eu fiz uma programação e gostaria de ter seguido, mas entendo que uma viagem interrompida não é um problema diante de uma pandemia que está atingindo muitas pessoas”, observa ela, que adotou a quarentena voluntária pelas próximas duas semanas.

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