Foto: Arquivo / Folha do MateAdministrador Fernando Branco reforçou que a crise é motivada pela frustração de repasses do Governo do Estado e IPE
Fernando Branco reforçou que a crise é motivada pela frustração de repasses do Governo do Estado e IPE

O Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) pôs um ponto final, na manhã de ontem, no episódio do atraso dos salários de dezembro dos profissionais médicos. O pagamento foi efetivado 23 dias após o previsto em contrato, que aponta para quitação de serviços prestados até o dia 15 do mês seguinte. No entanto, ao mesmo tempo que resolveu um dos seus problemas, a casa de saúde tornou público o pagamento parcial dos vencimentos de janeiro dos funcionários, que receberam apenas metade dos salários ontem.

Administrador da instituição, Fernando Branco reforçou que a crise financeira se deve à frustração de repasses do Governo do Estado e do Instituto de Previdência do Estado que, juntos, somam R$ 1,5 milhão. Branco afirmou que, apesar de todas as dificuldades para equilibrar as contas do HSSM, há previsão de entrada de recursos nos próximos dias e a estimativa é de que todos os salários sejam quitados, no máximo, até o dia 15. “A questão dos médicos está resolvida, foi tudo pago. Já a folha de janeiro, como ainda não dispomos de todos os recursos, decidimos pagar metade para não deixar o pessoal sem dinheiro. A situação está bastante difícil por conta dos valores que deveriam, mas não chegaram”, disse.

FUTURO – Em relação ao futuro do caixa do hospital, o administrador acredita que a situação possa melhorar se o Governo do Estado autorizar empréstimos bancários para a cobertura do passivo da gestão de José Ivo Sartori (MDB). De acordo com ele, na transição do governo de Tarso Genro (PT) para o de Sartori, as instituições de saúde fizeram financiamentos em seus nomes e o Estado, que era devedor, pagou a conta. “Agora, temos realidade semelhante. O atual governador (Eduardo Leite, do PSDB) já sinalizou com esta possibilidade, que seria uma saída para a crise nos hospitais filantrópicos. E, além disso, precisamos ter previsibilidade de repasses, sob pena de as casas de saúde literalmente quebrarem”, alertou.

“Quando não se recebe um valor que estava previsto, é preciso usar as economias. E, quando esse tipo de situação se repete, as economias acabam. Se os repasses do mês, pelo menos, forem atualizados, já será uma grande notícia.”

FERNANDO BRANCOAdministrador do HSSM

SIMERS

1 Representantes do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) estiveram reunidos com a cúpula do Hospital São Sebastião Mártir (HSSM) na manhã de ontem, em Venâncio Aires. O sindicato enviou delegados para tomar conhecimento da situação envolvendo o atraso dos salários de dezembro dos médicos.

2 Ao saber – por comunicados de profissionais e notícias veiculadas na imprensa – que os médicos ainda não haviam recebido os vencimentos referentes a serviços prestados no último mês do ano passado, o Simers buscou diálogo.

3 No entanto, os representantes foram informados de que o problema estava solucionado e se deram por satisfeitos.

4 Segundo apurou a reportagem da Folha do Mate, o Simers também tinha a intenção de repudiar as declarações do secretário interino da Saúde, Arnildo Camara, que esta semana criticou o fato de os médicos reclamarem de salários atrasados a menos de 15 dias. Câmara questionou se os profissionais iriam “passar fome” e se ficariam sem “fazer um ranchinho” por ainda não terem recebido seus vencimentos. O sindicato, no entanto, desistiu de uma manifestação oficial.

5 Contatado, o Simers informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se manifestaria nem a respeito do atraso dos salários dos médicos – uma vez que o problema estava solucionado -, nem sobre a postura do secretário.

“Não houve prejuízo aos pacientes”, diz diretor clínico

O diretor clínico do Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), Guilherme Fürst, afirmou que, embora tenham sido registradas manifestações isoladas de plantonistas do Pronto Atendimento em razão do atraso nos salários, “não houve prejuízo aos pacientes”. Ele declarou ainda que na quarta-feira, 6, os representantes do corpo clínico do hospital se reuniram com integrantes da administração para uma explanação da realidade financeira da casa de saúde, e foram informados de que há esforço para um equilíbrio das contas.

Para Fürst, “o mais importante é que a administração do hospital não está apática, já que há ações para superar as dificuldades financeiras causadas pela frustração de repasses do Estado e do IPE”. Ele também criticou os profissionais que preferiram procurar a imprensa antes de buscarem um diálogo com a direção da instituição sobre os salários atrasados. Em relação aos anestesistas, aos quais foi relacionada uma mobilização que teria reflexos em procedimentos eletivos, o diretor clínico esclareceu que “eles pagaram a conta, pois este sim, foi um movimento dos profissionais de todo o corpo clínico”.

PREOCUPAÇÃO – Fürst admitiu que há preocupação com o futuro financeiro do HSSM, mas ressaltou que qualquer hospital terá extremas dificuldades de se manter se os recursos estaduais não entrarem nas contas. “Depende diretamente desses valores. Esperamos que a situação vá normalizando aos poucos, com repasses em dia do atual governo e pagamento dos atrasados da gestão anterior”, comentou. Sobre a participação da Administração de Venâncio Aires na ‘vida’ do hospital, o médico declarou que “o Município faz muito pela casa de saúde, inclusive adiantando recursos, e não tem culpa pelos atrasos do Estado”.

“Cabe a mim, como diretor clínico, garantir que as urgências e emergências sejam atendidas no hospital. E, até onde tomei conhecimento, apesar do movimento isolado de plantonistas, que em sua maioria são de fora de Venâncio Aires, nenhum paciente foi negligenciado.”

GUILHERME FÜRSTDiretor clínico do HSSM

MUNICÍPIO

• Uma comitiva de Venâncio Aires terá agenda na segunda-feira, 11, com a secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann. O encontro ocorre em Porto Alegre, às 13h30min, e foi solicitado pelo prefeito em exercício, Celso Krämer, ao vice-governador, Ranolfo Vieira Júnior.

• O apelo ao vice-governador foi feito por Krämer durante reunião em Porto Alegre, na quarta-feira, 6. “Queremos reforçar o pedido para que o Estado coloque em dia os repasses ao Hospital São Sebastião Mártir. Os valores estão em atraso desde setembro, um débito de aproximadamente R$ 5 milhões”, afirmou.

• O secretário interino de Saúde, Arnildo Camara, acompanhou Krämer no encontro com o vice-governador. A expectativa dele é encontrar uma forma junto ao Estado para resolver a situação e amenizar as dificuldades enfrentadas pelo hospital.

• Segundo Krämer, o vice-governador acompanhará a agenda. “Tentaremos sensibilizar o Governo do Estado para que os repasses sejam feitos o quanto antes”, reforçou.

• O Governo do Estado deve cerca de R$ 1 bilhão para os hospitais filantrópicos e santas casas do Rio Grande do Sul.