Evento lotou o plenário da Câmara de Vereadores na tarde de quinta, 21. (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

O plenário da Câmara de Vereadores lotou na tarde de ontem, durante o 1º Fórum das Águas de Venâncio Aires. Mais de 200 pessoas, entre representantes de entidades, órgãos públicos e estudantes foram conferir os painéis propostos para o evento, realizado na véspera do Dia Mundial da Água, comemorado hoje, 22 de março.

Fazer alusão à data foi pertinente, mas a discussão não quis se restringir a um único momento. Segundo a presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Norma Barden, a intenção foi despertar o assunto para que ele não termine. “A proposta é que se crie uma agenda positiva, porque é algo que não pode esgotar. O adulto precisa assumir e não deixar nas mãos das crianças.”

Norma também coordena a Sala Verde da Associação dos Amigos do Centro Municipal de Cultura (AACEMUC), uma dos organizadoras do fórum. Para ela, o assunto água em Venâncio Aires remete a questões históricas. “Enchente não ocorre por acaso. O esgoto precisa ser tratado. São várias pontas que se interligam. A retificação do Castelhano, os aterros para construção das rodovias, a ampliação urbana. E tudo dentro da bacia hidrográfica, que de uma forma ou de outra, interfere.”

O Castelhano, aliás, norteou a maior parte das explanações, seja para falar da poluição, da mata ciliar ou do programa de preservação das nascentes – que já ocorre em algumas propriedades do interior. O arroio é a principal fonte que abastece o perímetro urbano – mais de 47 mil pessoas.

TAQUARI

Entre os painelistas estava o biólogo Cristian André Prade, coordenador do Projeto de Educação Ambiental voltado ao Programa de Recuperação Sustentável da Mata Ciliar do Rio Taquari-Antas, em parceria com a Promotoria Pública Especializada de Estrela.

Prade contou à reportagem que o programa foi pensado para abranger os 15 municípios os quais o Taquari ‘corta’. Segundo ele, a maior preocupação é o aumento das espécies consideradas exóticas, que invadem o espaço das plantas nativas. O biólogo disse que a ideia é começar, ainda neste ano, uma parceria com as escolas de Venâncio Aires para o programa ganhar ‘corpo’ no município. “Venâncio já tem uma tradição forte, com noção das coisas e consciência. Como no interior, onde os ervais, por exemplo, são espaços agroflorestais. A proposta é unir a conservação ao desenvolvimento agrícola. E isso passa pelas matas ciliares também.”

ORGANIZAÇÃO

A organização do fórum foi da Sala Verde da Associação dos Amigos do Centro Municipal de Cultura (AACEMUC), Sesc, Corsan, Secretarias de Meio Ambiente e Educação, Conselho Municipal do Meio Ambiente, Instituto Gaúcho da Sustentabilidade, Sindicatos Rural e dos Trabalhadores Rurais e Emater.

O evento contou com a participação da bióloga da Secretaria do Meio Ambiente, Daiana Haas; do gerente local da Corsan, Ilmor Dörr; de Gilmar Rodrigues de Oliveira, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais; de Inácio Roberto Gutterres, do Sindicato Rural, do engenheiro agrônomo e chefe do escritório local da Emater, Vicente Fin.

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