Elas podem ser consideradas vencedoras e guerreiras. Foram curadas do câncer e hoje auxiliam pacientes da Liga Feminina de Combate ao Câncer, de forma voluntária, a superar e lutar após receberem o diagnóstico.  E o mais importante: são exemplo de pessoas que não desistiram. Levam a mão amiga até aqueles que necessitam de perseverança para que sigam em frente. São, muitas vezes, amigas e conselheiras nas horas difíceis. São capazes de fazer surgir um sorriso no rosto daquelas pessoas a quem cuidam e dedicam tempo e carinho. Podem transformar lágrimas em esperança ao dizerem palavras de motivação. Isso faz parte das páginas do livro da vida de mulheres como Daniela Graef e Ilene Beatriz Kroth.

Em dezembro de 2003, Daniela recebeu o resultado do exame, depois de perceber uma alteração na pele. Passou pelo tratamento e conta que realizou o acompanhamento trimestral por cinco anos. “Segundo meu médico oncologista, estou em fase de remissão da doença e quanto mais tempo passar, menor é a probabilidade dela reincidir”. Ela iniciou o trabalho voluntário na Liga em 2001, dois anos antes de ser diagnosticada com a doença. Começou a visitar os pacientes a convite da presidente na época e de sua colega de faculdade, Melissa Morsch, que participava desde o estágio de psicologia. Depois de algum tempo, a psicóloga Daniela passou a atendê-los de forma individual e familiar em seu consultório.  

Em julho de 2006, iniciou um trabalho com um grupo de pacientes, homens e mulheres com diversos tipos de câncer, que se reúnem quinzenalmente. Para ela, na atividade voluntária, o mais importante é o que se tem para dar. “é preciso disponibilidade de afeto e dedicação sem esperar nada em troca. é preciso colocar-se no lugar do outro e agir com ele como gostaríamos que ele agisse conosco na posição inversa”. Ela explica que a pessoa que é acometida pelo câncer, geralmente, necessita desenvolver seus recursos internos para lidar com todo o desgaste do tratamento. “Com isso, é preciso encontrar dentro de si ou desenvolver a força de superação que nos torna mais humanos. Ver a luta do paciente e acompanhar todos os seus desafios é uma tarefa que nos toca, mas que também é muito gratificante.”

Nos atendimentos, observa que o medo de morrer e de não se curar são relatados pelos pacientes.  “O que vai acontecer em cada etapa e quem vai estar junto até o final. Também existe o medo de deixar as pessoas queridas e interromper todos o s sonhos que ainda gostariam de realizar”.

Para aqueles que receberem o diagnóstico, Daniela deixa a mensagem de que o melhor a fazer é entregar-se ao tratamento e não à doença. “é enfrentar o processo acreditando na cura e que não vamos estar sozinhos na busca deste sucesso”, finaliza.

Ilene, de 50 anos, teve câncer de mama. Descobriu ao fazer um exame preventivo, quando tinha 45 anos.  Mas anos antes, também já havia iniciado o trabalho de voluntariado da Liga. O tratamento foi realizado com radioterapia e em menos de um ano estava curada. Também passou por uma cirurgia da retirada do nódulo que era menos que um centímetro. “Primeiro vem o momento de desespero, mas a confiança nos médicos auxiliou. Diziam que cada caso é um caso. Não desisti nunca. O importante também é ter fé.”

Na época, a sua irmã também passava pela doença na mama, mas faleceu há dois anos. Conta que sofreu muito por ela, que lutou quatro anos. “Pensei nela quando recebi a cura. Ela ainda me dava força”. Hoje, visita como voluntária um paciente com câncer na próstata. Ilene aprecia o trabalho voluntário e o fato de poder auxiliar de alguma forma. “Além de ter tido o problema e estar curada, posso auxiliar os outros. Não sei como explicar como a gente se sente com o trabalho voluntário”.

LIGA E PACIENTE

A integrante do Departamento Assistencial da Liga Feminina de Combate ao Câncer, Loiva Adams, além de participar da diretoria, também visita a dona Maria Luiza de Oliveira, de 80 anos, uma das tantas pessoas atendidas pela entidade.Loiva assiste a paciente há cerca de seis anos. Realiza visitas frequentes. Antes de ser integrante da diretoria, já auxiliava na Liga. Conta que sempre quis fazer trabalho voluntário.

“Convidaram-me e eu disse que gostaria. Já contribui desde que entrei na Liga e não parei mais.” Para ela, é importante e gratificante atuar como voluntária, pois muitas vezes, emociona. “às vezes quando ela está para baixo, dou exemplo de outras pessoas.”.

Maria reside no bairro Brands e foi diagnosticada com câncer de pele no rosto. O vínculo é muito forte entre as duas, como se fossem da mesma família. Loiva define a paciente como uma pessoa simples e querida. “Temos mais que ajudá-la. Quando tem um aniversário ou alguma coisa ela sempre convida. Somente quem faz este trabalho voluntário sabe como é. Quando nós demos a mão, eles se sentem amparados. Temos confiança uma na outra. Isso nos une cada vez mais”.

Nas palavras da aposentada, pode ser percebida a importância que Loiva tem na sua vida. Ela começou a receber a visita dela em um dia que um grupo da Liga se dirigiu à sua residência. “Eu estava em casa e a Loiva chegou com mais pessoas. Depois disso ela sempre vem. Se não aparece eu estranho. È uma grande coisa para mim, um milagre. é tudo na minha vida, sempre digo que é como se fosse minha irmã.”

Fica a certeza que as visitas de Loiva trouxeram muita alegria para a vida de Maria, que mora com o esposo e tem 11 filhos. Já possui tataranetos. Ela deixa um conselho para aquelas pessoas que forem diagnosticadas com o câncer. “Temos que procurar os recursos e auxílio. Não podemos ficar dentro de casa. Tenho fé em Deus e isso ajuda na recuperação”, afirma.