Reunião com os arrozeiros tratou sobre o uso racional da água nas lavouras (Foto - Edemar Etges/Folha do Mate)

Foi criado, na tarde de ontem, um grupo de trabalho que envolve diversas entidades e a Associação dos Arrozeiros, para junto com a Corsan, encontrar um sistema alternativo de captação de água no Arroio Castelhano. A proposta é encontrar uma solução sustentável e que permita o uso da água deste manancial hídrico pelos arrozeiros em épocas críticas. O encontro que tratou do tema ocorreu no auditório do Parque Municipal do Chimarrão e reuniu arrozeiros, Defesa Civil Municipal e outras entidades.

“Com isso se terá uma água em espécie de reservatório, adutora, ou mesmo numa represa ou barragem”, destaca o extensionista rural do escritório municipal da Emater/RS-Ascar e autor da ideia, Luís Antônio Marmitt. Segundo ele, este estudo já existe e este grupo somente vai servir para dar o pontapé inicial e juntar as forças políticas para tirar o estudo do papel e colocá-lo em prática, pois nos momentos críticos de estiagem, além do uso para as lavouras de arroz, há o consumo urbano.

Marmitt reforçou o que foi dito pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Clóvis Schwertner, de que existem três tipos de consumo de água: industrial, humano e agricultura. “Temos que fazer um acerto entre nós e criar uma estrutura que seja sustentável e que todos possam viver em harmonia, além de se respeitar e respeitar o meio ambiente”, salientou.

USO RACIONAL

Ao abrir os trabalhos, o coordenador da Defesa Civil Municipal, Dário dos Santos Martins, colocou que há a preocupação da baixa vazão dos arroios Castelhano e Taquari Mirim, havendo a necessidade dos arrozeiros usarem de forma racional para abastecerem as suas lavouras. Há, ainda, a preocupação com os investimentos que os produtores têm com as suas lavouras e que eles façam a outorga do uso da água, evitando penalizações. Além disso, que os produtores gerenciam de forma adequada a sua produção para que não tenham perdas.


“O produtor precisa usar de forma racional e regrada a água para irrigar a sua lavoura de arroz.”

DÁRIO DOS SANTOS MARTINS – Coordenador da Defesa Civil Municipal


Os arrozeiros destacaram que sempre fizeram e fazem o uso racional da água nas lavouras de arroz. Rechaçaram as acusações que a eles são atribuídas que eles são os responsáveis diretos pela baixa vazão da água dos arroios. “É o contrário. Nós é que fazemos que aumente a vazão dos arroios, pois assim que os quadros estão cheios, devolvemos a água para os mananciais”, observou Daniel Kessler, morador de Linha Harmonia da Costa.


“Os arrozeiros têm a consciência de que quando não necessitam mais da água nas lavouras, eles a devolvem aos arroios, evitando assim, o desperdício.”

DANIEL KESSLER – Produtor Rural


Marmitt reforçou que desde os produtores de arroz adotaram o sistema de produção pré-germinado, reduziram em 50% o consumo de água nas lavouras e que aumentaram o rendimento de 100 para 160 sacos por hectare. Lembrou que em meados da década de 90, um grupo de arrozeiros de Venâncio Aires visitou três municípios de Santa Catarina para conhecer este sistema de produção.

UAMVA

O engenheiro agrônomo Fernando Ribeiro Heissler defendeu que o uso racional da água seja tratado com a União das Associações de Moradores de Venâncio Aires (Uamva) e que seja tirada a culpa dos produtores de arroz pela baixa vazão dos arroios. “Infelizmente, os arrozeiros sempre são vistos como vilões em época de estiagem”, observou.

Grupo de estudo

O grupo será composto por representantes das secretarias municipais de Desenvolvimento Rural e de Meio Ambiente, Defesa Civil Municipal, escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), Sindicato Rural e pelos arrozeiros Eric Gava, Daniel Kessler, Fabiano Schimuneck e André Pereira. A primeira reunião do grupo ocorrerá na segunda quinzena do mês de fevereiro, em data ainda a ser definida.

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