Odilo passa seguido na ponte de Linha Arroio Grande e manifesta preocupação com o estado da estrutura (Foto: Alvaro Pegoraro/ Folha do Mate)

Quem mora em Linha Arroio Grande ou arredores, ou até mesmo quem circula pela localidade, deve ter visto, ouvido falar ou até passado na ponte que está com danos estruturais e cedendo. A ponte que liga a ERS-422 à comunidade, de acordo com relatos de moradores mais antigos, é a quinta que está ‘condenada’. O agricultor Arno Raasch, de 66 anos, mora em Linha Arroio Grande desde os 3 anos de idade. “Pelo que me lembro, essa aqui já é a quinta ponte que está caindo”, comenta.

Mas as histórias que Raasch coleciona são inúmeras. Ele conta que, na década de 90, um carro passou na ponte, seguido de um ônibus que fazia e linha Venâncio Aires/Linha Isabel. “A gente estava na lavoura ali do lado da ponte e, assim que o ônibus passou, ela caiu. Foi um susto, um monte de gente poderia ter morrido”, relembra.

Raasch ainda diz que as duas primeiras pontes eram de madeira, com toras de eucalipto. “A segunda ponte de madeira se foi com uma enchente. A água levou ela toda embora”, afirma. Depois, uma de concreto foi construída. “Logo que construíram ela, em 1956, já se notava a estrutura cedendo, e não deu outra, caiu também”, expõe o agricultor.

PERIGO

Além disso, o morador garante que várias partes das outras pontes encontram-se soterradas e submersas no arroio Castelhano. A atual ponte cede mais a cada enchente. Segundo Raasch, após fortes chuvas, a água acaba passando por cima e, com isso, a estrutura é afetada. “Ela está descendo cada vez mais. Quando vê acontece um acidente”, lamenta.

Morador do bairro São Francisco Xavier, Odilo Grünhäuser, de 68 anos, tem terras em Linha Arroio Grande e frequentemente passa pela ponte com o seu trator para buscar pasto para os animais. “Cada dia que passa a gente se assusta mais. A ponte está cedendo muito, enquanto não morrer alguém, parece que não fazer nada. Isso não chama atenção, mas é muito perigoso”, alerta Grünhäuser.

Além da estrutura que está cedendo, ferros estão à mostra, causando perigo para quem passa pela ponte (Foto: Alvaro Pegoraro/ Folha do Mate)

Conserto está no cronograma

Entretanto, a promessa de conserto será cumprida, segundo a Prefeitura, que está realizando uma série de recuperações de pontes. O secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Renato Gollmann, anunciou que a próxima ponte a ser recuperada é a de Linha Arroio Grande. “Nossa meta é fazer uma ponte nova neste ano para aquela comunidade. Nosso primeiro passo é ir atrás de orçamento, afinal será uma ponte nova, por isso muda um pouco em relação ao valor das outras que foram apenas recuperadas”, afirma.

De acordo com Gollmann, a equipe da secretaria fará a nova ponte de Linha Arroio Grande, dessa forma, a obra será mais barata e rápida. Sem projeção de custos até o momento, o secretário diz que a intenção é iniciar a obra nos próximos dias e concluí-la ainda em 2020.

“Essa já é a quinta ponte que está prestes a cair desde que moro aqui. Já teve de tudo: água levando ponte, ponte cedendo e quase aconteceu uma tragédia na década de 90, quando um ônibus tinha acabado de passar e ela caiu. Isso é uma verdadeira novela. A gente espera que agora dê certo.”

ESTRUTURAS RECUPERADAS

  • Na última sexta-feira, 14, a obra de ampliação da ponte do Corredor dos Macacos foi concluída e entregue à comunidade. A ponte liga o bairro Santa Tecla a Linha Olavo Bilac, na rua Felipe Henrique Schwingel.
  • Além da necessidade de alargamento, o objetivo maior desta construção é de dar mais vazão para as águas do arroio Castelhano, que em períodos de chuvas intensas e cheias nas cabeceiras, ultrapassavam a altura, transbordando e impossibilitando a passagem de veículos, aumentando em três quilômetros o desvio e acesso a Linha Olavo Bilac.
  • Foram construídas galerias e cabeceiras nas duas laterais e colocados dois canos de dois metros de diâmetro. Para dobrar o tamanho da ponte, foram usadas mais de 1,5 mil pedras de alicerce, além de limpeza e retirada de material, como cascalhos e resquícios de galhos trazidos pela correnteza.
  • Já na manhã de terça-feira, 18, aconteceu o ato de entrega e conclusão da duplicação da ponte na Linha Coronel Brito. Um pedido de muitos anos da comunidade que causava preocupações diárias com o trecho estreito da rua Gustavo Büllow, que liga o bairro Coronel Brito a Linha Ponte Queimada.
  • A ponte passou de quatro para 6,5 metros de largura, permitindo a circulação de veículos leves e pesados em duas pistas. Antes, o trecho possibilitava apenas a passagem de um automóvel por vez. A obra foi concluída com a construção de bases de sustentação, cabeceiras de concreto, limpeza das margens da via, colocação de grade para contensão, pintura e a sinalização de ambos os lados.
  • A obra foi toda realizada pela equipe da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, sob a coordenação de Lindomar Pereira e com cinco servidores. Além disso, segundo a Prefeitura, as pontes de Linha Andréas e de Linha Julieta também foram recuperadas pela Administração nos últimos meses.
Moradores e representantes da Prefeitura na ponte do Corredor dos Macacos, cuja obra foi concluída e entregue à comunidade(Foto:Leandro Osório/AI Prefeitura)
Ponte da Linha Coronel Brito também foi recuperada pela equipe da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Foto: Leandro Osório/AI Prefeitura)

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