Família Kist está preparando o tabaco para a primeira venda este ano. (Foto - Edemar Etges/Folha do Mate)

A cada ano, o fumicultor, ao efetuar o plantio do tabaco, vive a expectativa de colher uma safra cheia, o que infelizmente este ano, não vai se confirmar. E os motivos principais são o excesso de chuvas verificado entre os meses de agosto e outubro e agora, a falta. Porém, como a estiagem que está presente desde o dia 5 de dezembro vem causando uma acentuada queda na produção, os fumicultores vivem a expectativa de uma boa comercialização na hora da venda.

É o caso da Família Kist, da Linha Hansel, que nesta safra plantou 170 mil pés e cuja colheita encerrou no dia 26 de dezembro. Assim como os demais fumicultores, Kist espera que as indústrias pelo menos comprem o tabaco dentro da classe e paguem um preço acima do índice pleiteado pelas entidades representativas da categoria. “Nenhum fumicultor merece vender mal já na primeira entrega e, como a situação na agricultura não está bem, vendendo mal, vai piorar ainda mais”, observa. O produtor acrescenta que além da quebra na safra de tabaco, também vem enfrentando sérios problemas com o milho da safra e da safrinha que em função da estiagem não está se desenvolvendo normalmente, pois o cereal também é uma agregação de renda da família. Kist estima ainda que já há perdas instaladas nas frutíferas e em outras culturas, como as hortaliças.

Kist, que desenvolve a atividade com a esposa Claudete e o filho Marcelo, conta que como plantou o tabaco cedo, este não sofreu com a ausência da chuva dos últimos meses, e sim, teve sérias perdas nas apanhas baixeiras com o excesso de chuvas, pois o produto chegou a apodrecer dentro das estufas durante o processo da cura e da secagem, sem levar em conta que a qualidade é muito ruim.

Com as tabacaleiras vão abrir a compra a partir da próxima segunda-feira, 13, Kist está preparando o tabaco para a venda. Porém, a estiagem prejudica e faz com que a umidade que o tabaco tem na pilha, seque assim que for fazer a classificação.


“A situação na agricultura não está muito boa e se as empresas não comprarem bem o nosso produto, vai piorar ainda mais.”

CLÉRIO KIST – Fumicultor


PERDAS

A primeira estimativa de quebra realizada pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) no fim do mês de outubro em função do excesso de chuvas era de 16% no Rio Grande do Sul, contrário de Santa Catarina e Paraná, que registram aumento de produção e isto ocorre porque estes estados tiveram uma melhor distribuição das chuvas. “Acreditamos que com a estiagem, as perdas até agora já chegam a 30% no estado. É uma quebra muito grande e o que mais causa temor é que a estiagem sempre traz um produto de qualidade inferior se comparada ao excesso de chuva, que não traz tanto prejuízo ao produtor em questão de qualidade”, salienta o presidente da Afubra, Benício Werner.

PREÇO

Quanto a possibilidade da quebra na produção trazer algum reflexo no preço, Werner observa que sempre quando a oferta é menor do que a demanda, ela determina um preço médio pelas indústrias maior do que quando se tem uma oferta maior do que a demanda. “Porém, infelizmente vão faltar aqueles quilos em função da quebra de safra e certamente não vai compensar o preço médio maior com a perda de quilos que o produtor vai ter”, frisa.


“A expectativa, sem dúvida nenhuma, é que se nós tivermos uma falta de produto, o fumicultor vai ter um preço médio melhor.”

BENÍCIO WERNER – Presidente da Afubra


SAIBA MAIS

  • 664.350 mil toneladas foram produzidas na Safra 2018/19, aumento de 3% em relação à safra 2017/18.
  • Preço médio praticado na Safra 2018/19 foi de R$ 8,83 o quilo contra R$ 9,15 o quilo da safra anterior.
  • Previsão inicial de produção de 646.990 toneladas para esta safra não deve se confirmar em função das adversidades do clima, não devendo ultrapassar as 600 mil toneladas.
  • O percentual colhido em Venâncio Aires, conforme dados da Afubra, está em torno de 80%.

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