Antoni e Kaufmann ouviram a situação vivida por João Vanderlei Bechert e Elisane Dias (Foto - Edemar Etges/Folha do Mate)

“Sem dúvida alguma, a região serrana de Venâncio Aires é a que registra a maior quebra da safra atual de tabaco. Ainda não temos os dados oficiais, mas pelo que vimos, a perda poderá chegar a 50% se não chover satisfatoriamente logo”. A constatação é do secretário municipal de Desenvolvimento Rural, André Kaufmann, que na manhã da quinta-feira, 9, acompanhado do técnico da secretaria, Gérson Antoni, visitou fumicultores de Linha Paredão Pires.

Kaufmann conversou com João Vanderlei Bechert, que junto com a esposa, Elisane Fátima Dias tem plantada a quantia de 50 mil pés. Mesmo com toda a quebra, ele ainda estima colher 400 arrobas. Porém, está ciente de que se não chover, talvez não vá conseguir colher mais do que 300, podendo chegar a 350 arrobas, o que corresponde a uma média de quatro a seis arrobas por mil pés. Bechert frisou que se fosse um ano de clima normal, colheria 500 ou até mais arrobas, quantia que colhe em anos de clima normal. Em alguns casos, talvez não chegue a três arrobas por mil pés e têm lavouras que não compensa colher.

Além da quebra no tabaco, Bechert se preocupa com o milho, pois plantou uma área que agora está na fase de pendoamento e deposição de grãos. Espera conseguir plantar o milho na resteva e assim, garantir alimento para a família e trato para os animais da propriedade. Assim como os demais fumicultores, com a quebra na safra, Bechert tem a expectativa de boas vendas, com preço justo e superior ao que recebeu na safra passada, pois o tabaco é a renda principal da família. “Temos o ano todo pela frente para viver e a próxima safra ainda está muito longe e esperamos que transcorra normalmente”, observou.


“Mesmo com todas as dificuldades que estamos enfrentando nesta safra, não podemos nos entregar. O jeito é erguer a cabeça porque a vida segue.”

JOÃO VANDERLEI BECHERT – Fumicultor


Outro produtor com quem Kaufmann conversou é Sandro Rafael de Queiroz, que confirmou que o milho intermediário – plantado a partir de meados de outubro, e que o tabaco, apesar da ausência de chuva, apresenta um desenvolvimento razoável, deixando a desejar na produtividade e na qualidade. Queiroz reforçou que os fumicultores foram atingidos duplamente: primeiro, foi o excesso nos meses da primavera e o segundo está ocorrendo agora, que é a falta.


“Se não chover nos próximos dias, vai frustrar as estimativas e o nível destes fumicultores.”

ANDRÉ KAUFMANN – Secretário Municipal de Desenvolvimento Rural


ÁGUA

Quanto à água, Kaufmann confirma que aquela localidade ainda não enfrenta o problema da falta, pois a municipalidade instalou o sistema Salta-Z, que garante o fornecimento para o consumo humano. Para os animais, a situação também está praticamente normal pois os açudes apresentam baixa redução no volume. O secretário frisa que, até agora, a secretaria recebeu uma solicitação de carga de água de um produtor daquela localidade, mas que este produtor pode buscá-la no sistema Salta-Z.

SAIBA MAIS

  • Segundo dados repassados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, até o fim do dia desta sexta-feira, 10, foram recebidas e atendidas 32 solicitações de cargas de água para consumo humano.
  • O número de solicitações de água para consumo dos animais soma dez e foram atendidos seis.
  • Cada carga de água para consumo humano é de 5 mil litros.
  • Solicitações de limpeza de açudes para captação de água para os animais soma em torno de 80, tendo sido atendidas em torno de 40.
  • As regiões do 2º e 9º distritos são as mais atingidas com a falta de água e 100% das solicitações de cargas são daquela região.
  • Os dois distritos também concentram o maior número de pedidos de limpeza de açudes – em torno de 90%.

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