Decoração de Natal da casa de Joice neste ano é ainda mais especial, já que é a primeira celebração na casa nova (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

Novembro recém tinha chegado e o vermelho e branco já estava em evidência nas casas, lojas e escolas. O ano de 2020 foi bem diferente para toda a população. Reinvenção nas formas de trabalho e estudo e muito mais tempo em casa. Talvez esse seja um dos motivos do clima natalino ter chegado mais cedo, junto do momento de introspecção, avaliação dos sentimentos e recordação dos momentos bons e ruins vividos.

A psicóloga Karen Taís Scheibler relaciona a antecipação do clima natalino com as mudanças do ano atípico que toda a população viveu, devido à pandemia de coronavírus. A profissional ressalta que as mudanças, reestruturações e desafios trouxeram uma sensação de incerteza e os preparativos para o Natal podem ser explicados pelo desejo de mudança de perspectiva, estender sentimentos positivos, de esperança. “O clima natalino que se aproxima geralmente nos evoca momentos felizes, em família, que trazem sentimentos de tranquilidade, segurança e que nos fazem olhar para o futuro ansiando por dias melhores”, salienta.

Mais do que a decoração em si, Karen afirma que o momento destinado para essa preparação, com a família reunida, é o que o torna especial e emotivo. “O ato pode trazer memórias e recordações positivas e, assim, evocar sentimentos. Da mesma forma, algumas pessoas remetem esse momento a recordações difíceis vividas, por isso, não atribuem tanta importância à decoração natalina em si”, destaca.

Os sentimentos despertados no Natal podem ter relação com lembranças de momentos marcantes da infância ou do decorrer da vida, sejam positivos ou não. A psicóloga reforça que isso é bom, pois é importante esse momento de introspecção. “O que devemos ficar atentos é se o sentimento de tristeza persistir por mais semanas, se a pessoa se privar de coisas que antes gostava, se isolar, é importante buscar ajuda”, declara.

Karen explica que, simbolicamente, o fim do ano representa o encerramento de um ciclo e também, por isso, surge a necessidade de reavaliar as escolhas e atitudes. Neste sentido, nasce a vontade de avaliar o que foi válido e rever o que pode ser modificado para obter melhores resultados no futuro. “Nossa memória tem a capacidade de evocar nossos sentidos, por isso lembramos dos gostos e aromas das receitas da infância, e músicas nos trazem sentimentos de momentos específicos”, cita.

UM ANO ESPECIAL

Joice Cristiani Flôres Nicolay, 33 anos, e o marido, Alex Nicolay, sempre tiveram o hábito de enfeitar a casa no Natal e Páscoa. Ela acredita que devido ao ano totalmente diferente, está com ainda mais vontade de vivenciar a magia do Natal.

Na casa própria conquistada recentemente, Joice colocou dois enfeites na porta e comprou uma árvore nova e maior para compor a decoração. Diretora da Escola de Educação Infantil Casa da Amizade do HSSM, Joice ressalta que o verdadeiro sentido do Natal está no propósito religioso, mas a decoração traz um sentimento bom para a época de fim de ano. Ela recorda que, na infância, a mãe não tinha condições de investir em peças de decoração, mas nunca deixou a data passar em branco.

Joice recorda que a árvore de Natal era um galho seco dentro de uma lata de tinta com alguns enfeites. “Todas as coisas fazem parte do Natal, decorar a casa com árvore natalina, luzes coloridas, reunir amigos e familiares, trocar presentes. Nada disso é errado, desde que o principal motivo para tanta celebração seja relembrar o nascimento do menino Jesus”, reforça.

Natal nos remete à magia, realizações de desejos, novas possibilidades. Organizando nossas casas para essa época do ano, esses sentimentos podem se tornar mais presentes. É importante reviver o passado, mas apenas como forma de experiência de vida, não como algo desejado a ser vivido novamente. O futuro está repleto de possibilidades e oportunidades de criação de novos momentos positivos e felizes.”

KAREN TAÍS SCHEIBLER

Psicóloga

 

Psicóloga Karen Scheibler

Como vivenciar o clima de Natal em casa?

Psicóloga Karen Taís Scheibler: Esse ano, grande parte das famílias teve um convívio mais próximo e intenso em virtude da necessidade de isolamento social. O que eu acredito que pode ser aproveitado para tornar mais constante o diálogo e a troca de experiências, como, por exemplo, proporcionar uma conversa entre gerações, como avós e netos, em que os mais velhos relatem sobre as diferenças na comemoração dessa data.

Quem sabe resgatar uma memória gustativa, de algumas receitas natalinas, dos aromas da comida sendo preparada em casa. Em nossa região, é comum ouvir sobre a tradição do preparo de doces de Natal, que tal tentar prepará-los em casa com as crianças? Ou então retomar brincadeiras da infância dos pais. Brinque com seu filho, reviva memórias e experiências agradáveis de sua própria infância. O mais importante: esteja presente. Mais significativo do que o número de horas passadas com as crianças ou familiares é a intensidade e a intenção depositada nessa relação. Quais são as memórias que estamos construindo para nossos filhos? Como eles se recordarão da época de Natal? Crie memórias afetivas significativas para si mesmo e suas pessoas queridas.

“Um Natal sem abraços”

Para o Papai Noel Gilmar Gassen, 59 anos, este será o primeiro fim de ano sem a roupa vermelha, barba branca e touca natalina depois de quase três décadas. Ele conta que, normalmente visitava 15 casas na véspera de Natal, fora algumas visitas no dia 25 e em outros eventos durante todo o mês de dezembro.

Além da visita nas residências com agendamento para a véspera e o dia de Natal, participava de eventos e fazia trabalho voluntário em entidades beneficentes. “Começava a vestir a roupa de Papai Noel nos primeiros dias de dezembro e seguia durante todo o mês”, completa.

Este ano, em virtude da pandemia de coronavírus, optou por não fazer as visitas. “Já estava com algumas visitas marcadas, mas é muito arriscado. Não me preocupo somente em contrair o vírus, mas em passar para outras pessoas”, reforça. Por precaução, Gassen vai encerrar a temporada de Papai Noel em Venâncio Aires com o que foi feito no ano passado, já que está de mudança para Imbituba/SC. “Estou triste, chateado. Depois de mais de 30 anos, é um final de ano com um sentimento totalmente diferente”, completa.

O Papai Noel esperava poder encerrar neste ano o ‘trabalho’ no município, mas espera que no próximo ano esteja em uma realidade diferente. “Ficam as lembranças e histórias de muitos momentos bons, dos abraços e sorrisos das crianças”, finaliza.

Gassen com filhos e sobrinha em uma das noites natalinas de anos anteriores (Foto: Arquivo pessoal)

Espaços públicos começam a receber decoração

A tradicional decoração nas praças e vias públicas de Venâncio Aires, liderada pelo Gabinete da Primeira-dama, deve acontecer de forma diferenciada neste ano. Como não é possível decorar as duas praças inteiras para evitar a aglomeração de pessoas nos locais, a intenção é que seja feita a decoração nas ruas.

Segundo a chefe do Gabinete da Primeira-dama, Ana Luísa Posselt, há um projeto de decorar a rua principal e a Avendida Ruperti Filho, que é uma via onde as pessoas passam de carro e podem contemplar a decoração.

Já começaram a ser colocadas algumas peças que sobraram da Páscoa, com mensagens, na Praça Evangélica. A programação de Natal ainda não está definida, mas é provável que se faça algo em formato drive-in para evitar a aglomeração de pessoas.

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