Foto: Carlos Dickow / Folha do MateJovi carrega a missão de levar o chimarrão para o seu país
Jovi carrega a missão de levar o chimarrão para o seu país

O interesse em aprender uma nova língua levou o sul-africano Jovald Henriksen, 24 anos, conhecer o chimarrão. Mas ele não esperava que a bebida tradicional dos gaúchos se tornaria um projeto de vida. Atualmente Jovi, como gosta de ser chamado, percorre cidades de diferentes países para conhecer a tradição e o hábito da erva-mate. Neste percurso, o africano parou em Venâncio Aires, onde conheceu a Festa Nacional do Chimarrão e participou do Congresso Brasileiro de Erva-Mate, realizado no dia 5.

De mochila nas costas, Jovi saiu da Cidade do Cabo, na áfrica do Sul para o que ele mesmo definiu como uma aventura idealista. “Quero conhecer mais a erva-mate e porque não torná-la um negócio no meu país?”, questiona. Segundo ele, tudo não passa de projetos, mas afirma estar focado em conhecer in loco os costume e a tradição que envolve o setor ervateiro.

Jovi, que é formando em Negócios, acredita no potencial da erva para o comércio internacional, apesar do quilo do produto, na áfrica, oriunda da Argentina, custar, em média, R$ 50 atualmente. Segundo ele, a alta no preço devido a crise do setor, também chegou no exterior. “Em 2010 custava R$ 25.” No entanto, o preço não foi criticado pelo africano. Para ele, a erva-mate merece um melhor preço devido a qualidade e benefícios para a saúde.

Como tudo começou

Jovi, como qualquer outro sul-africano não conhecia nada sobre erva-mate, até fazer um intercâmbio para a Argentina, o maior exportador mundial do produto. Depois que se formou em Negócios, em 2011, então com 18 anos, ele quis se aperfeiçoar e aprender uma nova língua, foi então que resolveu aprender espanhol. E foi na terra dos hermanos que conheceu a bebida. “Pela primeira vez eu não gostei, achei amargo, terrível, mas quis me acostumar pois todo mundo tomava.”Durante o ano que esteve em Bueno Aires, Jovi cursou espanhol durante um mês. De volta à áfrica, passou a lecionar a língua. Como professor, Jovi não se contentou em ensinar apenas a gramática e introduziu nas aulas o mate que aprendeu a preparar na Argentina. “Eu esperava que ninguém iria gostar, mas os alunos se encantaram quando apresentei a cuia, bomba, acredite.” Segundo ele, as aulas se tornaram mais dinâmicas e a erva-mate – trazida na viagem – garantia mais energia para as aulas.

A erva-mate como fonte de um novo negócio

Foi nas aulas de espanhol que Jovi passou a ver a planta como um empreendimento. “No fim do curso me pediram erva-mate e não tinha onde comprar, além disso, a entrada de erva-mate no país enfrenta problemas de burocracia e altos impostos”, relata. Em 2011 o jovem criou uma página no Facebook justamente para buscar informações de como comprar o produto. “Vi que podia comprar em todos continentes fora da áfrica e foi assim que surgiu a ideia de importar erva e vender.” No ano passado ele criou o site www.yerbamatesouthafrica.com também para essa finalidade.

Quero compartilhar algo saudável

“Talvez muitos se perguntem, porque estou investindo tanto tempo e dinheiro para conhecer a erva-mate? Pois tenho respostas”, garantiu Jovi, em português (aprendido em poucas semanas no Brasil). Segundo ele, a áfrica tem uma população superior a 1 bilhão de pessoas e uma parte sofre com sérios problemas de pobreza. Portanto, reforça as propriedades medicinais que fazem da erva-mate um produto completo e saudável. “Ela alimenta, pois tem muitas vitaminas e é um produto relativamente barato, que garante energia. Imaginamos agora um africano que talvez come uma vez ao dia. Depois de tomar um chimarrão ele vai se sentir muito melhor.”

 Me senti um venâncio-airense em 24 horas

Na sua aventura, com uma mochila nas costas e pouco dinheiro, busca caronas e se preciso, troca seu trabalho por alguma estadia. Jovi chegou no Brasil dia 16 de março, a fim de também fazer contatos com a indústria brasileira e aprender o português. No entanto, sua viagem também contempla visitas a outros países da América do Sul. 

Após participar da Fenachim, o jovem seguiu para Montevidéu, no Uruguai, onde participou do Congresso Sul Americano de Erva-Mate. Antes de retornar à sua terra, Jovi vai trabalhar por quatro semanas em uma ervateira no Paraguai.Em Venâncio, além da Fenachim, Jovald Henriksen conheceu o Museu e as instalações da ervateira Madrugada. Nos dias que pernoitou na Capital do Chimarrão, embora tivesse reservado uma estadia em pousada, teve o apoio da família de José Antônio Marmitt, integrante da comissão social da festa, que imediatamente mostrou a hospitalidade e o espírito voluntário do povo local. “Vocês são o povo mais hospitaleiro do mundo. Me senti um venâncio-airense em 24 hora”, relatou Jovi. O jovem tem retorno ao seu país marcado para o dia 4 de agosto.