Assim, a uma certa distância, Nick (no colo de Tatiana) e Laicka (ao fundo, com Alex), mantêm a convivência (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

Essa poderia ser quase uma história como a de Davi e Golias. Mas, diferente da versão bíblica, aqui o duelo das personagens não terminou em tragédia e até tem sido um exemplo de convivência. Pelo menos em parte.

Nesse caso, a livre comparação com Davi e Golias é apenas devido ao tamanho. Nick, uma mini Dachshund (popular Salsicha) de 4,5 kg e poucos centímetros contrasta completamente com Laicka, uma fêmea de Dogue Alemão de 60 kg e quase um metro de altura.

Essas meninas de nomes ‘americanizados’ e cheios de consoantes por opção dos donos, são os xodós de Alex e Tatiana Nicolini. “Na verdade elas se odeiam”, entrega Tatiana, entre risos. A explicação para o sentimento às avessas pode ser explicado pela própria personalidade delas.

A começar por Nick que, com dois anos, já teria ficado rabugenta e ‘contra todos no mundo’. Pequena, sempre ficou dentro de casa, no máximo no pátio da frente. A primogênita reinou absoluta até os 3 anos, quando os Nicolini trouxeram Laicka. Esta, um Scooby Doo da vida real, quando filhote já era maior que a companheira.

“Quando a Laicka cresceu um pouco, sempre quis brincar. Mas a Nick não gostava, só rosnava. A Laicka, então, percebeu que era maior e quis mostrar isso”, lembra Alex, ao relatar o dia em que ‘Golias’ abocanhou ‘Davi’.

A quase tragédia foi evitada a tempo, mas não as marcas. Nick quebrou uma costela e ali os Nicolini entenderam que não dava para ‘forçar’ a amizade. Desde então, Nick fica quase que integralmente dentro de casa e Laicka é dona do pátio dos fundos. A porta que dá acesso uma à outra fica sempre aberta, mas elas se respeitam e fica cada uma no seu quadrado.

PARECIDAS

Diferentes no tamanho e em algumas características, tem um aspecto que as une fortemente: o amor pelos donos. “Ambas são cães de guarda. Elas têm uma parceria muito legal para avisar se tem algo estranho, alguém diferente. Sem falar na ciumeira. E são nossas fieis parceiras”, conta Tatiana.

Cuidadosas com seus respectivos espaços, são muito higiênicas e só fazem as necessidades fisiológicas em lugares fixos. Se não têm acesso imediato, ‘seguram’ até ficar à vontade.

Além do carinho com o casal, as cachorras também combinam a hora de ‘pedir’ comida. Enquanto Nick vira o pote, Laicka late numa espécie de choro. Mas a comparação acaba aí, porque a pequena só não come pedra e cebola crua, e a grande fica praticamente na ração, mas cerca de 1 kg por dia.

Quando Laicka era filhote, um dos raros momentos de aproximação com Nick (Foto: Arquivo Pessoal)

CHEGADA DA VELHICE

Nick e Laicka também diferem quando o assunto é idade. Ou seja, cada uma das raças tem uma expectativa de vida diferente, mas ambas já estão na fase, digamos, da velhice. Nick tem 12 anos e a média de um Salsicha chega a 16. Já Laicka, com 9, é de uma raça que vive, na média, até 10 anos.

Apesar dos pelos brancos e alguns dentes gastos, ambas demonstram bastante vitalidade. De extraordinário, já precisaram de medicação e tratamento. Nick tem três hérnias na coluna (o que é comum para os Dachshund) e Laicka já chegou a tomar cálcio, devido à estrutura de ossos grandes e pesados (o que também é normal em um Dogue Alemão).

Mas, fora isso, seguem vivendo bem e se depender dos Nicolini, por muito tempo ainda, como define Tatiana. “Se fosse possível, queria que fosse para sempre.”

Peraltices

  • Quando filhotes, já aprontaram das suas. Nick comia o que estava à mostra, incluindo puxadores de gaveta, batons, cartuchos de tinta e dois celulares. Laicka já se machucou ao morder um anzol.

 

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