Catherine tem 25 anos, é professora de Português e Inglês e foi contemplada com uma bolsa de mestrado no Reino Unido (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

No início de setembro, a venâncio-airense Catherine Luiza Werlang, de 25 anos, embarca para o Reino Unido, onde, durante um ano, viverá uma das experiências mais desafiadoras da sua vida. Formada em Letras Português/Inglês pela Universidade do Vale do Taquari (Univates) desde 2017, Cathê, como é carinhosamente conhecida, foi contemplada com uma bolsa de estudos do programa Chevening. Na Europa, a moradora do bairro Brígida vai estudar linguística aplicada na Universidade de Edimburgo, onde há um departamento considerado referência nessa área.

Filha de Janice Both Werlang e de Gerson Werlang, a irmã da Carolina Werlang cursou o Ensino Fundamental e Médio no Colégio Bom Jesus Nossa Senhora Aparecida. Dedicada, estudiosa e fã de ler desde criança, a jovem conta que antes de optar pelo curso de Letras foi acadêmica de Comércio Exterior durante um ano. No entanto, foi como professora que encontrou a realização profissional. Profissão essa que Cathê compartilha com a mãe, o avô, três tias e, futuramente, também dividirá com a irmã caçula.

E foi com o apoio e incentivo recebido dos professores e da família, ao longo de toda a vida de estudante, que ela diz ter sido possível conquistar a bolsa de mestrado na capital da Escócia. “A vida inteira, todos os professores que tive, sempre estimularam muito a leitura. Por isso, a escola também teve um papel importante. Cheguei na universidade muito bem preparada”, avalia.

Além disso, no curso de Letras da Univates, Catherine encontrou estímulo dos docentes, em especial para a realização de pesquisas e aplicações práticas. Com eles também aprendeu a valorizar a profissão que exerce. “A Univates tem um ensino de linguística muito bom. As professoras sempre acreditaram muito no nosso potencial. Inclusive, eu tive um professor que falava que a linguística também é uma ciência”, acrescenta.


“Felizmente sempre tive bons professores na área da linguagem. Essa não é uma conquista de agora. É um processo que vem desde a educação infantil. Todos os professores foram responsáveis. Todos foram importantes.”

CATHERINE WERLANG – Professora


TRABALHO E ESTUDO

A rotina da professora Cathê costuma ser bem agitada. E foi assim desde sempre. “Sempre trabalhei e estudei”, comenta. Em Venâncio Aires, ela já lecionou em várias escolas do interior. Atualmente, tem vínculo com três: duas da rede pública e uma da rede privada. Contratada pelo Estado, a jovem leciona, desde 2016, disciplinas de Português e Inglês na escola Pedro Beno Bohn, em Vila Arlindo, e desde julho ensina Inglês na escola Frida Reckziegel, de Vila Palanque. Além disso, Catherine ministra aula de Inglês e uma disciplina de Literatura Inglesa no Colégio Gaspar Silveira Martins.

Segundo a jovem, iniciativas colocadas em prática com os alunos em sala de aula a auxiliaram na hora de concorrer à bolsa de mestrado. “Muitos dos projetos que eu desenvolvi foi porque eles se comprometeram e auxiliaram. Eles são a razão de eu ter conseguido a bolsa, porque se eu não tivesse isso, não teria chegado até aqui”, destaca. Por esse motivo, em clima de despedida, a ‘profe Cathê’, deixa um recado especial para os estudantes: “um beijo para todos os meus alunos, principalmente para o 9º ano da escola Pedro Beno Bohn, turma que sou paraninfa.”

Cathê acompanhada da mãe Janice, do pai Gerson e da irmã caçula Carolina (Foto: Arquivo pessoal)

A BOLSA

  • Catherine ficou sabendo da bolsa em 2013. Em 2017, ela se inscreveu, mas não passou da primeira fase. Em agosto do ano passado ela começou, novamente, o processo para conseguir estudar na Europa, e depois de passar por quatro etapas recebeu, há cerca de três semanas, a carta de aceitação, da bolsa e da universidade, para cursar o mestrado em linguística aplicada.
  • Todo processo para conseguir a bolsa começou com a escrita de quatro textos. Nos documentos, a professora precisava escrever sobre a capacidade de liderança, capacidade de estabelecer e manter relações (networking), explicar porque queria estudar nas universidades para as quais se candidatou e porque desejava estudar no Reino Unido e falar sobre os planos de carreira. Paralelo a isso, a jovem precisava aplicar sua inscrição para as universidades. A jovem também precisou apresentar cartas de recomendações escritas por professores e o histórico acadêmico da universidade.
  • Em fevereiro, Cathê ficou sabendo que havia sido selecionada para a segunda etapa chamada de long list. Os nomes que estão nessa lista maior foram enviados para as embaixadas britânicas de cada país. No Brasil, a seleção de quem seguiria para a próxima etapa aconteceu em Brasília.
  • Depois disso, as pessoas passaram a integrar uma lista menor e foram chamadas para participar de uma entrevista, que no caso de Catherine, aconteceu no começo de abril, em Porto Alegre, com representantes da embaixada britânica no Brasil.
  • O curso de mestrado tem duração de um ano e é integral. Ou seja, as aulas acontecem de forma concomitante com a escrita da dissertação. Cathê ficará instalada nas acomodações da própria universidade e as aulas no Reino Unido começam no dia 9 de setembro.

EXPECTATIVA

A conquista da bolsa foi motivo de alegria para a família de Catherine e a partir de agora a expectativa da jovem é conhecer mais bolsistas. Ela também está curiosa em relação a mudança de rotina e ao fato de viver na universidade. Durante o ano que ficará na Europa, Cathê diz que pretende continuar praticando natação e encontrará uma maneira de preparar o chimarrão e o feijão, bebida e prato que gosta muito.

  • EXPERIÊNCIAS Apesar de essa ser a primeira vez que a jovem ficará tanto tempo longe de casa, Catherine já teve outras experiências no exterior. Em 2014, viajou para a Inglaterra onde fez um curso de inglês em uma escola de idiomas durante um mês. Nessa ocasião, aproveitou para fazer um curso preparatório para realizar o exame de proficiência em inglês.
  • Quando voltou para o Brasil, ela fez a prova e garantiu uma bolsa para estudar Literatura durante três semanas na Universidade de Exeter, no sudoeste da Inglaterra. A última viagem feita pela jovem, também para a Europa, ocorreu entre o fim do ano passado e o início deste, teve duração de 20 dias e foi a turismo.

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