Alana acompanhada da mãe Cristiane escolheu seus materiais escolares na terça-feira (Foto: Rosana Wessling/Folha do Mate)

Quem passa em frente às lojas na área central de Venâncio Aires já percebe que a decoração natalina deu espaço aos materiais escolares. Na tarde de ontem, a reportagem percorreu alguns locais e percebeu que as compras destes itens já movimentam o comércio.

Ainda faltam alguns dias para o início das aulas, mas a estudante Alana Wittke Kroth, 11 anos, já escolheu os materiais escolares. Ontem, ao lado da mãe Cristiane Wittke Kroth, 43 anos, elas foram às compras.

No carrinho, lápis, cadernos, canetas coloridas, régua e outros itens faziam parte da lista de material escolar. As capas dos cadernos, alguns coloridos e outros trazendo personagens foram os escolhidos por Alana. Conforme a mãe, a compra e escolha dos materiais é mérito da filha. Isso porque, em 2019, a aluna da escola Pedro Beno Bohn, de Vila Arlindo, foi escolhida duas vezes a melhor aluna da turma. “Acredito que precisamos investir nesse momento porque ela é muito dedicada”, ressalta. Mesmo que no carrinho estejam alguns itens novos, Alana é incentivada a reutilizar. No caso das canetas, por exemplo, só foram substituídas aquelas que já não tinham mais tinta.

Cristiane destaca que realizou pesquisa de preço em estabelecimentos da cidade vizinha, em Santa Cruz do Sul, e também na internet, mas optou por comprar em estabelecimento local justamente pelas condições e pelos preços apresentados serem semelhantes.

O proprietário de uma empresa de papelaria na área central de Venâncio, Luiz Henrique Alles Becker, enfatiza que houve um aumento nas vendas de dezembro e janeiro em relação ao ano anterior. Além disso, segundo ele, o consumidor não está entrando para fazer pesquisa de preço. “Não percebemos que eles estão vindo atrás de valores, mas sim, que já estão comprando os produtos”, observa. Quando se fala em pagamento, a atendente de caixa de uma loja da área central, Jaqueline de Paula, pontua que a escolha está bem dividida: alguns pagam à vista e outros parcelam. Nos estabelecimentos visitados pela reportagem foi informado que não houve um aumento significativo no preço dos materiais escolares, em relação ao ano passado.

O aluno do 5° ano do Colégio Bom Jesus Nossa Senhora Aparecida, Arthur Roehl Bernstein,10 anos, garantiu os materiais preferidos ao lado da mãe Daniela Eni Roehl Bernstein e a dinda Débora Helena Roehl Schwendler. Segundo a mãe, a lista de materiais escolares está menor neste ano.

Arthur comprou seus materiais escolares acompanhado da mãe Daniela e da dinda Débora (Foto: Rosana Wessling/Folha do Mate)

QUALIDADE X PREÇO

A mestre em Economia do Desenvolvimento, doutora em Ambiente e Desenvolvimento e professora da Universidade do Vale do Taquari (Univates), Fernanda Cristina Wiebusch Sindelar, enfatiza que o método da tradicional pesquisa de preço do material escolar deve ser mantido.

É importante também buscar por estabelecimentos que ofereçam condições especiais de descontos e pagamentos. “Os pais devem estar atentos às marcas e personagens, já que o mesmo produto de diferentes marcas ou com o personagem “do momento” pode custar bem mais caro, em relação a outros “menos badalados”, diz.

Quem está comprando os materiais da filha aos poucos é Juliani Hendges, 43 anos. A mãe da Isadora, de 7 anos, conta que nem sempre leva a filha junto no momento da compra. Quando leva, tenta fazer uma troca por alguns itens mais em conta.

A economista enfatiza que levar as crianças junto no momento da compra pode representar gastar recursos extras com produtos que não estão na lista. “Ou que eles escolham materiais de valores mais caros, mas por outro lado, deixar a criança escolher, por exemplo, a capa de um caderno, pode ser um incentivo para ela se dedicar mais nos estudos e reconhecer seus materiais”, complementa. Levando ou não o filho no momento da compra, a profissional destaca que é importante que os pais ouçam seus filhos e sigam a lista sugerida, atentos aos preços dos produtos. “Além disso, os filhos precisam ir aprendendo desde cedo que os pais possuem restrições orçamentárias, e que economizar recursos contribui para que a família consiga satisfazer outros desejos.”

Juliani foi às compras dos materiais escolares da filha, na terça-feira à tarde (Foto: Rosana Wessling/Folha do Mate)

Muito mais que buscar as condições especiais de pagamento e preço mais baixo, é importante ficar atento ao custo-benefício de alguns materiais. Segundo Fernanda, nem sempre o mais barato é o mais indicado, em virtude da sua qualidade. “Ademais, muitas escolas já solicitam na lista a marca dos produtos solicitados, e neste caso, os pais apenas conseguem buscar preços mais baixos, já que o produto em si, é fixo”, complementa.

Luana Seidel, 35 anos, acompanhada do filho Pedro Henrique, de 6 anos, garante que opta pela qualidade do produto. O estudante do 2° ano do ensino fundamental do Colégio Gaspar Silveira Martins conta que escolheu os materiais com os personagens preferidos: Homem Aranha, Hot Wheels e Minecraft.

  • À vista ou parcelado? As formas de pagamento variam de acordo com as condições financeiras da família. Caso a família tenha condições de pagar à vista, deve barganhar algum desconto com o estabelecimento. Se for parcelado, a dica é negociar para pagar a menor taxa de juros possível.

Responde aí, economista!

Folha do Mate – Qual a orientação para quem vai comprar material escolar?

Fernanda – A orientação é a mais tradicional, que os pais ou responsáveis realizem pesquisa de preços em diferentes estabelecimentos e sigam a lista de materiais, para evitar comprar produtos desnecessários. Há muita diferença de preço em alguns itens de uma loja para a outra, o que pode impactar muito no valor total da lista de materiais. Só para citar um exemplo, comprei o material da minha filha na semana passada e em um pincel, encontrei uma diferença de quase 100% (em um loja custa R$ 6,50 e em outra R$ 11).

Economista dá dicas para a hora de comprar o material escolar (Foto: Arquivo Pessoal)

Fale sobre a reutilização dos materiais escolares.

Se sobraram materiais de um ano para o outro, a dica sim é reutilizar. Isso pode significar uma grande economia para as família e uma redução de desperdícios. Os materiais escolares, de forma em geral, não são perecíveis, e se estiverem em condições de uso, não tem nenhuma justificativa de não reutilizar. No entanto, é importante avaliar essa possibilidade de reuso antes de sair às compras, para evitar a compra desnecessária.

Outro item que pode ser reutilizado são os uniformes escolares, se estiverem em boas condições. Inclusive muitas escolas organizam seus próprios brechós, contribuindo para a economia das famílias.


“É importante não deixar para comprar na última hora, pois alguns produtos mais acessíveis podem acabar e aí os pais precisam comprar o que tem disponível.”

FERNANDA CRISTINA WIEBUSCH SINDELAR – Mestre em Economia do Desenvolvimento, doutora em Ambiente e Desenvolvimento e professora da Universidade do Vale do Taquari (Univates)


Comprar todos os itens da lista ou não? O que priorizar? Até porque alguns produtos são para uso coletivo da escola.

Entendo que se a escola inseriu o material na lista, esta deve ter feito um planejamento para uso do material junto às turmas, e será exigido ao longo do ano o uso deste material. Agora, se os pais não tiverem condições de comprar tudo inicialmente, acho que cabe uma conversa com a própria escola, para saber se é possível entregar alguns materiais em um momento posterior, por exemplo. Além disso, os pais devem ficar atentos aos materiais que estão entregando e avaliar com os filhos se, de fato, esses materiais foram usados ao longo do ano, e caso não tenham tido a destinação adequada, também se manifestar em reuniões de pais com os professores/direção.

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