Quando um familiar que cuida deles e tenta auxiliá-los, mas percebe que não consegue dar conta do recado, existe então um risco de surgir problemas maiores para os velhinhos, como não receberem remédio na hora certa, não tomarem banho direito ou até mesmo serem deixados de lado nos aposentos do próprio lar, podendo desenvolver a depressão. Em meio a esse cenário, uma alternativa cogitada por muitas pessoas é recorrer as casas de repouso, onde a atenção é constante e a qualidade de vida não é afetada.

Mas, em Venâncio essa oportunidade é para poucos. Além de existir apenas um lar na cidade, os valores superam os R$ 2 mil. A necessidade de muitas famílias fica sem resolução, pois investidores precisam enfrentar uma série de entraves burocráticos, o que faz com que desistam de se instalarem na Capital do Chimarrão.

O assunto foi levantado na Câmara de Vereadores na sessão de segunda-feira, 12. O vereador Telmo Kist (PSD), lembrou que nos últimos meses três empreendimentos desse tipo tiveram sua instalação, em Venâncio, inviabilizados. Um na rua Jacob Becker, outro na Tiradentes e um terceiro em Vila estância Nova. 

Ele enfatiza que a não autorização da instalação em determinados locais é resultado da divisão do município por zoneamento. “Não lembro a classificação das clínicas geriátricas, se é comércio, casa, enfim, uma quis se instalar na Jacob Becker e não pode devido ao barulho de uma oficina nas proximidades, na Tiradentes também foi negado em agosto. Então, a questão do zoneamento merece uma discussão ou então a classificação da atividade.” 

De acordo com o Plano Diretor do Município, a área urbana de Venâncio Aires fica dividida nas seguintes zonas: Comercial, Residencial, Mista, Especial, Industrial, Preservação Ambiental e Zona Especial de Interesse Social. 

Segundo o secretário municipal de Planejamento, Celso Knies, a instalação é permitida de acordo com o zoneamento. “O caso da Jacob Becker, por exemplo, não foi permitido, pois o local está na zona Comercial 2.” Knies acrescenta que “o asilo é praticamente uma casa de saúde, mas não há especificação exata. O asilo é um local para pessoas idosas, que já não querem conviver com barulho, então, é liberado em locais calmos, sem que possa ser instalado ao lado uma funilaria, uma oficina”.

O secretário ainda enfatiza que antes de iniciar a instalação é preciso averiguar junto a Prefeitura, se há permissão. “Para isso existe a solicitação de viabilidade na Prefeitura. Não se pode começar a instalar algo sem ter a viabilidade do Município. O que acontece normalmente é que fazem e depois pedem o zoneamento, e acabam fazendo em um local onde não pode e não podemos passar por cima da lei.”

O vereador também enfatiza que inúmeras exigências internas, como sanitárias, também tornam o investimento inviável. “é impossível conseguir instalar uma casa pelo número de exigências previstas na legislação. Por exemplo, na Estância, a casa era perfeita, grande e espaçosa, adaptada, mas exigia-se que cada dormitório tivesse um banheiro e por isso não conseguiu o alvará. Isso é um exagero, pois em casa ninguém tem um banheiro para cada quarto.”

Venâncio-airenses em asilos da regiãoA Prefeitura de Venâncio mantém parceiras com três entidades para a compra de vagas em asilos para a população de baixa renda. São unidades em Venâncio Aires, Santa Cruz, Cruzeiro do Sul e Taquari. Com isso a Administração Municipal realiza uma seleção para a destinação de idosos a estes locais, onde recebem todos os atendimentos necessários, tanto hospitalares como de lazer. Atualmente são 12 idosos da Capital do Chimarrão que estão nessas casas da região a partir da Prefeitura.

A seleção é feita a partir da constatação da situação social que abrange o idoso, ou seja, são consideradas questões como econômica, vínculos familiares, situação de risco, história de vida. De acordo com a assistente social do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), Daiane Führ, o asilamento é o último recurso para manter o idoso com garantia de cuidado. “São idosos que vem para o atendimento em situação de negligência ou violência. E que não é possível organizar o cuidado na família. Pois antes do asilamento trabalhamos todas as possibilidade de asilamento, para mantê-los em convivência familiar, como apoio da rede sócio assistencial, de saúde, recursos e manejo familiar.”

O Lar Novo Horizonte é o único na Capital do Chimarrão. Instalado no bairro Bela Vista, atende 44 idosos e é administrado pelo Lions Clube Venâncio Aires Centro. No estabelecimento, os idosos são atendidos por enfermeiros, técnicos, nutricionistas, psicólogas, fisioterapeutas, educadores físicos e cuidadores de idosos. A estrutura é adaptada também.

Mais de 11 mil idosos em VenâncioA população com mais de 60 anos residente em Venâncio Aires alcança 14,2% do total de 65,9 mil habitantes. As informações constam no último censo demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010. Já, de acordo com a estimativa da Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgado na segunda-feira, 12, Venâncio conta com 11.430 idosos, em um total de 69.052 pessoas.