Conviver com frequentes faltas de água não é mais uma novidade para o morador do bairro Cidade Alta, Alceu Allgayer. A região é a que mais sofre com a falta de abastecimento no município. No entanto, foi o valor da fatura de água que lhe surpreendeu no mês passado, quando o valor da conta foi ‘às alturas’.

De um mês para o outro, o consumo, segundo a fatura, aumentou em 14 mil litros de água, representando um aumento de 63% em relação ao mês de agosto. A conta já foi paga, mas o cliente busca uma resposta para o significativo aumento.

Com a fatura registrando um consumo de 36 mil litros de água, a família Allgayer buscou informações da unidade local da Corsan, argumentando que nenhum hábito de consumo da família mudou. São quatro adultos na residência, sendo que um mora fora e retorna somente nos fins de semana para casa e os outros três trabalham e almoçam fora durante a semana. “Portanto é correto afirmar que usamos a residência como dormitório”, observa.
Um agente de serviço operacional da Corsan visitou a residência, após solicitação do cliente, mas nenhum vazamento foi constatado no hidrômetro. “Não há nenhum vazamento constatado e não houve erro na leitura”, destaca Balduir João Schwingel, administrador da Unidade de Saneamento. Ele atendeu a reportagem na ausência do gerente local, Ilmor Dörr, que está em licença saúde.

Schwingel explica que a Corsan não pode fazer qualquer fiscalização na casa dos clientes. “A Corsan se responsabiliza até o hidrômetro. É quase 100% que há um vazamento interno, na residência do cliente”, observa.

A Corsan orienta que os clientes, entre eles, Allgayer, verifiquem todas as torneiras e locais possíveis de um vazamento, especialmente as caixas de vasos sanitários, onde é mais comum o registro de vazamentos. “Revisar as caixas de água é fundamental. Todos os consumidores precisam estar atentos a possíveis fugas da água”, observa.

AR NA TUBULAÇÃO
Allgayer é o último morador da rede de água de uma rua no bairro Cidade Alta e, segundo ele, “o primeiro a ficar sem água e o último a recebê-la”. Com as constantes faltas de água, Allgayer sugere que a tubulação se encha de ar e, no retorno do abastecimento, o ar provoque o andar do ‘relógio’ que contabiliza o consumo de água. “No retorno da água esse ar tem que sair para dar lugar à água, pois passa justamente pelo meu hidrômetro uma quantidade enorme de ar, fazendo que meu consumo se eleve a patamares inaceitáveis”, disse Ele acrescenta: “Provavelmente o vento que pagamos deve ser para cobrir os vazamentos que devem existir nas redes de distribuição”.

A reportagem da Folha perguntou à Corsan sobre essa possibilidade. Segundo o administrador da Unidade de Saneamento, “não procede essa informação”, ainda mais por se tratar de um expressivo aumento em relação ao mês anterior. Schwingel enumera: os 14 mil litros de água representam 19 litros por hora ou em torno de 300 ml de água, por minuto.

Segundo informado por Allgayer, em março o consumo da sua residência foi de 27 mil litros, em abril 15 mil; em maio 18 mil; em junho 16 mil; em julho 21 mil; em agosto 22 mil e; em setembro, 36 mil litros. “Qual a coerência de um consumo tão irregular? Devo ressaltar que o abastecimento de nossa piscina é feito com água da chuva. As pessoas são as mesmas, o cotidiano não muda, onde está a disparidade no consumo?”, questiona.


Dicas

  • O consumidor deve fechar todas as torneiras de sua residência no final do dia e verificar no hidrômetro o número que aparece. Durante a noite não deve consumir a água. Na manhã seguinte deve verificar o número que aparece, se for maior, com certeza deve ter algum vazamento na residência.
  • Torneiras, chuveiros, caixas de água precisam ser constantemente verificadas pelos proprietários ou prestador de serviço da área. Corsan não é autorizada a verificar instalações internas das residências.
  • Em casos de falta de água, tomar cuidado para não deixar uma torneira aberta durante o desabastecimento, correndo o risco de deixar a água correr por bastante tempo, quando ocorrer o reabastecimento.
    Fonte: Corsan

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