Ex-alunos são gratos pelos conhecimentos e apoio obtidos na Paresp e visitam a entidade uma vez por semana (Foto: Cassiane Rodrigues)

Prestes a completar 14 anos, a ONG Parceiros da Esperança (Paresp) auxilia crianças e jovens em vulnerabilidade social na sede localizada na Rua Pedro Grünhauser, bairro Morsch. Mais do que troca de conhecimentos, os alunos têm na equipe de profissionais apoio e uma palavra amiga, o que faz do local uma segunda casa.

Atualmente, 115 crianças e adolescentes frequentam a entidade no turno oposto das aulas. Esportes, oficinas de culinária e aulas de informática estão entre as atividades realizadas. A equipe conta com 10 profissionais contratados para desenvolver as atividades, três voluntários que ministram oficinas e a presidente da entidade, Sara da Rosa, que também presta o serviço de forma voluntária.

O espaço é mantido por meio de doações de empresas e ações realizadas para angariar recursos – brechó, pastelada e demais eventos são realizados com frequência pela entidade.

O principal apoiador da Paresp é o empresário Alan Kardec Nunes Bichinho, que garante todo o mês a alimentação das crianças. Além disso, ele mobilizou um grupo de empresários para a construção da atual sede da entidade e, recentemente, construiu um ginásio para as atividades esportivas das crianças e jovens atendidas, inaugurado no ano passado. Todas as crianças atendidas almoçam na escola, além dos lanches tanto no turno da manha quanto da tarde.

Vindas dos mais diferentes bairros do município, grande parte dos alunos moram no bairro Battisti. A maioria é encaminhada para a entidade principalmente por meio do Centro de Referência em Assistência Social (Cras).

Mais de 1,7 mil crianças já passaram pela Paresp, que iniciou as atividades em um espaço ao lado do Colégio Oliveira Castilhos e, desde 2011, atende na sede própria no bairro Morsch.

GRATIDÃO
Para jovens que passaram pela Paresp o sentimento é um só: gratidão. Pelos ensinamentos obtidos, amizades feitas e apoio da equipe durante toda a trajetória. Para muitos, até mesmo pela colocação no mercado de trabalho.

É o caso de Samuel Henrique Cardoso, 20 anos, que começou a frequentar a entidade com 7 anos. Ele trabalha no Posto Vamakito há cinco anos, onde teve oportunidade de ingressar como jovem aprendiz por indicação da presidente da Paresp. Hoje é funcionário efetivado e atua no escritório do estabelecimento, onde o jovem ‘se achou’ na profissão que pretende seguir. Ele gosta muito do contato com as pessoas e está nos planos cursar Administração.
Grato pelas oportunidades e vivências durante o tempo em que frequentou a Paresp, está nos planos sempre ajudar a entidade como puder. “As oficinas, as amizades que fiz, tudo foi muito bom e sempre quero ajudar no que for possível”.

Eduarda Batista Ferreira, 17 anos, começou a frequentar a Paresp aos 9. Estudante do 2º ano do Ensino Médio da Escola Cônego Albino Juchem (CAJ), destaca a ajuda que sempre teve da equipe. Ela sonha em cursar Direito e valoriza as amizades que fez na Paresp e o quanto aprendeu e evoluiu como pessoa.

Lucas Bergmann, 16 anos, trabalha como jovem aprendiz no Banco do Brasil também por indicação da equipe da Paresp. Em junho de 2018, Lucas parou de frequentar a entidade diariamente para dar mais um passo na sua trajetória. Na instituição bancária, ele trabalha como arquivista e está realizado com o trabalho. Sobre a ONG, Lucas é grato pelo tanto que aprendeu e o apoio que sempre teve da equipe. “Tivemos cursos de liderança lá, aprendi a pensar de outros pontos de vista”, conta.

Samuel, Eduarda e Lucas já não frequentam mais diariamente a entidade, mas todas as quintas-feiras vão até o local para almoçar junto daqueles que por anos foram também uma família.

“Queremos deixar um legado de valores”

Presidente da instituição, Sara da Rosa realiza o trabalho voluntário desde sua fundação (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

Presidente e fundadora da entidade, Sara da Rosa diz que o principal objetivo da Paresp é deixar um legado de valores para as crianças e jovens que passam pela entidade. “A intenção é incentivá-los para que tenham fé e esperança e a certeza que podem fazer a diferença”, afirma.

A professora ressalta que a equipe também trabalha para que os alunos que saem não percam o vínculo com a instituição e saibam que sempre terão apoio. “Às vezes alguns nos procuram para pedir ajuda e a gente faz o possível para auxiliar. Dividimos a comida que ganhamos para ajudar nossos ex-alunos”, relata.

Ela defende que a entidade prioriza a proteção e promoção do indivíduo, resgatando valores e enfatizando a importância de respeitar o outro e ser respeitado. “Eu sou muito feliz e grata às pessoas que nos ajudam e veem a importância do nosso trabalho”.
Em novembro, a Paresp vai sediar o 1º Fórum de Justiça Restaurativa em Venâncio Aires. Três profissionais devem participar do encontro, que terá vagas limitadas.

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