Parto humanizado, polêmica que, volta e meia, ressurge nas rodas de conversa. Desde o último fim de semana, o assunto ganha destaque nas redes sociais. Tudo começou com um artigo escrito pela colunista de um jornal da Capital, Rosane Oliveira, veiculado no último sábado, que gerou discussão na internet. Então, nesta semana o Tudo & Todas repercutiu o assunto no site e nas redes sociais.

No texto, a jornalista Rosane fala sobre a preocupação quanto a “glamorização do parto em casa e a disseminação da ideia de que o ambiente hospitalar é desumano”. Ela compartilha sua preocupação sobre o parto humanizado, em função dos risco de morte para mães e bebês. Inúmeras mães manifestaram suas opiniões, umas contra outras a favor. E na quarta-feira, 17, a jornalista da Folha do Mate Ana Flávia Hantt repercutiu o assunto em Venâncio Aires.

Para o site Tudo e Todas, Ana Flávia colheu o depoimento de três mães, que tiveram parto normal: Ananda Etges, Caroline Battisti Kroth e Juliana Mohr. Elas deram suas opiniões sobre o assunto e fizeram um relato sobre seus partos.

Os depoimento de Caroline, Ananda e Juliana podem ser conferidos no site do Tudo&Todas.

Em Venâncio Aires, 71% das crianças nascem de cesárea

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateA cada dez crianças de Venâncio Aires que nascem por mês, em média, 7 são através de cesárea
A cada dez crianças de Venâncio Aires que nascem por mês, em média, 7 são através de cesárea

Enquanto se discute sobre qual seria a maneira mais saudável – adequada, ou correta, enfim – de trazer um filho ao mundo, em Venâncio Aires o parto mais comum é a cesárea. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (OMS), desde a década de 70 a cesárea tem sido preferência na hora de escolher o caminho para o nascimento do bebê.

Relatório divulgado no fim do ano passado, mostra que no Brasil, as taxas de cesárea correspondem a 46%, porém variam bastante entre as regiões, principalmente quando se compara a assistência realizada pelo Sistema único de Saúde com a assistência privada. A taxa de cesarianas no setor de saúde suplementar chega próximo de 80%, enquanto no Sistema único de Saúde fica em torno de 30%.

Medo, vontade própria ou indicação?

As respostas divergem. Segundo a médica ginecologista, Daniela Bruxel, a maioria das mães iniciam o pré-natal dando preferência ao parto normal. “Mas algumas pacientes acabam desistindo do parto por falta de paciência ou por não aguentarem os desconfortos do final da gestação, principalmente quando a gestação chega próximo ou passa das 40 semanas.” Poucas insistem em levar até o prazo máximo de 41 semanas. “Sempre falo que para ter parto normal é preciso ter convicção e paciência , além das condições favoráveis , é claro.”

Entre os benefícios do parto normal, está a naturalidade com que o bebê nasce. “A passagem pelo canal de parto prepara o pulmão dele, as contrações fazem com que a mãe produza e ejete o leite mais facilmente e faz com que, após o parto, o útero se contraia para parar o sangramento.” No entanto, ela acrescenta: “as contrações causam dor e esse é um inconveniente para a mãe.” Já a cesariana eletiva tem a conveniência de a mãe não passar pelas dores do parto e poder escolher o momento do nascimento. “Hoje em dia é uma cirurgia relativamente segura e procura-se sempre fazer perto da data provável do parto para diminuir os riscos para o bebê.”

Mesmo a cesárea, como todo procedimento cirúrgico, tem riscos próprios e anestésicos. “Como Obstetra eu procuro orientar as gestantes sobre ambos os procedimentos, esclarecer dúvidas e mitos. Ouço a opinião delas. No decorrer do pré natal vamos nos conhecendo e sempre deixo a paciente escolher a sua via de parto”, explica e acrescenta: “Sou a favor de parto normal, mas não sou contra cesariana.

O parto humanizado é um parto onde é priorizado o atendimento voltado aos desejos das pacientes, respeitando seu momento e a fisiologia do parto. Se dá a possibilidade de escolha a gestante de como ela gostaria de transcorrer o período do trabalho de parto, posição, acompanhante , deambulação e até mesmo a solicitação de intervenção médica. Acredito que em qualquer ambiente possa ocorrer um parto humanizado, inclusive em nosso hospital. Podemos não ter o melhor espaço físico, mas estamos tentando nos adaptar. Também precisamos de treinamento da equipe, estamos acostumados a ser mais intervencionistas, e também orientação das pacientes, as próprias preferem que tomemos decisões por elas. Justamente a vantagem do parto humanizado seria o controle da gestante em relação ao nascimento do seu filho, o envolvimento pleno. Não vou te responder se já houve parto humanizado no hospital porque não considero meus partos, mesmo intervencionistas, não humanizados, inclusive as cesarianas não humanizadas

Daniela Bruxel, médica ginecologista.