Prédio onde funcionava laboratório de ciências e biblioteca está interditado desde 2013 (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)
Telhado danificado acarretou na interdição do prédio desde novembro de 2018 (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)
Lavanderia virou um corredor e do outro lado da parede de madeira, há uma sala de aula improvisada (Foto: Débora Kist/Folha do Mate)

As salas de processamento, de informática, do estoque passivo e até a lavanderia ganharam outra finalidade nos últimos meses na escola Escola Estadual Wolfram Metzler de Venâncio Aires. Os locais viraram salas de aula e professores e alunos vivem uma rotina improvisada, desde que o prédio onde aconteciam as aulas foi interditado após um temporal, em outubro do ano passado.

Mas perto desse prédio, onde estudavam os ‘pequenos’, há outro maior e com uma espera da proporção do seu tamanho. Ao invés de quase seis meses, são quase seis anos sem uma definição.

Foi em outubro de 2013, ainda no governo Tarso Genro, que o prédio de dois andares onde funcionavam laboratório de ciências, biblioteca, auditório e sala de vídeo foi interditado devido a rachaduras na estrutura, o que trouxe risco à segurança. “O que sei é que seria um problema no recalque diferencial nas fundações, o que compromete a estrutura”, explica o coordenador da 6ª Coordenadoria Regional de Obras Públicas (Crop), Cristiano Severo.

Em outros termos, é o que acontece quando uma construção sofre um rebaixamento causado pelo espessamento do solo sobre o qual foi erguida. Mesmo com todo tempo de espera, o engenheiro da Crop diz que não há novidades por parte da Secretaria Estadual de Educação. “Não foi considerado, na época, uma obra urgente e se trata de um prédio muito maior. Foi interditado porque pode cair”

Enquanto isso, aos problemas estruturais se soma o vandalismo. Janelas quebradas, portas danificadas e furtos corriqueiros. Nessas violações, já foram levados fios de luz, equipamentos elétricos, material hidráulico como chuveiros e torneiras e até pias e forro de PVC. “É um rico espaço que está se perdendo e se deteriorando. Quanta coisa poderíamos fazer aqui. As direções anteriores se mexeram muito, mas não tiveram respostas”, lamenta a diretora Deise Hickmann.

Prédio dos ‘pequenos’ pode ser reformado em breve

Se nos últimos anos foram necessários outros espaços para as atividades desenvolvidas no prédio interditado desde 2013, nos últimos meses a Wolfram se obrigou a fazer um novo remanejo com turmas e materiais das crianças do 1º ao 4º anos.

Assim aconteceu depois da noite do dia 31 de outubro, quando um forte temporal atingiu Venâncio Aires e causou dezenas de estragos. Parte dos danos também foi sentida no bairro Bela Vista, onde está situada a escola. A chuva e o vento destruíram o telhado do prédio onde ocorriam as aulas de tempo integral. De lá para cá, a escola teve que encontrar outros espaços para cerca de 80 estudantes. “Apesar do improviso, estão todos bem acomodados. Operamos um milagre aqui”, define a diretora Deise Hickmann.

Na passagem do calendário, são quase seis meses esperando pela reforma. Foi esse o tempo estimado, ainda em novembro, pela 6ª Coordenadoria Regional de Obras Públicas (Crop). Segundo o engenheiro e coordenador da Crop, Cristiano Severo, o projeto depende agora da Secretaria Estadual de Educação. “Como se trata de uma obra urgente, não houve licitação, mas sim coleta de preço. Cabe à Seduc chamar a empresa para fazer o contrato e liberar o recurso.”

Ainda conforme Severo, já há, inclusive, a definição da empresa que fará a obra. Trata-se da DA Engenharia, do município gaúcho de Sertão, com custo de R$ 238,72 mil. Do prédio interditado, o engenheiro explica que haverá a troca da cobertura e da parte elétrica. “É isso que está previsto, assim como a troca da cobertura da unidade agrícola de produção.” Além dos prejuízos no telhado, o piso também está danificado e, com a umidade, as portas nem abrem mais.

AJUDA

A diretora Deise Hickmann ressaltou o que, segunda ela, muitos não entendem. “A escola não pode mexer. Enquanto estiver interditado, não podemos fazer nada. Pais e empresas já ofereceram ajuda financeira, de materiais, mas não podemos começar nada. Depende da liberação do Estado.”

Ainda conforme Deise, o que a escola pode fazer é reformar espaços em uso. “Na rifa de Natal, por exemplo, arrecadamos cerca de R$ 6 mil, que possibilitaram pequenas reformas em algumas salas.”

Emendas parlamentares serão para equipamentos

Enquanto sofre com problemas estruturais, por outro lado a escola Wolfram Metzler recebeu boas notícias nesta semana: a indicação de recursos no orçamento federal para educação profissional, científica e tecnológica, para aquisição de equipamentos e materiais permanentes.

Essas indicações visam a destinação de emendas parlamentares que, confirmadas, chegam a R$ 706 mil. Até o momento, as informações chegaram à direção da escola através de vereadores que articularam o destino dos valores. “Recebemos algumas visitas e ligações falando das indicações”, conta a diretora Deise Hickmann.

Ainda conforme Deise, os recursos devem possibilitar a aquisição de equipamentos agrícolas como silos de grãos, roçadeiras e até um trator, além de materiais para pesquisa como projetores e notebooks. “São materiais importantes para aperfeiçoarmos nosso curso técnico. Fico muito feliz de indicarem a escola, mas me preocupam os espaços para receber tudo isso. Sinceramente, se fosse possível, eu trocaria por obras”, confessa a diretora.

A declaração dela vai ao encontro das dificuldades em estrutura enfrentadas nos últimos tempos. “A escola tem 62 anos, tudo muito antigo. Há quedas de energia e vazamentos. Mas o principal são salas de aula para acomodar os alunos.” Atualmente, a Wolfram tem 495 alunos. “Será ótimo ter todos esses materiais, mas como garantir que conseguiremos mantê-los preservados e seguros?”

VALORES

Pelas indicações das emendas, serão R$ 206,7 mil do deputado federal Danrlei (PSD), conforme ofício recebido pelo vereador Nelsoir Battisti; R$ 202,2 mil do deputado federal Lucas Redecker (PSDB), anunciados pelo presidente do partido em Venâncio, Vinícius Medeiros; e R$ 96 mil indicados pelo deputado federal Heitor Schuch (PSB) e confirmados pela vereadora Sandra Wagner.

Também estão previstas emendas de R$ 121,3 mil do deputado federal Bibo Nunes (PSL), informação confirmada pelo coordenador do Departamento de Trânsito e da Defesa Civil de Venâncio Aires, Dário Martins; e de R$ 81 mil do deputado federal Marlon Santos (PDT), valor confirmado ao presidente do partido em Venâncio, Airton Artus, após pedido da bancada municipal.

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