Em reunião realizada durante esta semana, as secretarias municipais de Saúde, de Infraestrutura e Serviços Públicos e de Meio Ambiente, foram definidas as estratégias de combate à infestação de baratas em todo o perímetro urbano. A informação é do secretário municipal de Saúde Ramon Schwengber, que juntamente com o coordenador da Vigilância Sanitária Éverton Notti, explicou as ações na tarde de ontem.

Com o aval da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) e Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fepam), a Secretaria Municipal de Saúde vai usar iscas em gel. Notti explica que esta isca não será introduzida no esgoto e sim, nas proximidades das bocas-de-lobo onde a barata vai ir buscá-la, vai se contaminar, voltar para o esgoto e contaminar as outras.

“É um controle mais moderno e mais técnico”, observa, acrescentando que com este método, o município não vai correr o risco de virar notícia estadual, como na mesma época em 2018, por causa da contaminação da água para consumo humano por agrotóxicos. A isca em gel, segundo Notti, tem a característica de não ser solúvel na água, ou seja, não se mistura. Desta forma, se usa pouco princípio ativo, o qual é direcionado somente à barata.

Como a infestação deste inseto é sazonal e tem ocorrência maior no verão e para atender a reivindicação da população, a aquisição das iscas em gel foi a forma mais rápida que a municipalidade encontrou para efetuar o combate e elas serão aplicadas inicialmente nos locais de maior infestação. A expectativa é que estas iscas em gel já cheguem na próxima semana e tão logo isto ocorrer, começarão a ser aplicadas pela Secretaria Municipal de Saúde. Os servidores da Sisp que trabalham na limpeza urbana vão ajudar a mostrar e a identificar os locais mais infestados.

Notti acrescenta que tecnicamente, estes órgãos estaduais não recomendam o uso dos métodos usados até então no combate a este inseto, que era a dedetização com o uso de veneno. “Em caso de surto ou de epidemia de doenças causadas com baratas, eles aconselham que se faça um trabalho de desinsetização com este método”, acentua.

OUTRAS AÇÕES

Segundo orientação da SES, CEVS e Fepam, segundo Schwengber, a primeira medida que precisa ser tomada é com relação à limpeza, que as pessoas separem corretamente o lixo e depois o coloquem nos conteineres de forma adequada – no caso de Venâncio Aires, é a coleta seletiva. “Este é o primeiro passo”, reforçando, acrescentando que outra ação é o correto destino do esgoto onde o município agora vai começar a tratá-lo de uma forma mais eficaz.

“São ações de combate às baratas que a prefeitura vai começar a trabalhar com a comunidade”.RAMON SCHWENGBERSecretário municipal de Saúde

NOTA TÉCNICA EMITIDA PELA SECRETARIA DE SAÚDE

Assunto: Orientação a população sobre o controle de vetores e pragas, barata de esgoto – Periplaneta americana.

Objetivo: Auxíliar nas ações necessárias a minimizar a proliferação de vetores e pragas no âmbito do Município de Venâncio Aires

Motivação: proliferação dos vetores e pragas urbanas em logradouros públicos de uso coletivo

Esclarecimentos e Orientações: Tendo em vista a proliferação sazonal dos vetores e pragas “barata de esgoto” na área urbana do município, as Secretarias Municipais de Saúde, Meio Ambiente e Infraestrutura e Serviços Públicos vem esclarecer e orientar a população de Venâncio Aires, com subsídios e orientações do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA) e Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEPAM):

– Fumigação Fog (técnica desenvolvida no passado): a técnica é desaconselhada pelo CEVS e SEMA. A utilização de controle químico em áreas urbanas expõe a população em geral a significativos riscos e este método acaba dissipando produto na água, solo e ar.

– Cuidado necessários: todos são corresponsáveis neste controle, visto que, as baratas necessitam de abrigo, água e alimento. Devemos todos manter os locais públicos e privados limpos, sem acúmulo de materiais em desuso, proteger alimentos, e evitar ao máximo que restos alimentares sejam lançados ao esgoto.

– Solução encontrada para os logradouros públicos: por orientação do CEVS, na necessidade ou clamor social, a solução menos nociva e mais segura são as iscas gel baraticidas para colocação na periferia das bocas de lobo. E dentre elas encontramos formulação que apresenta a característica de ser imiscível em água, ou seja, insolúvel em água.

– Nota Técnica SES/CEVS/DVAS Nº 01/2013: Recomenda: os planos de controle deverão, primeiramente esgotar os meios mecânicos, naturais e de infra-estrutura urbana; O controle químico será utilizado em casos de iminência de surtos e epidemias. Surtos: acontece quando há o aumento repentino do número de casos de uma doença em uma região específica. Para ser considerado surto, o aumento de casos deve ser maior do que o esperado pelas autoridades.

– Posicionamento do DVAS/CEVS: “No caso de emprego de qualquer substância, a responsabilidade é do gestor que autorizou frente acidente por contaminação; não é uma recomendação da SES, a não ser que seja comprovada a transmissão de agravo no município decorrente desta infestação”.

– Posicionamento da ASSTEC/SEMA: “A aplicação de venenos que possam chegar ao ponto de captação para abastecimento humano é um risco que precisa ser avaliado, considerando que o sistema de filtragem de água não retira moléculas de veneno”.

– Posicionamento da Vigilância Sanitária Municipal: “Em janeiro de 2018 noticiou-se que foram encontrados traços de agrotóxicos na captação de água em uma das amostras de 2016, nem uma outra amostra apresentou problemas e muito se noticiou quanto a esta preocupação, hoje se noticia e pede-se que se coloque veneno na rede pluvial, continuaremos sendo técnicos”.

 

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