No registro de Lauri Nagel, entulhos, galhos de árvores, flores velhas, sacos plásticos e até restos de caixão são depositados na calçada (Foto: Lauri Nagel/Divulgação)

Não é de hoje que o acúmulo de lixo, entulhos e outros materiais são alvo de reclamação constante de moradores do bairro Macedo, principalmente os vizinhos ‘de porta’ do cemitério Vila Rica. A reivindicação já é de conhecimento de várias secretarias municipais e, nesta semana, a Folha do Mate também foi procurada, através do morador Lauri Nagel.

No seu relato, acompanhado de inúmeras fotos, ele afirma que já mandou e-mails para a Administração Municipal reclamando da situação. “Será mesmo tão difícil encontrar uma solução para o descarte do lixo do cemitério que não seja na calçada? Por que nós moradores temos que aceitar isso?”, questionou. Nagel disse ainda que a comunidade já havia solicitado uma lixeira maior ou contêiner para a Prefeitura, “mas até o momento nada.”

Mesmo sem a solução imediata esperada pelo morador do Macedo, a sugestão dele também é a ideia da Administração. O secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisp), Renato Gollmann, revelou que encaminhou um documento à Secretaria de Meio Ambiente para avaliar a possibilidade da instalação de um contêiner em frente ao cemitério. “Estamos vendo e pesquisando orçamentos. Seria um contêiner como aqueles maiores, para entulho mesmo.”

Se isso se confirmar, Gollmann reforça que no local só deverão ser depositados restos de flores artificiais e materiais de construção. “Restos de plantas, podas de árvores e lixo doméstico não dá. Nessa parte a comunidade também precisa se conscientizar.”

O comentário do secretário é devido à constante presença desses materiais acumulados na calçada do cemitério. Entre eles, até itens pouco agradáveis de ver, como restos de caixão. “Como a limpeza dos túmulos é de responsabilidade dos familiares, tudo acaba indo para a frente do cemitério.” Tal situação também foi flagrada e registrada pelo morador Lauri Nagel.

Morador próximo do cemitério também registrou o ‘depois’ do recolhimento da Sisp e destaca: “Calçada destruída” (Foto: Lauri Nagel/Divulgação)

CADASTRO

Ter um depósito adequado em frente ao Vila Rica e no Municipal também foi mencionado pelo assessor da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Social, Cesar Ernsen. É ele quem acompanha o processo de licitação para a contratação de uma empresa de assessoria que analisará a situação de todos os cemitérios de Venâncio Aires.

Ersen explicou que, dentro dessa proposta, a ideia é que, além dos depósitos, seja criado um cadastro de quem poderá trabalhar dentro do cemitério, sejam funcionários públicos ou particulares que farão eventuais obras e limpezas. “Aí saberemos de quem cobrar.”

LIMPEZA

Embora reconheça que o Vila Rica precisa de um local para depositar o lixo, Renato Gollmann reforça que a limpeza dos túmulos é responsabilidade dos familiares. “Muitas vezes eles poderiam levar para casa restos de flores e dar o destino certo. E mesmo quem vai lá fazer uma obra, deveria dar o destino correto para o entulho. Mas acaba indo tudo para a calçada.”

Como isso praticamente se ‘convencionou’, a Sisp é a responsável pelo recolhimento, o qual, segundo Gollmann, é feito semanalmente, tanto no Vila Rica como no Municipal. O lixo seco vai para a Usina de Triagem, em Linha Estrela, e os entulhos aproveitados em obras da secretaria.

Além do recolhimento, a Sisp mantém dois funcionários da pasta atuando como zeladores dos cemitérios. Osvaldo Xavier, no Municipal, e Sandro Schwengber, no Vila Rica. Conforme Renato Gollmann, eles trabalham diariamente na limpeza dos corredores, com varrição e capina, além da eventual pintura dos muros.

Licitação para analisar situação de cemitérios é alterada

A licitação que busca a contratação de uma empresa para estudar e analisar todos os cemitérios de Venâncio Aires teve uma alteração na data limite para o recebimento de propostas.

Conforme o assessor da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Social, Cesar Ersen, até ontem, quando encerrou o prazo inicial, houve duas empresas interessadas, ambas de Santa Cruz do Sul. Mas elas questionaram alguns pontos técnicos e a Administração decidiu alterar o edital. “Optamos, então, por exigir que as candidatas devem ter registro no CREA [Conselho Regional de Engenharia e Agronomia] ou CAU [Conselho de Arquitetura e Urbanismo], além de um engenheiro para ser o técnico responsável.”

Com a alteração no edital, o prazo limite para interessadas enviarem suas propostas ao Executivo foi adiado para 1⁰ de outubro. O projeto tem custo estimado de R$ 32 mil, que serão pagos com recursos próprios.

De acordo com o edital, o serviço será realizado na área urbana e interior para formular um dossiê quanto às melhorias necessárias nos aspectos administrativos, operacionais, financeiros, sociais, legais, ambientais, paisagísticos e históricos. Também está previsto o estudo da possibilidade administrativa quanto a convênios, parcerias e serviços públicos.

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