Em tempos de crise financeira e com incertezas que ainda são resquícios de um período eleitoral turbulento, o desafio de empresários e poder público é tentar superar as dificuldades e manter o giro da economia local. Isso passa, naturalmente, pela condição de quem busca e de quem oferece trabalho.

Em Venâncio Aires, que tradicionalmente se consolidou nos segmentos do tabaco e da metalurgia, nos últimos anos também viu o surgimento de outras indústrias, comércio e serviços. Essa verificação é dimensionável por alguns números do Governo Federal. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em novembro de 2018 eram 4.160 estabelecimentos dos mais variados segmentos registrados em Venâncio Aires. Segundo informações da Central do Empreendedor, que funciona junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, no ano passado foram 486 inscrições e 385 baixas. O saldo positivo de 101 incluiu desde grandes empresas, Empresa de Pequeno Porte (EPP), Micro Empresa (ME), autônomos e até associações.

Segundo o assessor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Marcos Hüttmann, trata-se de um bom número, se for levado em conta o período instável da política e da economia. Além disso, é preciso considerar alguns fatores. “O saldo é um pouco menor que 2017 [que teve 147], mas isso não quer dizer, exatamente, que piorou. Na verdade está sendo feito um trabalho mais intenso de orientação e fiscalização e consideramos apenas os registros devidamente regularizados com inscrição municipal”, explica Hüttmann.

MEISEmbora tenha registrado diminuição entre 2017 e 2018, as microempresas individuais (MEI) também são realidade em Venâncio Aires. De acordo com números repassados pela coordenadora da Central do Empreendedor, Tatiane Andrade, foram 297 inscrições no ano passado contra 127 baixas, totalizando 2.134 estabelecidos no município.

O saldo é 78 MEIs a menos que em 2017, quando foram 345 inscrições e 97 baixas. O assessor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo explica que a queda se deveu ao trabalho de regularização dos serviços. “Muito é pela orientação aos microempreendedores, para se regularizar e ter o enquadramento correto. Por exemplo: várias MEIs migraram para microempresas porque cresceram, e isso é bom. Essa modalidade é a porta de entrada para o empreendedorismo, mas o MEI não pode ter medo de faturar além do limite dos R$ 81 mil anuais”, afirma Marcos Hüttmann.

Foto: Débora Kist / Folha do MateMarcos Hüttmann destacou trabalho de orientação e fiscalização para garantir registros devidamente regularizados
Marcos Hüttmann destacou trabalho de orientação e fiscalização para garantir registros devidamente regularizados

“Município com condição de diversificar”

Para o prefeito Giovane Wickert, Venâncio Aires tem condições de diversificar e, por isso, condição de atrair. “Temos um maior equilíbrio entre os setores, principalmente porque temos vocação e identificação com alguns deles. Sem falar que tem muita gente empreendendo por conta, começando pequeno e depois crescendo”, destaca.

O prefeito também destacou a necessidade de buscar estruturar os novos empreendedores. “Esse ano devemos receber a escritura da área onde queremos fazer o novo Distrito Industrial. Também vamos encaminhar uma divisão de lotes perto da Unisc, numa área total de cinco hectares.”

UMA DAS 486Entre as 486 novas empresas registradas em 2018, está o Estaleiro Tethys, que produz lanchas e iates. A empresa está no município desde a metade do ano passado, à margem da RSC-287, em Linha Hansel, em um local que pertence a Alexsandro José Ferreira, sócio-proprietário.

Segundo o controller da empresa, Wilson Crespo Junior, entre os motivos da vinda para Venâncio está a logística e a proximidade com os grandes centros. “Estamos próximos de Porto Alegre e Caxias do Sul, de onde vem a grande parte da nossa cadeia de suprimentos.” Crespo destaca ainda a boa relação com o Executivo. “A Prefeitura sempre se mostrou interessada em ajudar, principalmente para formar mão de obra.”

Hoje com 26 funcionários, o controller da Tethys revela que a empresa tem estrutura para quadruplicar sua produção. “Automaticamente significaria contratar mais. Mas precisamos de mão de obra especializada. Precisamos de marceneiros e chapeadores, por exemplo, mas que tenham conhecimento náutico.”

Atuando desde 2016, o Estaleiro Tethys tem sua produção voltada para o mercado nacional, mas já busca a possibilidade de exportar, principalmente para os Estados Unidos.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateThetys produz lanchas e iates, e se instalou em Venâncio Aires na metade de 2018
Thetys produz lanchas e iates, e se instalou em Venâncio Aires na metade de 2018