Moradora de Venâncio sugere que veterinários criem plantão

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Andreia Clair Pilz, de 49 anos, passou por momentos de tensão quando precisou de um veterinário em um domingo à noite. A cachorra Nina, 4 anos, entrou em trabalho de parto, precisava de cesária de emergência e Andreia ligava para os profissionais, que não atendiam, ou diziam que o plantão já tinha terminado.

A moradora do bairro Aviação conta que tudo começou na tarde do dia 5. Ela percebeu que Nina estava estranha, pois chorava muito. Foi quando chamou o veterinário Lucas Kappaun, que tratou de encaminhar os primeiros socorros. “Foi um anjo, pois ele tentou fazer o parto, deu medicação e soro, mas viu que um dos filhotes estava trancado na pelve, atravessado e morto. Ele não tinha equipamentos para fazer uma cesária na Nina, então junto comigo tentou conseguir outro profissional. Aí começou nossa luta”, recorda.

Conforme a professora, várias pessoas, como vizinhos, também ajudaram. Todos compartilhavam telefones de veterinários e ela tentou até um de Lajeado, porém ninguém atendeu. “Apenas uma veterinária de Venâncio atendeu e disse que o plantão dela já tinha terminado”, reforça. Sem saber o que fazer, perto da meia-noite Andreia foi até a casa de uma profissional, enquanto Kappaun monitorava o animal, que estava correndo risco de vida. “Consegui acordar a Cris Uhlmann, veterinária que eu já conhecia, e pedi ajuda. Fomos buscar a Nina em casa e ela fez a cesária de emergência. Outro anjo daquela noite”, destaca.

Nina segue se recuperando, está fraca e com dificuldades de ficar de pé, o que conforme Andreia pode ser por conta do trauma e dos pontos. “Conseguimos salvar ela e quatro filhotes. Um, o que estava na pelve, faleceu”, comenta.

Plantão

Após a situação, Andreia observa que seria importante os veterinários do município se unirem. “Podiam fazer um sindicato ou grupo, de todos, com escala de que cada dia um ficaria de plantão. Plantão particular mesmo, mas que tenha uma saída para quem precisa de ajuda”, idealiza.

Assim, segundo ela, outras pessoas e animais não precisam passar pela dificuldade quando for necessário um atendimento. “Nunca mais quero passar por isso e não desejo que outras pessoas passem também. Eu me senti impotente em não poder ajudar a Nina. É muito ruim”, conclui.

“Não há demanda para plantão 24 horas”, diz veterinário

A questão do plantão veterinário no município já é discutida há mais tempo, conforme o veterinário Luciano Frozza. É um serviço essencial e importante, mas que, segundo ele, não tem demanda para a região no momento. “Não é um problema só de Venâncio. Os municípios vizinhos também não conseguem oferecer esse serviço, pois são casos esporádicos e não rotineiros, com isso não é viável. Não há demanda para plantão 24 horas”, afirma.

Frozza comenta que em casos de prenhagem é preciso que o animal tenha um acompanhamento durante a gestação. Assim, será possível planejar e acompanhar o parto. Essa é a orientação do veterinário para evitar que aconteçam situações de emergência, colocando o animal em risco. “Quando acontecem esses casos, a pessoa também precisa insistir, pois o veterinário tem vida e nem sempre olha o celular. Tem que ligar mais de uma vez. Se não tivermos como atender, vamos indicar quem pode”, sintetiza.

A Clínica Veterinária Quatro Patas, onde ele atua, não oferece plantão externo, mas tem plantão interno, com profissionais que atendem os animais internados. Porém, ele frisa que quando recebem ligações, mesmo sem plantão, na maioria das vezes conseguem atender. “Hoje eu faço muito atendimento fora de hora, mas não posso anunciar o plantão, pois teria que ter a clínica, com estrutura e profissionais disponíveis 24 horas. Esse custo é muito alto,para a demanda que temos”, esclarece. Ele alerta que os profissionais que anunciam plantão necessitam, por questão jurídica, cumprir estas exigências.

Sobre a ideia de fazer um sindicato ou grupo de revezamento de veterinários entre as clínicas de Venâncio Aires, Frozza afirma que é uma boa ideia, contudo ele já tentou fazer isso há 10 anos e não teve adesão da categoria. “É uma boa sugestão, mas demanda muita logística e união de todos. Não é tão fácil quanto parece, teria que ser um plantão sobreaviso, algo do tipo”, observa.

 O veterinário Luciano Frozza observa que não há demanda na região para plantão veterinário (Foto: Eduarda Wenzel)
O veterinário Luciano Frozza observa que não há demanda na região para plantão veterinário (Foto:
Eduarda Wenzel)

Hospital Veterinário da Unisc

• A Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) conta, desde o ano passado, com o Hospital Veterinário. No momento, os atendimentos são realizados de forma particular para os municípios da região.

• Ainda não há serviço de plantão externo 24 horas, porém, conforme a evolução do curso de Medicina Veterinária, a intenção da administração do hospital é oferecer esse serviço. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

O Conselho Regional de Médicos Veterinários esclarece que não há legislação que obrigue a manutenção de um plantão veterinário nos municípios. O município que desejar oferecer esse serviço deve possuir toda a estrutura necessária, como espaço físico, equipamentos, recursos humanos, veículos e outros. Assim como as clínicas que oferecem plantão.

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