Retirada das tipuanas foi iniciada ontem, mas por recomendação do MP foi paralisada temporariamente (Foto: Alvaro Pegoraro)

Depois do embate de ideias envolvendo as reformulações do calçadão, a Prefeitura tentou iniciar o projeto de retirada das tipuanas. Contudo, na manhã de ontem, por recomendação do Ministério Público (MP), as atividades foram suspensas. A Promotoria de Venâncio Aires espera emitir parecer sobre o caso em até 15 dias.

O promotor de Justiça Fernando Buttini, responsável pelo caso, afirma que para a análise dos documentos solicitados ao Poder Executivo terá o apoio técnico do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MP, com sede em Porto Alegre.

Paralelo a isso, um grupo de empresários – que lidera junto com a Prefeitura projeto de reforma – também está mobilizado em preparar seu próprio dossiê que será entregue ao MP. O empresário Airton Bade disse que serão anexados ao arquivo laudos que atestam os efeitos que as raízes das tipuanas provocam na estrutura dos prédios do Centro. “Não só o piso dos prédios é afetado pelas raízes, mas a estrutura dos prédios em si”, diz.

Já o grupo que defende melhorias pontuais ao calçadão tem pressa na captação de nomes para abaixo-assinado, que tem como meta recolher pelo menos mil assinaturas. O grupo defende a retirada gradual das árvores e é contra a duplicação da pista de rolamento entre Jacob Becker e General Osório.

Os cerca de 15 integrantes do grupo, formado em sua maioria por arquitetos e urbanistas, considerados técnicos no tema, defendem a revitalização, mas com o foco no pedestre. Também integram o grupo professores, estudantes e empresários. Eles, a exemplo do primeiro grupo, também querem juntar o abaixo-assinado a outros documentos que serão passados ao promotor Buttini.

PREFEITURA

A Promotoria de Venâncio Aires espera emitir parecer sobre o caso em até 15 dias (Foto Alvaro Pegoraro)

O prefeito Giovane Wickert disse à reportagem da Folha do Mate que está à disposição dos grupos e do próprio MP. Ele lembrou ainda que as mudanças propostas ao calçadão são fruto de uma parceria inédita entre Poder Público e empresários. Wickert também destacou que nesta semana todos os documentos solicitados serão apresentados à Promotoria.

“Apesar de ser necessária a retirada de parte das tipuanas instaladas no calçadão, o túnel verde ficará. As árvores serão retiradas apenas de um dos lados e, em seu lugar, serão plantadas mudas nativas”, disse o prefeito. Ele ainda lembrou que as tipuanas, por serem exóticas, podem ser removidas sem a necessidade de licença ambiental.

LARGO DO CHIMARRÃO

Ontem pela manhã, equipe especializada em podas e cortes de árvores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisp), com apoio da RGE, iniciou o processo de retirada das árvores. O Largo do Chimarrão havia sido bloqueado para o trânsito de veículos. Enquanto galhos eram cortados, recomendação do MP de paralisar a derrubada das tipuanas foi acatada pela Prefeitura. “Agora a recomendação é aguardar o posicionamento do MP”, disse o secretário da Sisp, Renato Gollmann.

MUDANÇAS PROPOSTAS

Algumas das mudanças propostas entre a parceria da Prefeitura com grupo de empresários e comerciantes instalados ao longo do Largo do Chimarrão consistem em retirar um dos lados do calçadão para duplicar a pista de rolamento. Além disso, será feita a colocação de gradis de 1,2 metro na extensão das quadras.

A calçada será dividida em dois pisos de cores diferentes. Uma delas pode ser descrita como o a faixa livre, que ocupará cerca de 1,2 metro e contemplará uma faixa de piso tátil e a faixa de acesso, que fica perto dos imóveis. A outra, de serviço, com 1,6 metro, será o local onde serão instalados bancos, lixeiras, iluminação, floreiras e a vegetação de médio porte.

O projeto prevê a instalação de 26 luminárias na extensão das duas quadras da Osvaldo Aranha. Está inclusa também a colocação de 12 bancos – semelhantes aos da Praça Evangélica -, 28 floreiras, dez novas vagas de estacionamento, bicicletário e um pergolado.

Dois terços das despesas serão custeadas pelos proprietários do lotes e a Prefeitura ficará responsável por um terço do custo do projeto, que será viabilizado a partir de podas de árvores, areia, brita e todo maquinário disponível. As reformas estão orçadas em mais de R$ 225 mil.

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome